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Prédio da UPA: à espera de um milagre…

Pronto ele já está, mas funcionando é outra história; já são 1.461 dias que a expressão “não tem prazo” é a mais falada

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Na última quarta-feira (7) completou quatro anos que um vendaval destelhou e derrubou parte do prédio da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), no Jardim Santa Marta. De lá para cá, a reabertura da unidade se transformou numa verdadeira novela com vários capítulos e, pelo que parece, está bem longe do final. No dia em que o fechamento da UPA do Jardim Santa Marta completou quatro anos, a Gazeta foi até ao prédio da unidade, que é vigiado por guardas civis municipais. Quatro guardas se revezam para garantir a segurança do imóvel durante 24 horas, sete dias por semana.

Ao chegar ao local, a reportagem encontrou a porta de entrada aberta. O guarda civil estava no banheiro e, por isso, não pode impedir a entrada da reportagem no interior do prédio. A sala onde funcionaria a recepção é bem ampla e, hoje, acomoda apenas uma mesinha com uma cadeira, uma geladeira, uma televisão antiga e um microondas. Eletroeletrônicos que são utilizados pelos guardas civis que fazem suas refeições no local. A reportagem avançou mais uns passos e chegou numa outra parte do prédio onde estão várias salas, que provavelmente deverão ser usadas como consultórios e leitos. Num único corredor, por exemplo, há seis salas fechadas. Todo o prédio é muito amplo, está conservado e pronto para ser reaberto no que tange a reforma. Inclusive, o próprio telhado – que foi o pivô de todo esse imbróglio – está visivelmente reforçado. Ao sair do banheiro, o guarda civil, embora educado e receptivo, deu sinais claros de que estava incomodado com a presença da reportagem no interior do prédio e questionou incansavelmente e num tom amedrontado se a equipe havia feito fotos no interior da UPA. “Não, não fizemos fotos” (Deveríamos ter feito, mas não fizemos), o guarda civil comunicou à Central da Secretaria Municipal de Segurança – via telefone – que a imprensa estava no local. “É só para avisar que o carro da Gazeta está aqui, eles estão vendo o prédio, mas só estão fazendo fotos do lado externo”, avisou.

upaDo lado de fora, a conservação do prédio faz juz ao trabalho de vigilância que é feito pela Guarda Civil Municipal. Nenhuma parede pichada. Nenhum vidro quebrado. Nenhuma porta arrombada. Tudo sob controle. Inclusive, duas portas que ficam do lado de trás da UPA receberam reforço na segurança com a colocação de tapumes para tornar ainda mais difícil quaisquer tentativas de arrombamento. Embora não haja nenhum móvel ou equipamento de valor no interior do prédio, a depredação pode, sim, acontecer apenas para satisfazer atos irracionais de vandalismo. E enquanto a UPA do Jardim Santa Marta não volta a funcionar, a principal preocupação do Governo Municipal é justamente essa: evitar que o prédio seja alvo de vândalos e os estragos provocados tragam ainda mais transtornos para serem reparados.

SEM ORÇAMENTO

Reabertura custará mais de R$ 500 mil por mês

 A Gazeta entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde para saber detalhes sobre repasses de verbas federais para Mogi Guaçu que pudessem ajudar a Prefeitura a reabrir a UPA do Jardim Santa Marta. Até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi dada. Silêncio total do Ministério da Saúde.

Clara
Clara

Já a secretária municipal de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, foi taxativa: não há dinheiro suficiente para reabrir o atendimento médico na UPA do Jardim Santa Marta. Pelo menos, por enquanto. Mas quanto custa para o Governo Municipal o funcionamento desta UPA? Os valores exatos não foram informados, mas Clara Alice afirmou que são necessários aproximadamente R$ 500 mil a mais no orçamento da Secretaria Municipal de Saúde para conseguir viabilizar a reabertura da UPA, no Jardim Santa Marta. “Não temos esse dinheiro. O município não tem esse dinheiro. A única saída é conseguir que o Ministério da Saúde nos ofereça algum Programa do Governo Federal que repasse esse valor para Mogi Guaçu. E é por isso que estamos indo várias vezes a Brasília tentar conseguir alguma maneira desse dinheiro ser repassado para nosso município. Estive lá no fim do ano passado, mas está difícil”, contou Clara.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde gasta cerca de 32% do orçamento. Ou seja, mais do que o dobro do que a lei federal exige. E o motivo é simples. De acordo com Clara, todos os repasses feitos à Prefeitura pelo Governo Federal não sofreram nenhum reajuste. São os mesmo valores há 10 anos. “O preço dos medicamentos sofreram reajustes. O preço do combustível também subiu. O número de atendimentos aumentou. Mas o valor do repasse continua sendo o mesmo. Daí temos de gastar 32% do orçamento do município para investir na saúde pública. A Saúde é a Pasta que mais gasta. Precisamos – e muito – que o Governo Federal nos ajude”, reforçou a secretária. “Como vamos gastar mais de R$ 500 mil por mês para reabrir essa UPA com o orçamento do município estourando?”, completou.

