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Samu: Após xingamentos comissão definirá futuro de médico

O bate-boca entre o médico e um popular repercutiu nacionalmente nesta semana

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Uma comissão formada por profissionais da área da saúde tem 30 dias para analisar a conduta do médico Ricardo Franco, do Samu da Baixa Mogiana. Ele protagonizou um bate-boca com palavras de baixo calão com um popular que tinha ligado para pedir uma ambulância a uma vítima de acidente de trânsito. O acidente ocorreu na região central de Mogi Mirim.

A conduta do médico será analisada por uma banca do Consórcio Intermunicipal de Saúde ‘8 de Abril’, órgão mantenedor do Samu. Somente após essa investigação interna a banca decidirá se haverá punição ou não, e que pode ir desde uma advertência até uma demissão. Até lá, ele permanece afastado das suas funções de médico regulador. O prazo para a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar pode ser prorrogado.

O médico está afastado de suas funções desde a tarde de segunda-feira (2). Na gravação que vazou pelas redes sociais e repercutiu nacionalmente, o popular se irrita com as perguntas feitas pelo médico e o interrompe pedindo uma ambulância. Momento em que o médico passa a ofendê-lo.

Samu_2Embora a equipe do Samu seja contratada e subordinada ao Consórcio Intermunicipal de Saúde ‘8 de Abril’, são as Prefeituras da região que complementam as verbas federais para a manutenção do serviço em cada município. Em nota, o prefeito de Mogi Mirim, Carlos Nelson Bueno, diz que a atitude do médico é inaceitável e precisa ser repreendida. “Para mim é caso de demissão sumária diante da gravidade dos fatos, mas temos que seguir o que determina a lei e a sindicância foi aberta. Esse não é o tipo de comportamento que pode ser aceito em nenhum lugar, muito menos durante um atendimento feito por telefone, no qual vidas estão em jogo”, disse o chefe do Executivo.

O prefeito ainda determinou o acompanhamento do caso pela secretária de Saúde, Rose Silva, e determinou o reparo imediato das ambulâncias que atendem a cidade pelo Samu.

 

Lamentável

O coordenador do Samu, Wagner Tadeu Cezaroni, entende que a população não tem o preparo para fazer uma solicitação de socorro, mas que o médico tem e deveria ter agido de outra maneira. “Era só falar que a ambulância estava indo. Ficamos perplexos porque somos qualificados e o que ocorreu não foi condizente com os treinamentos. Pedimos perdão à população porque essa não é nossa forma de trabalhar”.

Samu_1O Samu da Baixa Mogiana é composto por cerca de 100 profissionais entre condutores socorristas, enfermeiros e médicos. A segunda-feira, como comentou Cezaroni, é um dia atípico, geralmente com mais chamados. Mas ao analisar os eventos do dia, disse que não ocorreu nada de incomum na rotina do médico que pudesse explicar a alteração.

“Ele assumiu que errou e que perdeu a paciência, e que vai responder pelo que tiver que responder”, contou Cezaroni após ter dito que conversou com o médico. Sobre o perfil do médico, Cezaroni apenas comentou que ele tem 10 anos de carreira e há cinco está no Samu, tanto na Regulação (atendimento do Disque 192) quanto nas ambulâncias de suporte avançado (com UTI).

Cezaroni deixou claro que após a discussão não houve omissão de socorro e que o médico enviou a ambulância com UTI que chegou ao local em três minutos e que o estado da vítima era considerado leve. No momento da ocorrência, somente a ambulância com UTI estava disponível. As outras duas ambulâncias básicas estão em manutenção. A Gazeta tentou falar com o médico, mas ele não atendeu as chamadas feitas.

PROCEDIMENTO

Por que tantas perguntas?

O coordenador do Samu, Wagner Tadeu Cezaroni, explica que o médico do Disque 192 atende os chamados de quatro municípios (Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Estiva e Itapira) e que precisa fazer as perguntas para determinar o atendimento a ser dado. As perguntas fazem parte de um protocolo padrão nacional e não tem como não ser feito, segundo explicou o coordenador.

Wagner chegou a pedir desculpas à população
Wagner chegou a pedir desculpas à população

Quem primeiro atende a ligação é um telefonista. Ele precisa saber endereço, ponto de referência e se o solicitante sabe o que aconteceu com a vítima – acidente, mal súbito, ou problemas de saúde. Em seguida passa a ligação para o médico que fica na Base do Disque 192. “Ele nessa hora passa a fazer um telemedicina, como o atendimento no consultório médico. Ele precisa saber se a pessoa está acordada, consciente, se tem algum problema de saúde, se toma remédio, se há sangramento visível. Para daí levantar um diagnóstico e avaliar o recurso a ser enviado”.

O recurso pode ser, como exemplificou Cezaroni, a indicação de um medicamento ou pelo rádio operador o envio da ambulância. Caso as ambulâncias do Samu estejam empenhadas, esse médico vai acionar ajuda do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil ou das ambulâncias sanitárias da Prefeitura que ficam nos prontos-socorros.

“Pedimos para as pessoas terem calma para tentar passar os detalhes para o médico para que ele possa enviar ajuda de maneira correta”, pediu o coordenador à população.

Para o próximo mês, a coordenação programou um evento em Mogi Mirim para explicar como é o trabalho do órgão. O ‘Samu na Praça’ tem por objetivo aproximar a população da equipe com orientação para prevenção de acidentes e em quais situações o Samu deve ser chamado.

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