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Rio Mogi Guaçu alavancou o desenvolvimento da cidade

Legaspe se lembra das histórias do Rio Mogi Guaçu

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Mojiguassu, na escrita original em tupi-guarani, significa grande rio da cobra, nome atribuído por conta das inúmeras curvas que faz desde a nascente em Bom Repouso (MG), na Serra da Mantiqueira, até desaguar na Bacia do Rio Pardo, na divisa dos municípios de Pontal, Pitangueiras e Morro Aguo. O traçado lembra o movimento das serpentes: o serpentear. E não é um exagero afirmar que o rio traçou o desenvolvimento da cidade em algumas ocasiões, primeiro pela fartura de peixes e, depois, pela descoberta do taguá, que deu origem às olarias e cerâmicas e, posteriormente, devido à instalação de indústrias multinacionais.

Por isso, falar do desenvolvimento econômico de Mogi Guaçu e não citar o rio é impossível, conforme muito bem pontua o historiador Augusto César Bueno Legaspe. É ele que, mais uma vez, ajuda a Gazeta a levar ao leitor um pouco da história da cidade atrelada à existência do rio. A ligação dele com a população, passando pelo uso como opção de lazer à importância enquanto subsistência até chegar a ser fator definitivo para vinda de empresas. E, claro, para o abastecimento de água.

Legaspe
Legaspe

Legaspe se recorda do tempo que as águas do Rio Mogi Guaçu faziam a alegria dos meninos que se divertiam nadando na antiga ilha, localizada logo abaixo da atual ponte de ferro da Avenida dos Trabalhadores. Para chegar até a ilha, Augusto conta que contavam com a ajuda de pescadores. “Naquela época, a manteiga era uma raridade, e a gente levava um pão com manteiga e pedia para fazer a travessia de barco até à ilha. Ia uma turminha e ficava lá nadando”, conta pontuando que cada um dos moleques sabia muito bem até aonde poderia ir.

A ilha não tinha o mesmo formato atual. Era mais ampla, segundo Augusto. “O interessante é que não tinha acidentes, nem tragédia, todos respeitavam os limites. E os pecadores vinham nos buscar ao primeiro sinal de chuva”, pontua. A molecada olhava para o céu limpo e duvidava da previsão do pescador. Com o passar de tantas idas ao rio, Augusto aprendeu com os pescadores a observar a água. “Quando as ondinhas da água estavam na direção contrária da correnteza, era sinal de chuva”, recorda sobre os ensinamentos.  

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Antigo cocho e trampolim

Se neste ponto do rio, o local era de lazer para a molecada, havia outro espaço destinado às famílias, enfim pessoas de todas as idades. E ficava onde, atualmente, está a Praça Cândido Rondon, o Jardim Velho. Ali, comenta Legaspe, nada mais era que um campo com algumas árvores que servia de espaço para a montagem dos circos, mas também para os piqueniques e passeios das famílias. Havia um trampolim para os mais aventureiros nadarem naquele ponto do rio. “Para quem não sabia nadar foi feito uma pequena estrutura de madeiras, avançando um pouco sobre o rio, permitindo que muitos ficassem se refrescando”, comenta atentando que era o local preferido de mulheres e crianças. Isto porque, tinha até um cercadinho para garantir que ninguém caísse no rio.

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