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Ypê Amarelo: 19 invasões são registradas pela polícia

A semana foi marcada por tentativas de invasões de moradias no Ypê Amarelo; duas famílias conseguiram ocupar as casas

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Ao longo da semana, 19 ocorrências foram atendidas no Residencial Ypê Amarelo tanto pela Polícia Militar quanto pela Guarda Civil Municipal. A maioria relacionada às invasões de casas no bairro. A primeira foi registrada pela PM, quando o casal Roberta Ribeiro e Fábio Nascimento já ocupava com os filhos, desde o último dia 4, uma casa na quadra 42 (veja texto nesta página). A GCM atendeu a oito ocorrências e a PM registrou outras oito, além de três Boletins de Ocorrência por danos. Já os da Guarda Civil foram todos por invasão/danos. As duas corporações policiais precisaram intensificar o policiamento no bairro durante toda a semana.

Depois da divulgação da primeira invasão, o que se viu foi uma procura pelas casas consideradas vazias. Os próprios vizinhos denunciavam as moradias fechadas. A maioria delas possuía móveis e até pertences do proprietário, mas, para os vizinhos, fachada para burlar a fiscalização que possa ser feita no bairro. “Tem muita casa fechada aqui e é uma vergonha não tomarem providências, pois tem muita gente que precisa”, disse um morador vizinho da primeira casa invadida.

invasao casa ipe amareloA Gazeta esteve no bairro por diversas vezes ao longo da semana e o carro da reportagem era parado por moradores que queriam denunciar os endereços das casas fechadas. Segundo eles, os moradores vão até a residência e alguns promovem até festa no local. A maioria das invasões aconteceu em moradias que já tiveram seus endereços comunicados à Caixa Econômica Federal, responsável pelo Residencial, após vistorias feitas pela Secretaria de Promoção Social.

O comandante da Guarda Civil, Claudemir Adorno, informou que um trabalho de orientação foi realizado junto às pessoas que invadiram os imóveis. “Estávamos lidando com pessoas simples e, por isso, a abordagem foi diferenciada, pois não estávamos lidando com bandidos. Das oito ocorrências atendidas, seis optaram por sair após conversa e outras duas foram levadas para a delegacia”, explicou Adorno.

O comandante da GCM informou que as invasões puderam ser impedidas porque a equipe chegava ao local no momento da tentativa de ocupação. “Nós conseguimos atuar em ocorrências que aconteciam naquele momento e a lei nos ampara e diz que podemos usar força policial no momento da invasão ou logo após ela. O resultado foi bastante satisfatório”, ressaltou.

A PM e a GCM vão manter um policiamento constante no Ypê Amarelo, inclusive durante o final de semana. A meta é coibir as invasões. As corporações também informaram que não houve invasão com morador dentro nem ocorrências de furtos e roubos ao longo da semana no local.

Vale ressaltar que a invasão é considerada crime e o acusado poderá responder pelo ato.

  Invasão Ipê Amarelo

Relógios

Ao visitar as casas consideradas vazias, a Gazeta teve acesso aos medidores eletrônicos de energia elétrica. Em quatro residências visitadas o consumo estava inferior ao dos vizinhos. Os relógios marcavam: 551 kWh, 590 kWh, 660 kWh e 165 kWh. De acordo com a CEMIRIM, responsável pela distribuição de energia no bairro, a média de consumo entre todas as unidades do Ypê Amarelo é de 120 kWh por mês.

O bairro foi inaugurado em janeiro e a maioria dos medidores de quem ocupa a casa há um ano já ultrapassou os 2.000 kWh.

 

ARROMBOU PORTA

Casal com quatro filhos é o primeiro a invadir

Ainda na manhã de segunda-feira (8), o casal Roberta Ribeiro e Fábio Nascimento recebeu a Gazeta na casa localizada na Rua Orlando de Freitas, quadra 42, no Ypê Amarelo. Eles confirmaram que invadiram a residência no último dia 4. “Vim dar uma volta e os vizinhos disseram sobre as casas vazias e cheguei aqui à noite com meus filhos. Fui despejada e não ia ficar com eles na rua”, disse Roberta.

Roberta e Fábio continuam na casa, mas sem energia elétrica que foi cortada
Roberta e Fábio continuam na casa, mas sem energia elétrica que foi cortada

Segundo ela, o aluguel no valor de R$ 600 não foi pago neste mês e, por isso, o proprietário do imóvel pediu a saída deles do Nova Odessa. “Aqui fiquei sabendo que a proprietária aparecia de vez em quando e nós arrombamos a porta para entrar. Os vizinhos nos ajudaram com mantimentos, pois não tinha nada para comer”, ressaltou.

