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Prefeita de Estiva acusa ex-prefeito e ex-diretor de desviarem R$ 75,6 mil

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A prefeita de Estiva Gerbi, Cláudia Botelho (PMDB), e o ex-prefeito Rafael Del Judice (DEM), protagonizam outro embate político, desta vez, sob acusação de desvio de dinheiro público. Na tarde desta quarta-feira (14), Cláudia concedeu entrevista coletiva à imprensa, em seu gabinete, na qual acusou o ex-prefeito Rafael e o ex-diretor de Saúde, Marcelo Zaquine de desviarem R$ 75,6 mil da área da Saúde para a conta bancária pessoal de Zaquine. De acordo com a prefeita, foram 42 cheques assinados pelo ex-prefeito Rafael Del Judice e outros dois cheques assinados pelo vice-prefeito Valdir Pazzini – em ocasiões nas quais exerceu o cargo de prefeito de Estiva Gerbi. Os cheque são de valores diferentes variando entre R$ 900 até R$ 2,5 mil. Todos foram emitidos entre os anos de 2009 e 2016, período da gestão do então prefeito Rafael. “A Prefeitura de Estiva Gerbi pediu a microfilmagem dos cheques junto às agências do Banco do Brasil e do Itaú. Os cheques eram nominais a várias pessoas e tinham endosso (atrás do cheque) e foram depositados na conta bancária pessoal do senhor Marcelo Zaquine”, contou a prefeita, que estava acompanhada pelo diretor Geral da Prefeitura, o advogado Arthur Augusto Campos Freire.

Durante a coletiva de imprensa, Cláudia Botelho apresentou algumas microfilmagens dos cheques e ressaltou que ainda é necessário identificar as pessoas que receberam estes pagamentos. “Sabemos que estas pessoas não são servidores municipais. Não pertencem à folha de pagamento da Estiva. O ex-gestor de saúde não pode depositar na conta bancária dele um cheque que trata de dinheiro que saiu da área da saúde. Isso é ilegal. Imoral. É crime”, enfatizou a prefeita.

denuncia prefeita claudia botelho

Cláudia Botelho apresentou denúncia contra o ex-prefeito Rafael Del Judice e contra o ex-diretor de Saúde ao Ministério Público, à Câmara Municipal  e à Procuradoria de Justiça de São Paulo. “Não temos como calcular o prejuízo que a saúde pública de Estiva sofreu com isso. Quantas pessoas ficaram sem remédios e até morreram por causa desse desvio de dinheiro. Não tem justificativa. É uma triste história que vamos ter que acompanhar o desfecho de perto”, lamentou a prefeita.

Ela adiantou que também irá pedir por meio de ação cautelar a quebra de sigilo bancário de todas as pessoas que receberam os cheques, a fim de saber quem são elas e como todo o processo ocorreu. “Os cheques não tinham nenhum processo administrativo aberto aqui, na Prefeitura. Nada justificativa essa atitude dos ex-gestores”, reforçou Cláudia, lembrando que Marcelo Zaquine também era gestor do Fundo Municipal de Saúde de Estiva Gerbi.

A Câmara Municipal estivense irá abrir uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para também apurar as razões que levaram esses 44 cheques serem depositados na conta pessoal do ex-diretor de Saúde. Após a instauração da CEI, a Câmara terá um prazo de até 90 dias para apresentar o relatório final com base nas apurações feitas pela Casa.

Este ano, o Departamento de Saúde de Estiva Gerbi tem orçamento estimado em R$ 8 milhões. “Os R$ 75,6 mil eram da saúde pública, que é a área mais melindrosa e sempre a que mais precisa de recursos financeiros”, pontuou Cláudia.

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Outro Lado

O ex-diretor de Saúde de Estiva Gerbi, Marcelo Zaquine, conversou com esta Gazeta por telefone e explicou que jamais cometeria uma ilegalidade contra a saúde pública do município. Ele reconheceu que os cheques foram depositados em sua conta bancária pessoal, mas explicou que era um reembolso pelos pagamentos que ele fazia aos médicos plantonistas com seu próprio dinheiro. “Eu pagava os médicos que aceitavam dar plantão em Estiva com o dinheiro do meu bolso. Muitas vezes, tirei dinheiro do meu consultório para pagar plantão de médico. Depois, eu reembolsava o valor”, explicou.

De acordo com Zaquine, a situação financeira de Estiva Gerbi sempre foi caótica e isso refletia na área da saúde. Sem dinheiro para pagar os plantões médicos, Estiva corria o risco de não tê-los nos plantões. “Nós tínhamos duas saídas: ou largava a cidade sem médicos plantonistas ou pagava os plantões deles com dinheiro vivo, porque nenhum médico queria receber em cheque, porque já sabia da má fama de Estiva. Os cheques voltavam sem fundos”, esclareceu reforçando que 80% dos plantões médicos eram avulsos, ou seja, não eram feitos pelos médicos concursados. “Estiva tinha apenas dois médicos concursados”, pontuou.

ex prefeito rafael deljudice esiva gerbi

O ex-prefeito de Estiva Gerbi, Rafael Del Judice, rebateu as acusações feitas por Cláudia Botelho alegando que ela já havia feito denúncia ao Ministério Público, no ano passado, também acusando ele e sua equipe de desviarem mais de R$ 2 milhões da saúde pública estivense. “Agora, ela está sendo pressionada a dar explicações à Promotoria e está usando dessa situação dos cheques. Posso afirmar que todos os cheques emitidos eram empenhados e depois, sim, eram pagos aos médicos plantonistas”, afirmou.

De acordo com Rafael, ainda no ano passado, por causa da denúncia feita pela atual prefeita, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo fez auditoria no Departamento de Saúde de Estiva e constatou que todos os pagamentos feitos aos médicos eram compatíveis com o número de plantões que foram dados na ocasião. “Tenho pareceres do Tribunal de Contas aprovando esses pagamentos. O que a atual prefeita quer é desviar o foco, já que ela concedeu um aumento abusivo e ilegal no valor do IPTU em Estiva”, finalizou Del Judice.

 

 

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