Mas sabe-se que o Governo Federal, desde 2012, faz um repasse de quase R$ 800 mil para a Prefeitura investir na UPA. E esse dinheiro é realmente utilizado para este fim. Após o vendaval que destruiu parte da UPA no Jardim Santa Marta, a UPA foi transferida para o prédio do antigo PPA (Posto de Pronto Atendimento), no Jardim Novo II. Com isso, o PPA deixou de existir dando lugar ao atendimento oferecido pela UPA. Ou seja, por enquanto, dois leitos para o paciente permanecer em observação e atendimentos de urgência, inclusive encaminhados pelo Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).

upaQuando a UPA do Jardim Santa Marta for reaberta, o número de leitos para observação dos pacientes será ampliado para 10, os atendimentos de urgência prosseguirão sendo feitos e poderá ainda ter algumas especialidades médicas na Unidade. “E daí a UPA do Jardim Novo II também continuará funcionando. Teremos duas UPAs na cidade. Uma não irá parar de funcionar porque a outra reabriu”, esclareceu a secretária.

Clara garantiu que todos os móveis e equipamentos necessários para a reabertura da UPA já estão comprados e guardados no almoxarifado da Prefeitura. “Já está tudo certo. O que precisamos é de mais dinheiro para pagar todos os custos que a UPA do Jardim Santa Marta vai nos trazer”, concluiu.

Vale ressaltar que o orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, neste ano, gira em torno de R$ 85,4 milhões.

PRÉDIO ORIGINAL

Quatro anos do destelhamento

 upaA UPA do Jardim Santa Marta foi inaugurada em junho de 2012 pelo então prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho (PHS). Cerca de um ano e meio depois, um temporal de aproximadamente 20 minutos destruiu parte do telhado da Unidade de Pronto Atendimento. O temporal começou por volta de 21 horas do dia 7 de fevereiro de 2014 – uma sexta-feira – e a cobertura de estrutura  metálica da UPA foi arrancada. Segundo a Prefeitura, parte do forro de PVC da maioria das salas também não resistiu e as instalações elétricas e hidráulicas foram danificadas. Na ocasião, agentes da Defesa Civil, unidades da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar estiveram no local. O Corpo de Bombeiros também enviou unidades de resgate e combate a incêndio e providenciou o fechamento de tubos de oxigênio. O fornecimento de gás e a caixa d’água também foram fechados.

No momento do temporal, cinco pacientes estavam na UPA, mas ninguém ficou ferido. À época, todos foram transferidos para o PPA (Posto de Pronto Atendimento), que funcionava no Jardim Novo II. Vale lembrar que a UPA tinha cerca de 70 funcionários que, na ocasião, foram realocados em outros setores. O custo mensal da unidade era de aproximadamente R$ 400 mil por mês. A UPA do Jardim Santa Marta realizava entre 200 e 250 atendimentos por dia e a maioria dos procedimentos cirúrgicos era de baixa e média complexidade.

Desde junho de 2012, o prefeito Walter Caveanha (PTB) já admitia que não havia prazo para a reabertura do prédio da UPA e que dependeria de repasses de verbas dos Governos Federal ou Estadual. Na ocasião, a Prefeitura chegou a pedir uma perícia estrutural para avaliar se a construção do prédio havia sido feita em condições adequadas.

UpaEm 2014, surgiu o Movimento UPA Já!, que pedia a reativação da Unidade de Pronto Atendimento. Os integrantes chegaram a comparecer na Câmara Municipal, a fim de pressionarem os vereadores para que ajudassem a cobrar o Governo Municipal. O Movimento UPA Já! Também chegou a fazer vários protestos pacíficos em desfiles cívicos, na frente do prédio da unidade e também na Câmara Municipal. No entanto, há pouco mais de um ano, o Movimento UPA Já! Perdeu força e, praticamente, sumiu.

Também vale lembrar que alguns vereadores também buscam ajuda de seus deputados federais e estaduais para reativar a UPA do Jardim Santa Marta, mas, por enquanto, o que conseguiram foram apenas promessas.

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