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Reinventar a Política II: Ao ex-prefeito Carlos Nelson Bueno

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Artigo

 Estimado senhor ex-prefeito das duas Mogis, Carlos Nelson Bueno, minha saudação de paz e bem. Desculpe-me por eu lhe escreverpublicamente. Não é por falta de assunto que eu lhe escrevo, mas é pelo amor que nutro pela nossa cidade. Talvez, o senhor não me conheça, mas não sou tão estranho. Um dos meus tios, Olímpio Ligabue, foi vereador quando o senhor era o nosso jovem prefeito e acredito que o senhor provou um peixe delicioso no restaurante “Recreio Primavera”, na cachoeira de cima, pois bem, o restaurante era do meu bisavô Antenor Cardoso de Faria. Eu jamais me esqueço daquela memorável eleição dos anos 2000, quando o senhordisputava a Prefeitura. Vou lhe confessar um segredo: eu adorava pegar os bonés laranjas com o seu número estampado e cortá-los para fazê-los de solidéu, aquele chapeuzinho que os bispos usam. Coisa de criança que queria ser padre. Mas vamos ao que interessa.

Bem, como boa parte dos guaçuanos eu também aguardava sua resposta em relação ao seu futuro político. Acreditava que, nutrindo aquela santa vaidade que todos possuímos, o senhor encerraria sua carreira política nas terras vermelhas do Rio Grande das Cobras. Entretanto, sua entrevista para esse conceituado jornal, anunciando que não disputará a próxima eleição, abalouo já movediço terreno da política local.

Para alguns a notícia de sua desistência de sentar-se no quarto andar do prédio redondo causou uma decepção e tristeza, logopara outros, foi um alívio e uma esperança. É verdade que na política nem tudo o que é hoje continuará sendo amanhã, pois como lembrou frei Betto, “a política é a arte de fazer acordos”, mas fica valendo, por hora, a sua posição de manter-se fora da disputa municipal.

Eu sempre ouvi dizer, estimado ex-prefeito, que os mais velhos conseguem atingir a sabedoria pelo acúmulo da experiência. Já o rei Salomão nos ensinava que diante do dinheiro e da virtude da sabedoria, devemos escolher essa última, pois, através dela poderemos fazer o bem para o povo.  Publiquei, assim que li sua entrevista em minha rede social, que o senhor parece ter atingido essa sabedoria, pois lançou-nos uma verdade que tentamos esconder da luz do sol: “Hoje não vejo um candidato em Mogi Guaçu em quem eu possa investir”.

É senhor Carlos Nelson, infelizmente, essa é a nossa realidade. Aqui, talvez, cabe um mea-culpa dos senhores que há quatro décadas governam nossa cidade, pois não prepararam a minha geração para que assumíssemos o papel de gestores públicos. Alguns lobos aproveitando o vácuo geracional e o desinteresse pela vida pública, cumpremesse papel, pois na política se dela não participamos porque não gostamos somos governados por aqueles que possuem um estranho amor de servirem-se dos bens públicos. Eu imagino que se algum eleitor morto nos anos setenta ressuscitasse hoje, teria a sensação que estamos na mesma década, pois, em termos políticos nada, ou quase nada, mudou.  E essa triste sina de vocacionados a mesmice parece nos perseguir: “Hoje não vejo um candidato em Mogi Guaçu em quem eu possa investir”.

Como jovem, eu aprendi a me interessar pela política municipal, estadual e federal. Nos últimos pleitos, nós subimos em palanques opostos, pois, o senhor manteve-se fiel ao grão tucanato paulista, enquanto eu optei por consciência ideológica em votar no PT. Aí está a beleza de uma democracia que muitos querem suprimi-la. Eu acredito naquela boa política, que transforma os sonhos em realidade, e cumpre o seu papel de melhorar a vida do povo. Portanto, é lamentável que em nossa cidade não emergiu novos líderes capazes de sentir a dor do povo e lutar por sua transformação.

É claro que temos bons nomes que estão por aí, talvez no anonimato, mas que poderiam continuar o legado que vocês deixaram de uma forma criativa e inovadora. A nossa missão, então, seria descobrir esses “jardineiros adormecidos” para que exerçam a vocação de políticos novos no grande jardim de nossa cidade.

O espaço por aqui é curto e o assunto é longo, sendo assim, vou parando e recordando o que nos ensinou o filósofo: “Tudo é político, ainda que o político não seja tudo”. Faço votos de um mirífico futuro, mas por hora, convido o senhor para recordar as palavras do salmista: “Junto às águas da Babilônia nos assentamos e choramos, lembrando-nos de Sião”. “Hoje não vejo um candidato em Mogi Guaçu em quem eu possa investir”, mas, ex-prefeito, passado o choro e a saudade de Sião, o tempo nos cobrará respostas. É hora de agirmos. É vida que segue. Forte abraço.

 

Leandro Roberto Longo é licenciado em Ciências Sociais pela PUCC e comerciante em Mogi Guaçu

 

 

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