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Presas buscam apoio na Pastoral Carcerária

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“Descer da cruz os crucificados”. É com essa frase que o padre Benedito Maurício Mendonça, da Paróquia Santa Teresinha e coordenador da Pastoral Carcerária na cidade, definiu o trabalho realizado por 20 agentes pastorais às 870 presas da penitenciária feminina de Mogi Guaçu, inaugurada há três meses.

Não é preciso saber qual o crime que as levaram para trás das grades, o foco é o ser humano que precisa ser resgatado. Com essa missão, todos os sábados o padre e os agentes passam duas horas com as detentas em uma celebração dentro dos pavilhões, quando compartilham o Evangelho, músicas de louvores e relatos das dores e alegrias junto com as cartas dos familiares que elas receberam na semana. “O objetivo, além do alimento espiritual, é realizar o trabalho social”, comentou o padre.

A penitenciária está dividida em quatro pavilhões, além da ala das presas que amamentam seus bebês e o pavilhão do regime semiaberto. Cada sábado, a visita é dividida entre dois pavilhões.

A Pastoral Carcerária – da Igreja Católica – foi a primeira religião a entrar na penitenciária no dia 4 de julho. “Foi um momento especial”, contou o padre. Tudo era novo. As novas celas para elas e o trabalho para o vigário e seus fiéis. “Fizeram uma festa. Foi a maior alegria porque era a primeira visita que elas estavam recebendo, antes mesmo das famílias”.

Atualmente, outros grupos religiosos também visitam as presas. O vigário disse que a cada visita ele encontra uma detenta diferente. “O gostoso é perceber a receptividade. Elas acolhem bem e têm muito respeito pelo nosso trabalho”.

Padre Benedito Pastoral Carcerária

Experiência

Embora nenhum dos integrantes da Pastoral Carcerária tenha experiência com o trabalho em prisões, houve um treinamento com a Pastoral de Campinas. “Três de nossos agentes já tiveram parentes no cárcere e quando foi avisado da formação desta Pastoral se dispuseram de coração. Têm outros que perderam parentes em situação de crime e como superaram o fato também estão nos ajudando”, observou o padre.

A cada dois meses os agentes voluntários participam de cursos de formação e capacitação. Talvez, por isso, os membros da Pastoral Carcerária de Mogi Guaçu não temem rebeliões. Os formadores são de outras cidades e como nunca presenciaram atos de violência tranquilizaram os guaçuanos. “Nesse sentido vamos despreocupados. Elas são tranquilas e reconhecem o trabalho que fazemos. Não é o monstro que se pinta”.

Doações

Apesar de o Governo Estadual ser o responsável pelas presas do sistema, os itens de higiene pessoal e de cuidados com bebês não são suficientes para o mês. Essa foi a constatação feita pelo padre Benedito. Nas visitas, ele leva doações. Na penitenciária há grávidas e 16 bebês.

A Pastoral Carcerária arrecada shampoos, talcos, sabonetes, fraldas, incluindo roupas, cobertores e carrinhos. Para as detentas de modo geral, são doados creme dental, absorventes, papeis higiênicos e sabonetes.

O padre ressalta que a maioria das mulheres é jovem, entre 19 e 25 anos, e de baixa condição social, o que, muitas vezes, impede que as famílias venham visitar e tragam os produtos. Padre Benedito constatou que, embora as detentas sejam da região de Mogi Guaçu, a pobreza torna a visitação mais difícil.

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