Roberta e Fábio contaram que moram em Mogi Guaçu há nove anos e que vieram de Vargem Grande do Sul. “Somos casados aqui em Mogi Guaçu e tenho filhos nascidos aqui. Eu estou desempregada e meu marido trabalha como servente de pedreiro”.

As crianças tem idade de 12, 9, 4 e 1 e estão, segundo o casal, matriculados na rede municipal de ensino. “Cheguei a ir ao Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do Nova Odessa pedir cesta básica e vaga na creche para o menor, mas não tive retorno”, informou Roberta que também garantiu que não recebe nenhum tipo de benefício.

A proprietária da casa, a faxineira Edna Aparecida Casanova Antunes, esteve na residência na segunda-feira acompanhada pela Polícia Militar. Ela retirou seus pertences de dentro do imóvel, mas foi impedida de entrar pelos invasores. Edna afirmou à Gazeta que morava, sim, no imóvel. Mas que como trabalha fora, não ficava muito tempo na residência. “Tenho nota fiscal de tudo o que comprei que estava dentro da casa e do material de construção para o muro. Ela invadiu a casa quando eu estava no trabalho. Vou acionar a Caixa e a Justiça”, comentou.

Fábio foi quem retirou os móveis, entre geladeira, fogão, cama e guarda-roupa, além de roupa de cama. Durante a permanência da reportagem no local, vizinhos afirmaram que a moradora não ocupava a residência. Que ela era vista no local muito de vez em quando.

invasao casas ipe amarelo

 

Prefeitura

Na segunda-feira, o casal recebeu a visita da secretária de Promoção Social, Mariana Martini, e de uma assistente social. A Secretaria de Promoção Social informou que já havia notificado em junho de 2017 a Caixa Econômica Federal, responsável pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, que a mesma casa se encontrava em condição de abandono. Novo relatório será encaminhado ao banco.

Sobre a ida de Roberta ao Cras, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que ela esteve na unidade da Zona Leste no dia 4 de janeiro. “Em nenhum momento ela solicitou algum tipo de ajuda. Ela informou a uma funcionária que estava voltando para Mogi Guaçu e pediu orientação quanto a vaga em creche e recebimento de subsídio através do Bolsa Família. O Cras Leste fez os encaminhamentos necessários”, trouxe trecho da nota.

SEGUNDA INVASÃO

“Tenho inscrição habitacional desde 2009”, diz invasora

Roberta Juliana de Souza tem 34 anos e quatro filhos e dois netos pequenos. Ela invadiu o imóvel na Rua Helena Gallo Martini na noite da última terça-feira (9). Assim como no primeiro caso, também recebeu apoio dos vizinhos, inclusive da mãe Therezinha que mora cerca de quatro casas depois.

A família morava no Jardim Santa Terezinha II e também pagava R$ 600 de aluguel num imóvel de dois cômodos. Sem emprego, decidiu invadir o a casa no Ypê Amarelo. “Para ela (proprietária) tirar eu daqui vai ter que ter ordem judicial. Eu não vou para a rua com meus filhos e netos”, informou Roberta, assim que voltou da delegacia.

Roberta
Roberta

Ela disse que reconhece estar errada, mas que não viu outra solução para não ficar na rua com a família. “Eu não trabalho por conta das crianças pequenas. Minha filha é hiperativa e meu neto autista. Meu companheiro faz bico e não temos condições de pagar aluguel. Eu não queria ter feito isso, mas é justo eu ficar na rua com seis crianças e a casa vazia?”, questionou Roberta.

A invasora fez questão de mostrar o protocolo do cadastro habitacional da Prefeitura e disse que vai esperar que o Poder Público a ajude de alguma forma com a questão da moradia. “Antes de invadir fiquei sabendo que a proprietária ficava muito pouco aqui. O botijão de gás ela trouxe agora pela manhã. Eu entrei na casa somente com um colchão para as crianças e nossas roupas. Não tinha ninguém”.

Roberta aproveitou para criticar o fato de tantas casas estarem sem morador no Ypê Amarelo. Para ela, falta empenho da Prefeitura e da Caixa Econômica em resolver a situação. “Não precisava chegar nessa situação com tanta casa fechada aqui. Para você ter uma ideia, a moradora nem sabia o nome da rua para falar na delegacia”.

Roberta também recebeu a visita da secretária de Promoção Social, Mariana Martini. Um auto de vistoria foi feito e seria encaminhado para a Caixa Econômica Federal. “Esse imóvel também consta da nossa relação enviada para a Caixa. Esse caso foi enviado em setembro de 2017, pois o imóvel aparentava estar desabitado”, explicou Mariana ao ressaltar que os casos são de responsabilidade da Caixa.

