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Thomaz Caveanha na mira da Polícia Federal

O vereador é acusado de corrupção passiva por receber R$ 4 mil; ele se apresentava como representante de seu pai

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Ele exerce o terceiro mandato como vereador e já foi presidente da Câmara Municipal de Mogi Guaçu no biênio 2013-2014, mesmo ano em que seu pai, Walter Caveanha assumiu a Prefeitura. Na manhã desta quarta-feira (9), o vereador Thomaz de Oliveira Caveanha tornou-se o principal alvo da Operação Prato Feito, na cidade. Por volta das 6 horas da manhã, policiais federais entraram em sua residência, no Jardim Camargo, cumprindo mandado de busca e apreensão. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Thomaz recebeu propina no valor de R$ 4 mil, em setembro de 2016, e é acusado de corrupção passiva. Inclusive, o vereador correu sério risco de ser preso, na quarta-feira, o que somente não aconteceu porque o Tribunal Regional Federal, da 3ª Região (TRF-3) negou o pedido da Polícia Federal para que os mandados de prisão temporária fossem cumpridos. A prisão seria por cinco dias.

Thomaz
Thomaz

De acordo com o relatório parcial da Polícia Federal referente à Operação Prato Feito, Thomaz se envolveu nesse imbróglio a partir de sua aproximação com o prefeito de Holambra, Fernando Fiori de Godoy, o Dr. Fernando. Foi ele quem apresentou a “proposta” para Thomaz, em setembro de 2016. Tal “proposta” foi considerada pela Polícia Federal como oferecimento de vantagem indevida para determinar a prática de contratação fraudulenta quando da ocupação do cargo público. Ou seja, tão logo Thomaz fosse reeleito vereador, nas eleições de 2016, ele iria determinar ao pai, Walter Caveanha, que contratasse as empresas do “Núcleo Carlinhos”, mediante fraudes em procedimentos licitatórios. Para isso, Walter também precisava ser reeleito, em 2016. Portanto, Thomaz recebeu os R$ 4 mil sob a alegação de que seriam utilizados na campanha eleitoral daquele ano. Ao negociar o recebimento da propina, o vereador se apresentou ao homem chamado Leandro como representante dos interesses do pai, Walter Caveanha. Foi Leandro quem fez o pagamento para Thomaz no valor de R$ 4 mil.

 

 “Núcleo Carlinhos”

O “Núcleo Carlinhos” trata-se de uma associação criminosa que tem por finalidade desviar recursos públicos de contratos firmados junto às Administrações Municipais. Este núcleo também é um dos cinco identificados durante a investigação da Polícia Federal, que atua com diversos serviços, dentre eles, merenda escolar, uniforme escolar, kit de material escolar, limpeza e serviços de capacitação de mão-de-obra em corte e costura.

Operação PF_EsquemaO “Núcleo Carlinhos” é constituído praticamente por familiares. Seu líder é Carlos Zeli Carvalho, vulgo “Carlinhos”. Os demais integrantes são Emerson Carvalho (irmão), Leandro Carvalho (irmão), Valéria de Oliveira (irmã), Selma Zanete (esposa) e Weliton Fernandes.

Do “Núcleo Carlinhos” foram identificadas as seguintes empresas em nome de Carlinhos: Unimesc Indústria e Comércio e JCS Loteamento, Zanc Comercial Tiete, Trynivest Uniformes, Acolari Indústria e Comércio de Vestuário, Reverson Ferraz da Silva ME, Francisco Carvalho Tiete ME, Timatex Textil S.A. e Efraim Alimentos e Serviços Ltda – EPP.

A Polícia Federal ainda investiga se uma destas empresas mantém contrato de prestação de serviços com a Prefeitura de Mogi Guaçu.

No entanto, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mogi Guaçu já informou que nenhuma destas empresas tem contrato atual com o Governo Municipal. Porém, a Unimesc, Acolari e a Editora e Gráfica Opet prestaram serviços ao município durante parte da administração do ex-prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho.

No caso da Unimesc, o pregão presencial foi realizado em 2012 e a empresa ainda precisa receber da Prefeitura de Mogi Guaçu cerca de R$ 480 mil pelos serviços prestados ao município.

Já a Acolari Indústria e Comércio de Vestuários manteve contrato com a Prefeitura de Mogi Guaçu entre os anos de 2009 e 2012, quando o contrato foi encerrado.

