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Por mais meninas no campo de futebol

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Se tivesse sido pai de um menino, talvez Sandro Magalhães, 44 anos, não tivesse tido um filho tão habilidoso com a bola nos pés como a pequena Isabel Magalhães, 8. A filha caçula do jogador amador joga como meia-direita e reina absoluta entre os meninos na Escola de Futebol do São Paulo Futebol Clube, em Mogi Mirim, onde treina há seis meses.

Mas o pai gostaria que a menina tivesse mais companheiras no campo, apesar de ela própria e do time inteiro não fazerem a menor diferença disto.

Convivendo neste cenário de treinos com a filha, Sandro já se deparou com pais de meninas que levam os filhos homens para o futebol, mas resistem em fazer o mesmo com as filhas. E isto ocorre mesmo quando as meninas manifestam o desejo de também jogar como os irmãos.

PAI DE MENINAS

Sandro quer que homens driblem o preconceito

Incentivar os pais de meninas para que superem barreiras e preconceitos e matriculem as filhas para treinar futebol. Esta é a proposta de Sandro Magalhães ao procurar a Gazeta para comentar desta dificuldade que as meninas têm de entrarem em campo para treinar. “Muitos talentos podem estar escondidos porque os pais ainda não concordam em colocar as meninas para jogar”, analisa.

Sandro e a filha Isabel curtem juntos a paixão pelo futebol
Sandro e a filha Isabel curtem juntos a paixão pelo futebol

Jogador amador, Sandro confessa que o futebol sempre fez parte de sua rotina e que a filha sempre presenciou este envolvimento com o esporte, o que certamente foi uma motivação extra. Apesar de o talento da pequena, segundo o pai coruja, ter sido observado nos primeiros contatos com a bola nos pés. “Ela é ótima e não sou apenas eu quem fala”, comenta.

Em seis meses de treino, o talento de Isabel é reconhecido pelos colegas de treino e todos a querem no time. A única menina da turma que reúne a garotada de 8 e 9 anos é muito querida e tem seu talento reconhecido. Foi esta facilidade da filha com a bola que encantou Sandro e o levou a matriculá-la na escola de futebol. Isto porque, o futebol ficava restrito às brincadeiras no campinho do bairro onde mora, no Jardim Ypê I.

Sandro brinca que teve uma barreira a superar: ser corinthiano e ter matriculado a filha na Escola de Futebol do São Paulo. “Este é o espírito esportivo. A Isabel está melhorando a cada treino. É uma evolução em todos os aspectos”, pontua. A pequena tem três medalhas, sendo duas delas conquistadas neste ano na Copa São Paulo, em Poços de Caldas (MG), e no campeonato da escola onde treina. “Ela foi a única menina”, reforça Sandro. E ela ainda disputará a Copa Mandi, novamente.

Para o jogador amador, conhecido no meio como Brinquinho, ver a filha realizar o desejo de jogar e de fazer o que gosta não tem preço. Tanto que não titubeia ao afirmar que se Isabel quiser seguir carreira, ele vende os bens materiais para que ela prossiga. “É o sonho que não consegui”, pontua.

Sandro atua como goleiro. Já foi campeão em 2013, vice-campeão em 2014 e o goleiro menos vazado também em 2014. Este ano, ele disputa o Cinquentão pelo Progresso, o Quarentão pelo Comercial e também joga no Ypê Pinheiro (1ª Divisão). E, claro, acompanha a filha em todas as aulas na escola de futebol.

multi futebol feminino

BOA DE BOLA

Neymar e Marta são os ídolos de Isabel

Tímida e de pouca conversa, Isabel Magalhães responde de pronto quais são seus ídolos no futebol: Neymar e Marta. A pequena cursa o 3º ano do ensino fundamental, na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Cleonice Cruz Kilburn Thiele”. E, claro, assim como o pai também é torcedora do Corinthians.

multi futebol femininoOutra resposta que tem na ponta da língua é o que mais gosta de fazer: jogar futebol. É assim, no campinho de futebol do bairro que Isabel passa parte do dia quando não está na escola, na catequese ou no treino da escola de futebol. E no bairro não é diferente. Ela também é a única menina que integra o time.

Isabel só não gosta muito de ficar acompanhando as partidas de futebol pela TV. Gosta mesmo é de estar no campo. Apesar de saber a escalação todinha de alguns times, como do Barcelona, por exemplo.  

A garota diz que pretende, sim, seguir carreira. Portanto, o pai já pode começar a planejar os próximos passos da filha no esporte que está deixando de ser dominado pelos homens.

APOIO

Henrique Rosa destaca falta de investimentos no futebol feminino

A falta de incentivo ao futebol feminino foi destacada pelo diretor da Escola de Futebol do São Paulo Futebol Clube, em Mogi Mirim, Edson Henrique Rosa. “É um esporte coletivo como qualquer outro. Nós vemos o futebol como ferramenta educativa e que contribui com a formação das crianças e jovens. É uma transformação em vários aspectos, seja pela socialização, seja pelo desenvolvimento motor”, pontua.

Para Henrique, a procura do esporte por meninas ainda é pequena, o que atribui à falta de motivação seja por parte da iniciativa privada ou pública. “As escolas poderiam ter campeonatos voltados para as meninas. Tenho certeza de que iriam se surpreender”, comenta, salientando que Mogi Mirim tem time adulto feminino que foi campeão da Copa Rio Pardense.

Henrique diz que quer formar grupos femininos para o futebol
Henrique diz que quer formar grupos femininos para o futebol

Nas demais categorias, a escola de futebol ainda não conseguiu compor um time, mas há outras meninas, além de Isabel, que treinam com os meninos. No entanto, Henrique pontua que formar grupos femininos é uma meta. Porém, ele sinaliza que não se pode atribuir a falta de meninas nos campos apenas ao preconceito, mas também a esta falta de apoio e de incentivo ao futebol feminino no país. “É mais cômodo falar de preconceito, enquanto há muitas outras situações que levam a isto”, analisa.

Sobre a aluna que quer ser profissional, o professor garante que não falta talento e ela já mostrou que de fato gosta muito do esporte. “Tem muito a conquistar”, frisa Henrique destacando ainda este apoio dado pela família da garota.

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