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Tecnologia: Pais devem monitorar e impor limites

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Não é raro pai ou mãe pedirem ao filho para desligar o celular, enquanto estão com os olhos pregados no próprio aparelho? Esta cena mostra que não só apenas crianças e adolescentes devem ser educadas quanto ao limite do tempo de uso dos videogames, celulares, tablets e computadores.  A família toda está precisando deste monitoramento. A questão é que esta educação compete aos pais, pois são espelhos dos filhos.

A Gazeta bateu um papo com a psicóloga Ana Olívia Martinho Rodrigues que fez uma avaliação muito transparente sobre o tema. Além disso, a reportagem traz oito dicas para identificar se o uso de eletrônicos está sendo feito em excesso e virando um vício.

SOB CONTROLE

Mãe e pai impõem limites aos filhos

 

A família Garcia privilegia as brincadeiras lúdicas, os jogos de tabuleiro e a leitura. As crianças de nove e quatro anos não possuem tablet ou aparelho de smartphone e têm limites até mesmo para o uso do videogame. Esta foi a forma encontrada por Priscila de Macedo Garcia, 33, e Maurício Cândido Garcia Junior, 41, para aproveitarem todos os momentos em família e possibilitarem aos pequenos Gabriel, 9, e Miguel, 4, uma infância mais saudável e com muitas histórias para contar.

Priscila acompanha de perto dos filhos Gabriel e Miguel
Priscila acompanha de perto dos filhos Gabriel e Miguel

Mas engana-se quem acha que os pais estão criando os filhos em uma redoma. Priscila atenta que o acesso à internet pelo notebook é feito quando necessário para o uso de pesquisa escolar. E ela ainda busca ensinar o quanto é importante procurar por sites confiáveis. “Não basta só pedir para o Google”, atenta comentando que o notebook é usado pelo mais velho com ela ao lado.

O acesso à Netflix, por exemplo, é monitorado, assim como os vídeos postados no Youtube aos quais as crianças têm acesso pela televisão. “Eu sei tudo o que assistem, pois vejo que têm até mesmo desenhos que não são adequados a faixa etária”, pontua. Neste caso, Priscila diz que o mais novo acaba por ter acesso aos conteúdos assistidos pelo irmão mais velho. Apesar da pouca diferença de idade, a mãe entende que o caçula tem esta regalia.

No caso do videogame, o uso é permitido apenas às sextas-feiras, sábados e domingos. Isto porque, estavam jogando muito e o casal entendeu que não era saudável. “Celular dificilmente, eu deixo mexerem”, acrescenta. Apesar disto, ela aproveitou toda a polêmica da boneca MOMO para reforçar aos filhos que ainda não têm maturidade para terem aparelho de smartphone.

Priscila e Maurício sabem que são exceções porque, enquanto outros pais carregam os tablets e celulares para distraírem os filhos, eles usam os livros. “O pessoal acha estranho, sair e levar livros”, admite a mãe. O que importa, segundo ela, é que os meninos gostam dos livros e são motivados a irem passear com os pais na biblioteca, em especial o mais velho.

A mãe sabe que a tecnologia é essencial no dia a dia inclusive para os trabalhos de escola. Por isso, acompanha nesta tarefa de pesquisa. Por outro lado, acredita que as escolas deveriam investir nesta questão, orientando os alunos sobre a como fazerem pesquisa na internet, indicando sites com bons conteúdos, norteando e evitando que os alunos apenas copiem e colem.

multi vicio eletronicos priscila mae gabriel filhoApesar de o casal estar na contramão das famílias que liberam o uso dos eletrônicos, marido e mulher não julgam a criação que os demais ofertam. “Apenas procuramos uma forma mais leve, adiando o uso dos eletrônicos e passando mais tempo juntos, curtindo os filhos”, justifica Priscila. Em família, outra atividade que sempre fazem é brincar com jogos de tabuleiro. Com isto, pais e filhos interagem, se divertem e passam horas longe do mundo virtual.

PAIS SÃO ESPELHOS

“As famílias têm que se educar”, pontua a psicóloga Ana Olívia

 

“É impossível deixar as crianças e adolescentes fora deste mundo digital”. A frase é da psicóloga Ana Olivia Martinho Rodrigues sobre o acesso de crianças e adolescentes aos eletrônicos. Ela é taxativa ao afirmar que isto implica em ofertar os aparelhos aos pequenos sem limitar e acompanhar o uso. Além disso, os adultos também devem se policiar ao uso da tecnologia, pois são espelhos para os filhos. Ou seja, tudo passa pela educação que é uma tarefa que cabe aos pais.

Ana Olívia diz que, a partir do ano passado, Academia Americana de Pediatria determinou que o uso de eletrônicos seja feito a partir dos 18 meses de idade e com orientação dos pais. Quanto ao tempo, o preconizado é de – no máximo duas horas/dia – para crianças de dois a cinco anos e a partir desta idade personalizar o uso. “Ver ao todo como o tempo dedicado aos eletrônicos está interferindo nas outras atividades”, esclarece. Por sua vez, o Manual da Saúde da Criança e do Adolescente na Era Digital, divulgado pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), preza que o uso de eletrônicos não deve ser feito pelas crianças antes dois anos de idade.

