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Temer ganhou, mas quem governa é o Centrão

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O Estadão noticiou: “Câmara barra denúncia por corrupção contra Temer – Articulação [compra de votos] para barrar acusação do PGR mobilizou o Planalto no último mês e continuou ontem [2/8] – Ministros e líderes partidários negociavam emendas até durante a sessão (sic)”. Aparentemente foi uma vitória do Temer (264 a 227). Só aparentemente. Na verdade, quem ganhou foi o Centrão, como se verá.

José Roberto de Toledo, em artigo ao Estadão, sob o título “Todo poder ao Centrão”, diz que “o grosso da barganha feita pelo Planalto para sustentar o chefe não foi com lideranças partidárias, mas com bancadas temáticas: ruralistas, sindicalistas [Paulinho da Força], sonegadores (sic)”. O jornalista, então, mostra como age o governo: “Sempre que o Planalto entra pesado para aprovar ou brecar uma proposta, as bancadas partidárias se dissolvem. A negociação é voto a voto, grupelho a grupelho, financiador a financiador. E, nisso, a Turma do Pudim não tem concorrência”. E quem é a Turma do Pudim? Ele explica que é o Centrão (PP, PSD, PR e outras siglas menores), que “reúne deputados que podem estar hoje em uma sigla e amanhã em outra, sem que isso faça diferença sobre suas chances de reeleição. É dando que recebem (sic). Estão sempre no centro, ou seja, apoiando o governo, mas ameaçando constantemente debandar se não forem recompensados. (…) Esse grupo tomou das mãos indecisas do PSDB o papel de fiador do governo, ganhou status e vai cobrar cada vez mais caro por isso”.   Adiante o jornalista afirma: “Outras denúncias virão, e, a cada uma delas, o “Centrão” será chamado a dar seus votos decisivos para escudar Temer e mantê-lo pregado à cadeira presidencial. Cobrará por isso. De novo. (…) O problema dessa contabilidade é que ela não fecha. O déficit público está estourando e vai explodir para Temer honrar sua dívida com o “Centrão”. A conta virá na forma de mais impostos (sic). Será um feito convencer o eleitor a votar em quem o faz pagar mais por menos, enquanto centristas, ruralistas e sonegadores prosperam”. Ao analisar a “vitória” do presidente, João Domingo, também no Estadão, analisa: “Temer vira refém do Congresso”. Leia-se: do Centrão. O jornalista encerra assim sua análise: “Os partido que integram o Centrão querem os ministérios entregues aos tucanos. A crise não passou com o arquivamento da denúncia. A vitória de Temer apenas lhe deu algum alivio”. A ver!

Além do Centrão, outro que saiu vitorioso foi Rodrigo Maia, o Botafogo. É o que diz Vera Magalhães, no artigo “Com resultado, eixo de poder do governo se desloca e DEM cresce”: “No outro lado do espectro, ganham peso no arranjo que sustentará o impopular (sic) governo Temer o DEM – que chegou a ter 21 deputados na travessia do deserto dos governos do PT e pode chegar a mais de 50 – e um partido do Centrão, que haviam ficado órfãos sem Eduardo Cunha, mas foram adotados pelo presidente, à base de fisiologia (sic)”. Adiante ela diz: “Um vencedor individual, além de Temer, é Rodrigo Maia. O presidente da Câmara poderia ter ajudado a derrubar Temer, mas se mostrou leal e ajudou a costurar a maioria na Câmara e o quórum”.  Com esta atitude, Maia com o Centrão, também governa!

Por aí se vê que na vitória de Temer houve outros ganhadores. E que agora temos vários governantes! O presidente ganhou, mas saiu, paradoxalmente, enfraquecido…

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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