Roberta conversou com a secretária Mariana Martini, assim como a proprietária do imóvel
Roberta conversou com a secretária Mariana Martini, assim como a proprietária do imóvel

Proprietária

Rosiane Ribeiro Miranda e o marido Paulo Henrique Antonio registraram um Boletim de Ocorrência de invasão. Ela disse que o marido foi surpreendido pela invasão logo pela manhã. “Ele chegou do trabalho ontem à noite (segunda-feira) e acabou dormindo na mãe dele que mora na rua de trás e eu estava dormindo no meu pai que está doente e precisando de cuidados. Nós tínhamos combinado de nos encontrar aqui hoje e fomos surpreendidos com essa invasão”, contou Rosiane à Gazeta.

Proprietária Rosiane
Proprietária Rosiane

A moradora garantiu que a casa não é abandonada, mas afirmou que dormia pouco no local por medo e também por conta dos cuidados com o pai doente. “Mudamos logo depois da entrega das casas. É que meu marido trabalha fora e eu tenho medo de ficar aqui com as crianças. Mas venho aqui com frequência e também dormimos aqui quando meu marido está na cidade”.

A casa de Rosiane estava mobiliada e preferiu não retirar seus pertences até que consiga um advogado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). “Eles estão de recesso e tenho que esperar para poder acionar a Justiça. Quero minha casa de volta. Tiro meus filhos daqui para ela ficar com a família dela. É muita humilhação”, disse Rosiane ao deixar a casa na companhia de policiais militares.

JUSTIÇA

 Caixa diz que moradores serão notificados

Diante das ocorrências de invasões e a permanência de duas famílias em imóveis invadidos, a Gazeta pediu esclarecimentos para a Caixa Econômica Federal. A assessoria de imprensa do banco enviou uma nota, mas sem responder aos questionamentos feitos. Entre eles, o motivo da demora em retomar os imóveis não ocupados no Ypê Amarelo.

A Caixa disse que os moradores serão notificados. “Com relação a ocupação irregular de unidades, a Caixa informa que notifica os moradores para que comprovem a ocupação regular do imóvel. Caso fique comprovada a ocupação irregular do imóvel, a Caixa adota medidas judiciais cabíveis, no sentido de buscar a rescisão do contrato e a reintegração de posse do imóvel”, trouxe trecho do e-mail enviado.

Segundo o banco, o Programa Caixa de Olho na Qualidade tem objetivo de atender aos beneficiários do Programa Minha, Casa Minha Vida. Neste programa existe a opção de denúncia de uso irregular, invasão, venda ou ociosidade. O telefone é 0800.721.6268. 

invasao ipe amarelo

Vistorias

A Prefeitura de Mogi Guaçu se manifestou por meio de nota oficial. O extenso texto lembra que o Residencial Ypê Amarelo foi inaugurado no dia 27 de janeiro de 2017, com suas 1.400 moradias. “As famílias contempladas foram selecionadas em um universo de 5.169 pré-selecionadas inicialmente, integrantes de um cadastro de mais de 10 mil inscritos no Setor de Habitação da Secretaria de Promoção Social”, esclareceu.

Segundo a nota, a primeira vistoria foi feita em março pela Promoção Social com o objetivo de averiguar se todas as 1.400 casas estavam ocupadas dentro do prazo estipulado pela Caixa. “As equipes visitaram casa a casa de 39 quadras e verificaram três tipos de situação: sinais de habitabilidade, ocupação irregular e se a moradia se encontrava vazia. As vistorias continuaram a acontecer”.

invasao ipe amareloA nota também ressalta que a Prefeitura não tem responsabilidade em resolver as situações de abandono dos imóveis. “O município não possui prerrogativa para intervir em qualquer situação que envolva a ocupação de imóveis do bairro. Não pode, portanto, isoladamente, adotar qualquer postura na tentativa de reaver os imóveis ocupados – ilegalmente ou não. Coube, sim, à Secretaria de Promoção Social, notificar a Caixa Econômica Federal sobre a situação das residências com irregularidades contratuais, como a desocupação”.

De acordo com o texto, foram sorteados 2.100 candidatos e para ocupar as residências foi chamado até o número 1.821. “Vale ressaltar que o imóvel comprovadamente desocupado deve ser ocupado pelo suplente imediato da lista de espera”.

Outro dado confirmado na nota é que a Promoção Social comunicou a Caixa entre abril e novembro de 2017 sobre 47 imóveis desocupados. “É necessário reafirmar que qualquer decisão sobre a destinação do imóvel cabe, exclusivamente, à Caixa Econômica Federal”. 

 

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