Ana Olivia diz que educação é uma tarefa que cabe aos pais
Ana Olivia diz que educação é uma tarefa que cabe aos pais

Para a psicóloga há dois pontos essenciais a serem considerados pelos pais, além das individualidades, não permitir o uso dos aparelhos durante as refeições e desligar os dispositivos, no mínimo, duas horas antes de dormir. “A tecnologia não é a vilã. O problema é não fazer o uso saudável”, frisa alertando que os pais jamais devem ficar passivos diante do uso dos eletrônicos pelos filhos. A orientação e a mediação são fundamentais, conforme atenta Ana Olívia ao pontuar que a presença dos pais segue sendo imprescindível. Este posicionamento deve ocorrer desde a infância porque se, desde pequeno, os pais participam ao tornar-se adolescente esta criança não vai exceder no uso dos aparelhos.  “É o ato de educar. E educar é uma tarefa”, observa.

 

OFF-LINE

Sabe aquele ditado: “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Ele serve para ilustrar o que está ocorrendo em muitas famílias. Isto porque, a educação quanto ao uso dos eletrônicos não chegou a muitos adultos. “Há necessidade off-line para as famílias”, sentencia Ana Olívia. Afinal, muitos pais pedem para os filhos desligarem os celulares, mas seguem conectados. “Cadê o exemplo?”, questiona.

Neste momento off-line, segundo a psicóloga, cabe aos pais sugerir atividades que possam ser feitas em família, por exemplo, desenhar, ler, brincar e jogar. E ela atesta que o ato de proibir também é educar porque é preciso dar exemplo. “É preciso equilíbrio entre o mundo virtual e o real”, acena.

Imagem ABRE - Tecnologia AmigosO excesso do uso de eletrônicos pode acarretar problemas físicos, emocionais e comportamentais. A psicóloga mencionou o aumento da obesidade, o atraso no desenvolvimento da fala e sono prejudicado quanto aos aspectos físicos. Quanto ao comportamental, ele atenta sobre o isolamento, falha na socialização, dificuldade em compartilhar experiência com o mundo real. “É no real que ele será confrontado, questionado e até mesmo não aceito. No virtual, ele faz como quer, “interage” com aqueles que pensam igual, em grupos que pensam igual a eles, não há confronto”, menciona, lembrando que a palavra sociedade derivada do Latim: Associação Amistosa com o Outro.

No que tange aos aspectos emocionais, o excesso dos eletrônicos aumenta a ansiedade, leva à depressão, à irritabilidade e ao vício. Além dos aspectos mencionados, Ana Olívia atenta que estas crianças e adolescentes sem limites no uso de eletrônicos tendem a ser mais individualistas, aprendem a procrastinar, ou seja, deixar tudo para depois ou para o outro. “Estamos falando da Geração Y, os nativos digitais. Esperamos deles um perfil de multitarefas e sem medo de arriscar, porém com dificuldade de relacionamento interpessoal”, atenta.

PESQUISA

Meu filho é viciado em tecnologia?

 Da Redação

De acordo com pesquisa do Panorama Mobile Time/Opinion Box, 85% das crianças brasileiras – de zero a 12 anos – têm acesso a dispositivos móveis, sejam em celulares e tablets próprios ou emprestados dos responsáveis. Em contrapartida, 50% dos pais acham que seus filhos usam os aparelhos mais do que deveriam. O Programa de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas de São Paulo lista oito sinais que podem identificar uma possível dependência de internet, confira:

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  1. Pensa o tempo todo em estar conectado

Se seu filho só pensa em internet e não tem vontade de praticar outras atividades (sem conexão), como brincar com os amigos ou ler um livro é necessário ter muita atenção, pois este é o principal indício da dependência tecnológica.

 

  1. Fica alegre, feliz e satisfeito quando passa mais tempo na internet

Quando o celular se torna a maior alegria e satisfação da criança é hora de ligar o sinal de alerta. A dica aqui é sempre estipular um determinado tempo de uso do celular e/ou tablet e prestar atenção no famoso “só mais um pouquinho” – se o pedido para passar mais tempo conectado for constante há uma grande possibilidade da criança estar viciada em tecnologia.

 

  1. Tenta parar de usar a internet e não consegue

A dependência fica mais grave quando a criança não consegue parar de usar a internet, os pais até tentam, mas estar desconectado deixa a criança infeliz e até mesmo irritada.

 

  1. Sente irritação, raiva, ansiedade, sinais de depressão quando está offline

Fique de olho se seu filho fica nervoso ou muito desanimado quando não acessa a internet.

 

  1. Muda o humor ou comportamento quando entra em contato com a internet

Quando a conexão se torna o termômetro da criança é porque a dependência existe, ou seja, o humor dele não pode depender da internet – caso isso ocorra é necessário uma atenção dobrada.

 

  1. Perder a noção do tempo em que fica conectado

Pesquisas mostram que 21% das crianças e adolescentes já deixaram de comer ou dormir por conta da internet. “Esquecer da vida” quando está conectado pode ser indicação de uma possível dependência.

 

  1. Isolar-se, não ter amigos, ter dificuldade de se relacionar pessoalmente pelo uso excessivo da internet

O excesso de vida online pode afetar a vida social das crianças e adolescentes e provocar dificuldade de relacionamento com as demais pessoas, chegando até a afastar os amigos.

 

  1. Mentir para as pessoas sobre o tempo que fica conectado

Ficar atento se a criança tenta usar o smartphone escondido e se chega a mentir em relação ao tempo que passa na internet é essencial para saber se há ou não o vício em tecnologia.

 

 

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