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Políticas Públicas: CF busca lançar novo olhar sobre tema

Igreja vai cobrar postura ética dos que governam e estimular participação da população nas políticas públicas

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“Fraternidade e Políticas Públicas” é o tema da CF (Campanha da Fraternidade) 2019 lançada na Quarta-feira de Cinzas (6) pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Acompanhado do lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”, o tema busca lançar um novo olhar sobre as políticas públicas visando estimular a participação da comunidade.

O padre João Paulo Ferreira Ielo, pároco da Matriz de Imaculada Conceição, Centro, observa que trata-se de um tema delicado por um conjunto de fatores, sendo um deles a cobrança da postura ética dos governantes e ainda respeito às políticas públicas já determinadas, além de participação efetiva da comunidade nesta seara.

“A mensagem que o Papa mandou no início da Campanha da Fraternidade fala exatamente disto. Não podemos nos ausentar da política. Não precisamos participar da política partidária, mas precisamos acompanhar as políticas públicas. São elas que se referem a respeito àqueles que mais precisam destes benefícios: saúde, educação, transporte e acessibilidade”, justifica o religioso.

O texto-base da CF, segundo João Paulo, chama a atenção para o fato de que falar de políticas públicas não é falar de política ou de eleições, mas significa se referir a um conjunto de ações a serem implantadas pelos gestores públicos, com vistas a promover o bem comum, na perspectiva dos mais pobres da sociedade. “Então, vamos falar de política? Não! Vamos incentivar a participação porque, na verdade, o que acontece é um vácuo nessa ação política. Durante muito tempo dissemos que os políticos são maus e desonestos. Na verdade, a pouca participação deixou meia dúzia de gente mais esperta controlando”, argumenta.

Para o padre, a CF acontece neste momento oportuno da Quaresma, que é a caminhada para a Páscoa, porque o tema convida a examinar bem o que está acontecendo porque falta acesso dos que mais necessitam à execução destas políticas públicas. “Talvez moremos em uma cidade em que os problemas podem ser nomeados e chegar aos responsáveis. Então, teoricamente, temos clareza, mas, no geral, quanto tempo demora a fazer um exame médico?”, diz.

 padre joao paulo igreja matriz imaculada conceicao

POLÍTICA

Padre João Paulo destaca que a CF não quer jogar gasolina na fogueira, não quer fazer guerra de uns contra os outros, mas que participemos. “Aqueles que têm de organizar as políticas públicas saibam responder àqueles que dependem destas políticas públicas”, acrescenta. Por isso, o texto base da CF também fala da diferença da política de Governo e de Estado. Com isto, pontua o religioso, é preciso atentar que aqueles devem realizar as políticas públicas não fazem favor para a população. “Nós somos os que dão empregos ao político, temos que acompanhá-los para que façam o melhor, porque trabalham para população”, analisa.

 

CONVERSÃO

“O Papa dizia na missa de abertura da Quaresma que é preciso aproveitar este tempo para que passemos das cinzas do sofrimento do pecado, da maldade, das mortes e da violência para o fogo ardente do amor do Cristo ressuscitado. Isto é uma transformação. O tempo de Quaresma nos faz convertermo-nos para que nós também façamos a conversão e a vida nova a acontecer na sociedade”, pontua João Paulo.

O tema da CF será levado de forma prática às comunidades católicas, através dos grupos que se reunirão para conversar destas politicas públicas. E, além disso, analisar que às vezes muitas coisas não funcionam porque as pessoas se distanciam e não buscam saber como essa politica pública funciona. “Às vezes sofremos da síndrome de Poncio Pilatos, lavamos as mãos. Ou seja, eu votei e o cara que está lá tem que fazer. Eu votei, mas tenho que acompanhar em clima de diálogo franco e amigo. Não basta esperar que o outro faça. Eu também tenho que fazer a minha parte”, sentencia o padre.

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