A APROXIMAÇÃO
Thomaz é citado nas ligações telefônicas entre Carlinhos e o prefeito de Holambra

É importante ressaltar que a ação da Polícia Federal, em Mogi Guaçu, nesta semana, nada tem a ver com o processo que tramita na Justiça e apura o suposto superfaturamento na compra de carnes, peixes e frango para a merenda escolar. Este processo ainda segue no Tribunal de Justiça.

Os policiais federais estiveram na cidade exclusivamente para apreender computadores, celulares e documentos que possam conter mais provas que confirmem a relação de Thomaz com os empresários do “Núcleo Carlinhos”. Isso porque, a vinda da Polícia Federal para Mogi Guaçu já estava embasada em provas contundentes que associavam o vereador ao recebimento de propina.

As provas foram juntadas em áudios e vigilâncias que mostram o contato feito entre Thomaz, o empresário Carlinhos e o prefeito de Holambra, Dr. Fernando. Numa das ligações, Dr. Fernando faz a intermediação das relações de Carlinhos com Thomaz. “Não se tratou de uma mera apresentação de cavalheiros, mas sim de oferecimento de uma proposta”, afirma a delegada da Polícia Federal, no relatório, Melissa Maximino Pastor.

Operação PF_Diálogo

De acordo com as investigações da Polícia Federal, até o momento desta ligação registrada entre Carlinhos e Dr. Fernando, o vereador Thomaz ainda não conhecia o empresário Carlinhos e, portanto, não poderia “gostar dele” conforme foi registrado na ligação. Para a delegada Melissa, Thomaz gostou da proposta de Carlinhos apresentada por Dr. Fernando e decidiu aceitá-la, até porque Thomaz e Walter Caveanha estavam em campanha eleitoral na busca pela reeleição e precisavam do dinheiro oferecido pelo empresário. No entanto, não se tratava de uma doação, porque a oferta de dinheiro foi feita por meio de intermediários e palavras cifradas.

Dias após a ligação telefônica entre Carlinhos e Dr. Fernando, os dois voltam a se falar por telefone, mas, desta vez, para confirmarem o horário do encontro deles com o “amigo” que Dr. Fernando iria apresentar o vereador Thomaz. O encontro, então, fica marcado para o dia 28/09/2016, por volta das 9h30, na Prefeitura de Holambra.

Operação PF_Thomaz

No dia e horário marcados, Carlinhos e seu irmão Leandro (considerado comparsa) comparecem à Prefeitura de Holambra por volta das 10 horas. Aproximadamente 30 minutos depois, os dois saem da Prefeitura acompanhados do vereador Thomaz e do vice-prefeito Fernando Henrique Capato. Nesta ocasião, de acordo com o relatório da Polícia Federal, o encontro entre eles serviu para ajustar os termos do acordo ilícito.

DE LOBISTA

Thomaz não explica recebimento de propina

Desde quinta-feira (10), a Gazeta tentou conversar com o vereador Thomaz Caveanha, a fim de que ele dê a sua versão dos fatos. No entanto, ele não retornou aos recados deixados.
Vereador Thomaz Oliveira Caveanha

Porém, na tarde desta sexta-feira (11), ele decidiu se manifestar por meio de nota oficial de esclarecimento. Nela, o vereador reforça que a Polícia Federal esteve em sua casa em busca de informações. Ele nega veementemente que tenha recebido qualquer tipo de vantagem.

De acordo com Thomaz, ele foi apresentado a um empresário que possui crédito financeiro com a Prefeitura de Mogi Guaçu no valor aproximado de R$ 500 mil em decorrência de contratos firmados entre os anos de 2010 e 2012. “O que ocorre é que por meio do atual prefeito de Holambra, conforme consta nas imagens veiculadas, fui apresentado a um empresário que possui esse crédito com a Prefeitura”, disse Thomaz.

O vereador não cita o nome de Carlinhos, Leandro ou Isaías, que são os três homens ligados ao “Núcleo Carlinhos”, pivô de toda Operação Prato Feito, da Polícia Federal.

Thomaz afirma que os contratos têm como objeto a compra de uniforme escolares. “O empresário foi informado que o referido pagamento não poderia ser realizado em respeito a um decreto que estabeleceu uma rigorosa ordem cronológica de pagamentos e devido à insuficiência financeira do município”.

Thomaz encerra alegando que, até o momento, a empresa representada pelo empresário em questão não recebeu o referido crédito da Prefeitura de Mogi Guaçu.

Operação PF_Relatório1

Operação PF_Relatório3

Operação PF_Relatório2

Acompanhe outras notícias nas páginas 4A e 5A, no pdf abaixo:

 

GAZETA GUAÇUANA, 12 de maio de 2018

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