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Suicídio: Você já pensou sobre isso?

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Todos os dias pessoas no mundo inteiro tomam a difícil decisão de tirar a própria vida. As causas de um ato tão triste podem ser muitas como, por exemplo, perturbações, problemas psicológicos como depressão, esquizofrenia, problemas com drogas e álcool e até mesmo atitudes impulsivas devido ao estresse e a problemas econômicos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a questão do suicídio é crítica e de saúde pública. Para se ter uma ideia, a estimativa é de que pelo menos 800 mil pessoas se suicidam a cada ano. Isso significa que a cada 40 segundos um ser humano tira a própria vida no planeta.

Atualmente, a exposição maior dos casos e uma discussão mais abrangente sobre o assunto tem feito muito gente achar que os números do suicídio estão em seu ápice. No entanto, os dados apresentados já chegaram a ser maiores, porém menos expostos. O que não quer dizer que o caminho da prevenção e a luta contra o suicídio ainda é muito longo, e em tempos de maior exposição é preciso estar atento aos diversos sinais que uma pessoa que tem pensamentos suicidas apresenta, por isso, se questione: Você já pensou nisso? Já pensou que pode salvar alguém?

ILUMINA O MUNDO

Nova música do Detonautas faz alerta contra o suicídio

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O cantor Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, é uma das figuras públicas do país que tem abraçado trabalhos realizados na prevenção contra o suicídio, tanto que o tema o inspirou em seu mais recente trabalho na banda. A música “Ilumina o Mundo”, recém-lançada e composta por ele em parceria com o rapper Pelé MilFlows, tem o objetivo de transmitir uma mensagem de esperança e servir de alerta para o número alarmante de suicídios no Brasil. No último mês, o cantor esteve nos estúdios da Rádio Nova Onda para junto com o Detonautas lançarem o novo single, oportunidade esta em que ele falou sobre o porquê resolveu abraçar o tema como uma causa. “A gente sabe que é uma epidemia que está sendo vivida no mundo todo e que esse assunto não está sendo debatido, sendo levado para pauta”.

Com isso, o cantor ressaltou que a maneira que eles encontraram de trazer à tona a questão da saúde emocional foi através da música. “Pegamos nossa visibilidade para poder trazer a questão da saúde emocional para o debate público, para que a sociedade possa encontrar de alguma forma soluções para as pessoas que estão passando por problemas mentais”.

Tico ainda enfatizou que ninguém está livre de ter uma doença que leve ao caminho do suicídio. “Não é um caminho que tem efetivamente uma razão clara de acontecer. Pode acontecer comigo e com você”. Por essa razão, o vocalista da banda defende que a sociedade deve ter conhecimento dos respaldos existentes em casos de necessidade como CVV, no número 188, e o atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) que oferece psiquiatras e psicólogos. “Se a pessoa não tem dinheiro para pagar um tratamento isso deve ser pedido ao Estado porque isso é um dever do Estado”, ressaltou.

O cantor confidenciou que nunca tinha vivido uma experiência próxima de suicídio, até que um dia ele atendeu uma ligação. “Um conhecido meu me ligou no dia em que eu estava gravando essa música, ele estava fora do Brasil e passando por uma situação financeira muito difícil, tanto que ele achou que, talvez, pudesse encontrar solução tirando a própria vida. Ele falou comigo por cerca de duas horas e isso mostra que às vezes tudo o que a pessoa precisa é ser ouvida”.

multi tico santa cruz banda detonautasNeste dia, Tico disse que resolveu puxar a música para o tema de suicídio. “Eu não acredito em coincidência, mas achei que era um sinal que deveria abordar esse assunto”.

O cantor finalizou dizendo que as pessoas devem procurar por ajuda, seja médica ou espiritual, nunca ignorando que uma situação difícil que afeta as emoções pode acabar de forma trágica caso seja ignorada. “Às vezes as pessoas não encontraram ajuda próximo por medo do julgamento”.

EM ALERTA

Psicóloga orienta para os sinais que costumam ser dados

 A psicóloga Flávia Lima Morgon atende pacientes que prezam por estabilidade e pelo bem-estar da saúde emocional, mas, infelizmente, ainda há certo receio quando o assunto é terapia. A profissional informou mais alguns dados específicos sobre o suicídio que, segunda ela, é uma questão que está introduzida em todas as classes sociais. No entanto, pesquisas mostram que em países de baixa renda os números são mais altos. “A maioria das ocorrências acontecem em Zonas Rurais e Agrícolas”, pontua. Isso mostra que o suicídio não escolhe ao certo uma vítima, mas acaba sendo mais letal àqueles que têm uma condição social mais vulnerável. Com relação à idade das pessoas que mais se matam no mundo, a profissional informou que dados da OMS apontam um maior número de casos entre os homens, principalmente os que têm de 15 a 29 anos. “Pessoas com algum transtorno psiquiátrico como depressão e que fazem uso de álcool ou drogas também são mais suscetíveis ao suicídio”, ressalta Flávia.

O perfil do suicida é um ponto que deve ser levado em conta por todos, incluindo as pessoas mais próximas como familiares e amigos. Entretanto, a psicóloga enfatiza que é preciso estar em alerta a muitos outros sinais. “Quem pensa em tirar a vida pode falar sobre o desejo de morrer, falar sobre desesperança ou sobre não ter propósito para viver, se isolar e demonstrar tristeza profunda”, explica Flávia que lembra que os sentimentos dos outros nunca devem ser desvalorizados. “Devemos sempre acolher e observar as queixas até mesmo para ajudá-las”.

multi flavia piscologaAlém disso, a psicóloga relata que é muito importante compreender que muitos casos de suicídio também ocorrem de forma impulsiva, ou seja, em momentos de crise, na qual a sensação de impotência para enfrentar conflitos e problemas da vida predomina na pessoa. Após identificar ou perceber algum risco de suicídio é necessário buscar ajuda psicológica e médica. “É fundamental para que essa pessoa possa ser tratada de forma adequada. É importante também que essa pessoa possa estar sempre acompanhada, nunca sozinha, pois o risco de atentar algo contra si é maior”, orienta a psicóloga que ainda explica que cada caso requer um tipo de tratamento específico, sendo que no caso de um dependente químico, por exemplo, deve-se também a dependência. “Assim o paciente terá uma maior eficácia do tratamento”.

Flávia finaliza destacando que no Brasil as pessoas também podem buscar auxílio no CVV (Centro de Valorização da Vida) que realiza apoio emocional e de prevenção ao suicídio. O telefone é o 188 com serviço gratuito que funciona 24 horas. Quem liga no CVV pode conversar e aliviar as dores pelo telefone, e-mail ou chat. O serviço garante sigilo total em seu atendimento.

 

 

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