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Taguá: Roda d’ água foi construída para triturar argila

A primeira olaria foi a de padre Armani às margens do rio

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Por volta de 1888, com a chegada do Padre Giuseppe Armani, vindo da Itália, Mogi Guaçu começou a reescrever a sua história. O religioso, que também era muito curioso e acumulava conhecimentos de engenharia, descobriu o barro taguá. Paralelamente ao trabalho na Igreja de Imaculada Conceição, ele começou a planejar sobre o que poderia fazer com o barro. Foi quando começou a fabricar telhas, objetos extremamente caros à época, pois eram importados da França. Por isso, era privilégio de poucas construções.

“Mas, como amassar o barro? O procedimento exigia força e não havia energia elétrica ou equipamento adequado a esta tarefa”, observa o historiador Augusto César Bueno Legaspe. É neste ponto que, mais uma vez, o desenvolvimento de Mogi Guaçu se depara com o rio. Isto porque, foi observando a águas, na altura de ponte de ferro, que padre Armani pensou que tal força poderia ser usada para triturar a argila. E decidiu construir uma roda d´água. “Na falta de energia elétrica, utilizou a energia hidráulica das águas do rio, instalando a roda d´água”, diz sem esconder a admiração pelas ideias do padre italiano.

Padre Armani
Padre Armani

A fabricação de telhas e tijolos começou a crescer e o padre viu que não daria conta de tudo sozinho. Com a Itália em crise, no final do século XIX, o italiano começou a trazer parentes para Mogi Guaçu. Assim, chegaram os Armani, os Martini e os Caporalli, entre outras famílias que montaram suas olarias e cerâmicas. “Mas a primeira olaria foi a de padre Armani às margens do Rio Mogi Guaçu, nas proximidades da ponte de ferro. O local, após anos, foi descoberto e preservado por José Carlos Fogo”, recorda Legaspe.

Foi o Rio Mogi Guaçu que garantiu e ainda garante o abastecimento de água do município. “Em 1952, o prefeito Altino Martini inaugurou um novo reservatório de água. Lembro que a água jorrava de um cano da calçada, onde hoje fica o Bradesco. Foi uma festa”, diz atentando que antes a água era coletada de uma mina na região do atual Hermínio Bueno, onde há uma APP (Área de Preservação Permanente). Até então, o abastecimento era precário, ou seja, havia água nas torneiras até por volta do meio-dia, depois só ao cair da noite e por poucas horas. Com isto, só restava aguardar o reservatório encher para ter água nas primeiras horas da manhã do dia seguinte.

“Mais tarde, o nosso caudaloso rio forneceu água para as nossas indústrias e foi motivo para a vinda para cá da Internacional Paper, à época Champion Papel e Celulose, e a Ingredion, antiga Refinação de Milho Brasil. Vieram por causa do rio e, mais uma vez, ele presenteou Mogi Guaçu com o desenvolvimento econômico”, afirma Legaspe. Com tantos fatos permeados pela presença do rio, o historiador não hesita em afirmar que as águas do Mogi Guaçu ajudaram a traçar a história do município.

telha_armani

 

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