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Tempo seco: o inimigo das vias respiratórias

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Garganta seca e ‘raspando’, tosse, muita tosse, olhos e nariz coçando, espirros constantes, voz afônica e crises alérgicas. Estes sintomas estão tomando conta da população nas últimas semanas e, pior, são persistentes. Poucos melhoram mesmo com tantas medicações e mudanças de hábitos. As crianças e os idosos são os que mais sofrem com esses problemas respiratórios que prejudicam a qualidade de vida e, principalmente, do sono. Afinal, dormir bem é quase impossível quando uma crise de tosse seca chega e obriga a pessoa a levantar para beber água ou algum remédio ou, então, apenas para mudar a posição do corpo e ficar sentada na expectativa de que a crise de tosse vá embora.

Sem chuvas e com o clima bastante seco está fácil encontrar pessoas nas ruas reclamando de que não aguentam mais tossir, espirrar, assoar o nariz, mastigar pastilhas para a garganta e até lavar os olhos, a fim de aliviar a coceira que sentem.

Tudo isso é resultado de pouca hidratação aliada ao clima seco e falta de higiene nas mãos, que devem ser constantemente lavadas com água e sabão ao longo do dia.

MÃES EM APUROS
Sem chuva, crianças são principais alvos das doenças alérgicas

O clima seco coloca muitas mães em desespero. Afinal, os filhos – principalmente, os pequenos – são alvos preferidos de todos os sintomas que prejudicam a respiração e incomodam, irritam e ‘derrubam’ a criançada.

Márcia
Márcia

A dona de casa Márcia Cristina estava indo buscar o filho Thiago na escola já preocupada com o estado geral do menino. “Vamos ver se ele estará melhor, porque está tossindo muito”, disse a mãe. Ela conta que Thiago, de apenas cinco anos, sofre com a baixa umidade do ar. “Coloco vários panos úmidos pela casa, bacias de água também, mas não percebo melhora. Está muito difícil com esse sol quente ainda, sem chuva, não tem organismo que aguente”, observou Márcia.

Na tarde desta quinta-feira (21), quando a Gazeta fez as entrevistas, os termômetros marcavam 32º e sol alto confirmava o clima quente na cidade. Embora Thiago seja uma das milhares de crianças que sentem os efeitos negativos da falta de chuva, Márcia conta que sua filha, Juliana, de 21 anos, sofre mais ainda com os sintomas. “Ela tem sinusite e rinite alérgicas e sempre se sente mal nesse período do ano quando o ar fica mais seco. Mesmo adulta, ela ainda sofre com essas crises de alergias”, pontuou a mãe.

A dona de casa Luciléia de Cássia Agostinho dos Santos é mãe de Lavínia, 5 anos, e está no rol das mães que tentam amenizar os sintomas sentidos pelo filhos. Mas, além das crises de tosse, espirros e episódios de dores de garganta, a filha Lavínia contraiu catapora e está tendo de ter calma até que a doença desapareça. “Agora mesmo está na hora de dar o remédio para ela. A intenção é diminuir os incômodos que a catapora traz, como dores no corpo e coceira. Tenho certeza que esse clima seco ajudou – e muito – para que ela ‘pegasse’ catapora, porque são muitos vírus que ficam espalhados no ar. Precisa chover logo e bastante”, disse Luciléia.

Lucélia
Lucélia

TOSSE E ESPIRROS
Principal receita: hidratação e muito ar livre

 O pediatra Denis Carvalho, que atende na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Santa Terezinha, é taxativo ao dizer que apenas muita hidratação e muito ar livre é que vão trazer melhora aos sintomas alérgicos provocados pelo clima seco. Com a umidade do ar baixa e ausência total de chuvas, não tem outro remédio que não seja beber muito líquido: água, sucos naturais ou chás. “Tem de beber muita água e sair de dentro das casas. Buscar ficar mais tempo ao ar livre, principalmente em praças, porque os ambientes fechados ou com muita gente são ideais para aumentarem a proliferação dos vírus”, explicou o médico.

Até que a chuva volte a cair com mais frequência e intensidade, as medidas paliativas que podem melhorar a umidade do ar seguem valendo: vasilhas e baldes com água espalhados pela casa, toalhas úmidas nas portas e janelas são ótimas dicas. Outra orientação dada pelo pediatra são os famosos xaropes caseiros adoçados com mel. “As avós sempre têm uma boa receita que pode ser feita e consumida pelos filhos e netos. Um chá de camomila, por exemplo, com muito mel é um excelente xarope caseiro. Erva cidreira também alivia muito os sintomas das alergias respiratórias”, diz Denis.

Denis
Denis

O que o médico abomina e faz questão de deixar claro é o risco da automedicação, principalmente, quando o remédio escolhido é o xarope. Com um ar de ser inofensivo à saúde, o xarope pode desencadear diversos efeitos colaterais que vão prejudicar ainda mais o paciente, desde o diagnóstico do que ele realmente tem até os efeitos colaterais do medicamento. “O xarope não é tão inofensivo assim. Ele somente pode ser dado ao paciente com prescrição médica. Caso contrário, o ideal é optar pelo xarope caseiro. Essa orientação serve também para os adultos que estão acometidos pelas alergias respiratórias”, atentou Denis.

Outra orientação dada pelo pediatra é para que os pais apenas levem seus filhos ao posto de saúde ou ao pronto-socorro se a criança – ou os adultos – tiverem febre, cansaço físico e falta de apetite. Caso contrário, tanto as crianças quanto os adultos devem permanecer em casa cuidando dos sintomas com muita hidratação, ar livre e paciência. “O estado geral da pessoa é que vai determinar. Se não tiver febre, nem cansaço e estiver se alimentando bem, não vá buscar atendimento médico evitando contrair outros vírus. É preciso ter paciência porque, principalmente as crianças, vão ter de 10 a 14 infecções de vias aéreas por ano, ou seja, serão 140 dias tossindo. É muita troca de vírus nessa fase”, concluiu Denis.

Tempo Seco - ABRE

Veja alguns mitos e verdades que rondam a alergia respiratória:

1- Lavagens nasais podem ser realizadas regularmente.
VERDADE. A lavagem nasal auxilia na remoção de antígenos que, ao entrar em contato com a mucosa nasal, colaboram para o desencadeamento de crises alérgicas.

2- As alergias respiratórias só ocorrem em dias mais frios.
MITO. As crises de alergia ocorrem em qualquer época do ano. Porém, nas estações mais frias, o aumento dos sintomas ocorre devido ao ar seco e à temperatura mais baixa.

3Produtos com cheiros fortes devem ser evitados.
VERDADE. Os perfumes precisam ser evitados pelos alérgicos, inclusive, por parentes próximos.

4- Rinite alérgica tem cura.
MITO. A rinite alérgica não tem cura definitiva. Porém, é possível mantê-la sob controle por meio de tratamento adequado.

5- Alérgicos podem praticar esportes.
VERDADE. As crianças alérgicas podem e devem praticar esportes. No entanto, recomenda-se conversar com o médico na hora de escolher o melhor esporte para cada uma.

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