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Progresso: a força do comércio guaçuano

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Os olhos azuis não escondem a saudades que ele tem dos tempos em que o Centro da cidade era um grande ponto de encontro das famílias e da juventude de Mogi Guaçu. “São tantas histórias. Tantas amizades”. A trajetória percorrida pelo comerciante Odair Toso se mistura ao avanço de Mogi Guaçu. Numa época em que a cidade era tida como a Capital Cerâmica, Odair já apostava no comércio guaçuano. Primeiro foi funcionário na lanchonete Droguaçu, em 1956. Aprendeu a cozinhar e conheceu de perto todos os segredos da boa culinária. Nessa época, a lanchonete funcionava na Rua Antônio Gonçalves Teixeira (onde atualmente está uma loja de calçados) e já matinha clientes fiéis. Enquanto Odair ia dando os primeiros passos na profissão, a multinacional Champion Papel e Celulose começava a se instalar na cidade. “Praticamente todos os dias, estrangeiros que estavam acompanhando as obras vinham na Droguaçu. O principal pedido que eles faziam era Gin Tônica e Campari. Era regra, não podia faltar. Lembro que Mogi Guaçu deu um salto com a chegada da Champion. Foi um divisor de águas”.

Odair
Odair

Com várias fotos em mãos, Odair recorda cada momento vivido na lanchonete Droguaçu e não titubeia ao confirmar o quanto o Centro da cidade era agitado e muito frequentado naquela época. “Toda sexta-feira tinha jantar dançante. As pessoas vinham de Campinas para cá. Esse jantar era tão famoso e atraía tanta gente que movimentava até os salões de beleza. As mulheres iam arrumar os cabelos e fazer maquiagem”, recorda. “O Centro de Mogi Guaçu só parava de madrugada. Hoje é muito triste ver aquela região deserta. Naquela época, não era assim. O Centro tinha vida, tinha movimento, era muito bem frequentado”.

E para quem está se perguntando sobre os riscos de se trabalhar até tarde num comércio, Odair tem a resposta na ponta de língua. “Tinha muita segurança. Nunca fui assaltado em nenhum comércio que tive. Foram 61 anos trabalhando e administrando lanchonetes, pizzaria e restaurante e nunca sofri assaltos. Mogi Guaçu era uma cidade organizada”, avaliou o comerciante que é casado com Salete e pai de quatro filhos: Alexandre, Andréia, Amanda e Aline.

CRESCIMENTO

Região central viveu dias de glória

multi odair toso bar droguacu Após 14 anos trabalhando como funcionário, Odair decidiu que era o momento de ser patrão e assumiu a lanchonete do Clube Sete. E ele considera este momento como o auge do seu trabalho, entre as décadas de 70 e 80. “Nessa ocasião eu ganhei muito dinheiro. Trabalhei muito, mas também tive um bom lucro”, contou. E o motivo para tão boa recordação, mais uma vez, é justificada pelo avanço no desenvolvimento de Mogi Guaçu. A Cerâmica Chiarelli, por exemplo, estava no auge e a lanchonete de seo Odair fornecia os lanches para os funcionários. Era uma média de 100 lanches por noite acompanhados de um refrigerante de maçã. Ao mesmo tempo em que mantinha a lanchonete no Clube Sete, Odair também administrava o “Sanducha” que teve sucesso garantido durante a construção do Banespa (onde atualmente está o Santander). “Lá tinham mais ou menos umas 97 pessoas trabalhando na construção e todas comiam os lanches que eram feitos no Sanducha”, recorda Odair. Também foi no Sanducha que surgiu o “Filé Champion”. O lanche foi batizado pelos próprios diretores da Champion que, à época, eram assíduos frequentadores do local.

Diante destas recordações fica clara a relação que o comércio de Mogi Guaçu tinha com todas as empresas que se instalavam na cidade. Construções, chegada de agências bancárias, de multinacionais, tudo contribuía para o fortalecimento do comércio, principalmente o alimentício.

Uma das poucas dificuldades que Odair enfrentou ao longo de tantas décadas de trabalho foi a famigerada enchente que assolou Mogi Guaçu, em 1970. “Tive um prejuízo muito grande. Fiquei uma semana com as portas da lanchonete fechada. A energia elétrica foi desligada e perdi todos os produtos que precisavam de refrigeração: frios, sorvetes e até os freezers. No dia em que reabrimos a lanchonete no Clube Sete, vendi uns 700 pastéis, porque era o único produto que eu consegui vender de imediato. Aquela enchente judiou demais”, pontuou o comerciante.

multi odair toso

Carismático e sempre próximo de seus clientes, Odair presenciou várias discussões e bate bocas entre políticos da cidade e até de jornalistas daquela época. É que seus comércios sempre foram pontos de encontro dos políticos após o expediente nas repartições públicas. “Eles iam conversar, discutir os assuntos da cidade e, algumas vezes, brigavam também (risos)”.

Estes fatos foram mais comuns na Pizzaria do Odair, que funcionava na Rua José de Paula. Sim, ele também teve pizzaria e até hoje é parado nas ruas por quem teve o prazer de saborear as diversas pizzas que ele servia. Antes de se aposentar, Odair ainda teve sua lanchonete funcionando no Jardim Velho (onde atualmente está o SubWay) e depois próximo ao antigo supermercado Lavapés. “Mogi Guaçu é uma cidade que merece tudo de bom”, finalizou Odair no auge de seus 78 anos.

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