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Valter Colucci: Na infância, Papai Noel ficou sem presente

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Há cinco anos, Valter Roberto Colucci, 71 anos, faz a alegria de centenas e centenas de crianças ao vestir-se de Papai Noel. É ele quem fica na Praça Rui Barbosa, o Recanto, recebendo as crianças e ouvindo seus sonhos e desejos de Natal ou recolhendo cartinhas. Mas qual a história de Natal de quem está com aquele traje vermelho e aquela enorme barba branca?

A Gazeta descobriu um pouco de como foram estas comemorações e ainda quais os sentimentos que rondam o coração do Papai Noel ao receber tantos pedidos. 

Nunca houve grandes comemorações de Natal na casa da família, quando Colucci era apenas um menino. Grandes, no sentido de muitas pessoas e de comilança, mas o espírito da data sempre fez parte da noite natalina. Também não estava no roteiro pedir presentes aos pais. Afinal, o que viesse estava de bom tamanho. E era sempre uma grata surpresa. “Por mais simples que fosse aquele presente, a gente vibrava. Não via a hora de abrir o pacote”, recorda.  

multi papai noel valter colucciColucci e os irmãos colocavam os sapatinhos sob a árvore de Natal. A família Metodista seguia para o culto na véspera, à noite. Quando retornavam, ainda antes da meia-noite, o pai abria um panetone e repartia para a mulher e os três filhos. A guloseima era acompanhada de uma garrafa de guaraná. E pronto! Chegava a hora de ir para cama. E, segundo Colucci, ele mal conseguia dormir com a ansiedade de acordar e pegar seu presente na árvore. “Era uma festa porque sempre tinha um carrinho ou alguma outra coisa”, lembra.

Mas nem todos os anos, as manhãs de Natal foram pontuadas de felicidade. Houve um Natal em que o Papai Noel não passou pela casa da família Colucci. Os filhos acordaram e não havia nenhum presente na árvore. “Lembro que ao entrar no quarto, eu vi o meu pai chorando porque não tinha nada para nos dar naquele ano”, recorda com lágrimas nos olhos. Este foi o Natal em que o Papai Noel não teve presente porque a situação financeira não permitiu. No entanto, Colucci faz questão de frisar que teve, sim, uma infância feliz.

“BOM VELHINHO”

Não basta ser Papai Noel, tem que ter cuidados!

Sentar no colo do Papai Noel, fazer “chifrezinhos” na hora da foto e piadinhas de mau gosto. Opa! Não é porque o bom velhinho está ali, sentado na poltrona vermelha, que tudo pode. Há algumas regrinhas de convivência que Valter Colucci faz questão de seguir e de que sejam seguidas. Isso garante o bom andamento do seu trabalho e a alegria de todos que vão fazer seus pedidos ou apenas “aquela” foto como recordação de Natal.

multi papai noel valter colucci

O colo do Papai Noel é apenas para os bebês ou crianças bem pequenas. As maiorzinhas fazem foto ao lado. Os adultos podem ficar atrás, mas nada de zoeira na foto fazendo chifrezinho no Bom Velhinho. Os cuidados resguardam Colucci de inconvenientes e traz organização às visitas que chegam à casinha instalada na Praça Rui Barbosa, o Recanto. A fila é organizada pelas noeletes que também têm de ter jogo de cintura para controlar aqueles que insistem em furar a fila.

multi papai noel valter colucciColucci nunca planejou ser Papai Noel. Já havia se trajado como tal apenas para as festas em família. Mas aceitou ao convite da artista plástica Nilse Santamarina Peres para transforma-se no Bom Velhinho na festa organizada pela Acimg (Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu). “Ela olhou para mim e falou: Colucci, você tem a cara de quem eu preciso para o Natal”, recorda. E lá se vão cinco anos! Neste período, ele aprendeu a como lidar com o público e contornar situações que algumas pessoas colocam o Papai Noel.

Experiente, Colucci tira tudo de letra, inclusive as piadinhas. E diz que tem as duas principais características que o ofício exige: gostar de crianças e sempre estar de bom humor. A tarefa é exercida com muita alegria, pois as crianças se encantam com a figura do Bom Velhinho e abrem o coração. “E tem também quem leve presentes para o Papai Noel”, acrescenta.

 

EMOÇÕES

Nestes cinco anos desempenhando a função, ele recorda de episódios marcantes como o de um idoso que ficou na fila para vê-lo. “Ele me abraçou e começou a chorar porque nunca tinha abraçado o Papai Noel”. Para também não chorar, Colucci diz que é preciso controlar a emoção. E os pedidos das crianças também o comovem. Em especial, as mais humildes, porque muitas já sabem que o Papai Noel não compra os presentes. Por isso, ele evita perguntar o que desejam. Ele também sabe que a realidade de muitas famílias não permite atender aos pequenos. Quando as crianças choram (em geral, os pequeninos), Colucci faz de tudo para evitar um trauma e não insiste na aproximação. Tem ainda aquelas que fazem perguntas encantadoras, entre as quais, onde ficam as renas, o que elas comem ou, ainda, como ele chegou até na praça.

multi papai noel valter colucciO Papai Noel do Recanto recebe, em média, 250 visitas por dia, das 19 às 23 horas. E, claro, o ofício acaba sendo um complemento de renda para o aposentado. Afinal, não está fácil para ninguém! Nem para o Bom  Velhinho!

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