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Verônica faz cirurgia para mudança de voz

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Verônica Rodrigues, 31 anos, é uma mulher transexual que já passou por várias etapas em busca de características femininas para sentir-se ainda melhor e viver a vida como sempre quis em um corpo feminino. Fez a cirurgia de mudança de sexo e toma hormônios para acentuar as formas femininas. Mas, apesar desta aparência de mulher do alto de 1,80 metro, ainda havia algo que a incomodava: a voz.

Mas Verônica superou esta barreira com a cirurgia de tireoplastia do tipo 4, que a deixou com a voz feminina que sempre sonhou. Além disso, retirou o pomo-de-adão e, agora, planeja a vaginoplastia e, posteriormente, a colocação de próteses de silicone. Assim, pode dar adeus aos hormônios!

A tireoplastia e a retirada do pomo de Adão foram feitos pelo otorrinolaringologista Thiago Zago. E o acompanhamento é realizado pela fonoaudióloga Thais Carvalho.

SONHO REALIZADO

Voz feminina é um desejo antigo

Quem vê Verônica Rodrigues não diz que é uma mulher transexual, mas ela própria afirma que duas características masculinas ainda a incomodavam: a voz e o pomo- de- adão (proeminência laríngea). O fim de ambos os incômodos veio há dois meses com a realização da cirurgia de tireoplastia tipo 4, que torna a voz mais aguda (fina), e a retirada do pomo-de-adão.

multi transex veronicaO procedimento cirúrgico ao qual foi submetida, segundo ela, foi o primeiro realizado na região de Mogi Guaçu em um transexual. “Minha voz está completamente diferente. Agora, está do jeito que eu queria”, conta Verônica. Aliás, ela fez questão que a equipe da Gazeta ouvisse o áudio que gravou pouco antes de fazer a cirurgia e o outro, gravado após o procedimento. De fato, ela “ganhou” outra voz.

Para quem não enfrenta qualquer tipo de problema com a voz, é difícil entender o que Verônica justifica, mas basta pensar em um corpo feminino com uma voz grave (grossa). E para uma mulher transexual que passou por tantas mudanças significativas físicas e psicológicas, a voz ainda pertencia a antiga identidade. “Quando eu atendia ao telefone e dizia meu nome ou quando eu mesma ligava e me identificava era tudo muito complicado. Eu tinha que ficar forçando para falar mais fino, o que prejudicava as minhas pregas vocais”, relata.

Verônica conta que a mudança de voz foi observada ainda na sala de cirurgia, pois estava consciente durante o procedimento e pode até mesmo conferir o tom da voz. E, atualmente, apenas dois meses depois da cirurgia, ela segue com as sessões de fonoaudiologia e seguindo as orientações médicas de ainda não fazer movimentos bruscos com o pescoço. “Essa mudança de voz é um complemento de tudo o que já fiz”, destaca.

Passada esta etapa, Verônica ainda sonha com o silicone nos seios e a vaginoplastia. Esta última cirurgia porque, após a mudança de sexo (retirada do pênis), o procedimento fará com que tenha um órgão mais próximo do feminino. O pouco volume nos seios que já apresenta é fruto do uso de hormônio feminino que ainda propiciou o rosto mais fino e o crescimento do bumbum, além da redução do pelos.

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TRANSEXUALIDADE

Verônica, mulher em corpo de homem

Há 10 anos, Verônica é casada com Alex Bruno, 31 anos. Mas para chegar a este estágio de vida, tendo ao lado o homem que a ama, trabalho e casa, ela passou por todas aquelas situações vivenciadas por transexuais: preconceito e abandono. O preconceito da sociedade em geral e o abandono paternal. Teve de sair de casa cedo porque o pai nunca aceitou sua opção. Na escola foi alvo de xingamentos e eles foram tantos que a levaram a abandonar os estudos. Retomou alguns anos depois, quando encontrou uma diretora com uma visão diferenciada que explicou sobre a transexualidade à comunidade escolar.

multi transex veronica com maridoVerônica conta que desde a infância não se enquadrava ao corpo masculino e muito menos às brincadeiras e roupas. Queria sempre estar com as meninas, usar roupas femininas, enfim ser mulher. Achava que era gay porque não compreendia quais eram as diferenças destas denominações. O pai não a aceitava, assim como o irmão. Os apoios vieram da mãe, do padrasto e das irmãs.

Somente aos 18 anos, Verônica conseguiu se por como mulher, entendeu que era transexual e saiu da casa da família. Aos 20 anos, ela decidiu casar. À época, o casal não tinha nada e ainda enfrentava o preconceito forte. “Decidimos mudar de Pinhal (Espírito Santo do Pinhal) para Mogi Guaçu. Aqui, então, fizemos nossa vida”, recorda. Com curso de cabeleireira, ela não exerce a profissão, mas trabalha como auxiliar de serviços gerais. Porém, voltar a estudar ainda está entre os seus planos. Verônica quer cursar Psicologia. Ela e o marido Alex pretendem adotar filhos e tornarem-se pais, mas isto só dentro de alguns anos.

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