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Pesquisa aponta tendência para menos vagas na cidade

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Crise = Desemprego. Infelizmente, para muitos brasileiros, o resultado dessa equação passou a fazer parte da vida. Olhando os dados referentes à Mogi Guaçu a balança entre admissão e demissão parece estar equilibrada – de janeiro a julho foram 49,61% de desligamentos e 50,39% de contratações. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e o município aparecia em 6º lugar no ranking, em junho, e caiu para 14º, em julho. Foram registradas 2.194 admissões contra 1.962 demissões.

No PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) aumentou o número de pedidos para receber o seguro-desemprego e, ao mesmo tempo, a procura por vagas de trabalho.

Outra constatação do coordenador do PAT, Octavio Pessine Júnior, é quanto à oferta de emprego – elas diminuíram em todos os setores. Inclusive na prestação de serviços e terceirizações, que ajudam na recolocação de muitos candidatos. “Isso é reflexo do sistema econômico em que o país vive no momento”.

Pessine Júnior diz que aumentou o número de pedidos para o seguro-desemprego
Pessine Júnior diz que aumentou o número de pedidos para o seguro-desemprego

Pessine disse que faz contatos com empresas e está atento às novas instalações anunciadas para Mogi Guaçu tanto na indústria quanto no comércio. A expectativa é ajudar os candidatos a se qualificarem. Ele comentou que percebeu que o trabalhador tem procurado cursos para ter mais chances, uma vez que, cada vez mais, as empresas buscam por isso.

Uma realidade triste é que a oferta de emprego, na maioria das vezes, é destinada para homens, porém, quem mais bate à porta são as mulheres. “E aí é uma conta que não fecha, infelizmente”, comentou o coordenador do PAT.

Na hora de preencher o cadastro é preciso estar com todos os documentos pessoais em mãos e relatar mais detalhadamente possível as experiências profissionais que exerceu, mesmo aquelas sem registro na carteira profissional. “São sete páginas e se não forem completas não irá aparecer oportunidade de emprego, porque, no fim, o sistema nos dá um perfil do candidato que vamos encaminhar para a seleção”, comentou Pessine.

Neste ano, o PAT ofereceu, gratuitamente, durante dois meses, dois cursos de capacitação profissional. A formatura foi há cerca de 20 dias para panificação e açougueiro. Até o próximo mês de dezembro pode ser que o município seja contemplado com mais um curso. O participante recebe uma bolsa de R$300, além do lanche e do material de estudos. Segundo Pessine, alguns dos desempregados que já participaram da capacitação profissional foram encaminhados para entrevista.

O coordenador do PAT pontua que também já entregou para o Governo do Estado o Plano de Trabalho da Comissão Municipal de Emprego para 2016. Com informações repassadas por sindicatos, associações, Secretaria Municipal de Promoção Social e até por vereadores. Com base nisso foram elencados cursos com maiores demandas de qualificação em Mogi Guaçu. Sendo esta, uma das maneiras de ajudar quem está desempregado. Alguns dos cursos solicitados são para auxiliar administrativo, auxiliar de produção, tratorista, eletricista instalador residencial, cuidador de idoso, telemarketing, vendas interna e externa. O Governo do Estado é quem decidirá qual curso será encaminhado para Mogi Guaçu, conforme a vocação do município.

 

 

Sindicato Metalúrgicos Benedito
Benedito diz que até Sindicato sofre com a crise

 

 INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Demissões também estão crescentes no setor

 Dados da pesquisa ainda informam que o setor industrial também foi afetado. O Sindicato dos Metalúrgicos confirmou que as empresas em geral, grandes ou pequenas, continuam demitindo.“Algumas, inclusive, fechando. Todas estão com dificuldades e aquelas que mais sofrem são as pequenas”, disse o tesoureiro Nelson da Silva Pessanha.Um exemplo citado é a Presermec, que decretou falência e está pagando a rescisão dos funcionários em juízo.As empresas pequenas que estão demitindo, segundo o sindicalista, chegam a dispensar de 4 a 5 funcionários e não conseguem acertar as verbas rescisórias, atrasam para liberar documentos para o saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) ou para o funcionário dar entrada no seguro-desemprego. “Isso quando o funcionário não é surpreendido com a informação de que a empresa não vinha depositando o FGTS. Pagam tudo parcelado em juízo”, lembrou o presidente da entidade, Benedito da Silva.

Do outro lado, têm as empresas que pagam todos os direitos, como é o caso da Siti, que chegou a demitir 40% de seu quadro de funcionários. Um dos problemas apontado pelos sindicalistas é que muitas empresas tinham linhas de crédito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e por causa dos problemas do Governo Federal foram prejudicadas.

A multinacional Mahle, por exemplo, demitiu 237 funcionários entre junho e julho. No total, desde janeiro, foram 670 demissões. No entanto, o sindicato ainda não sabe informar se neste mesmo período algumas vagas foram ocupadas novamente. “Hoje, a Mahle está com 3.600 funcionários ativos, mas é uma multinacional que já teve 5 mil”, pontuou o diretor Ivan César de Morais.

Para o presidente da entidade, o trabalhador sofre duas vezes – ao ser demitido e ao ter que esperar para receber os direitos trabalhistas apenaspor meio de ação judicial. Silva e os demais membros da diretoria afirmam que, com isso, o metalúrgico está ‘se virando’ como pode para ganhar dinheiro. “Trabalham por conta, vão para a área da construção civil, procuram outra alternativa”, diz Benedito.

Os sindicalistas também frisaram que a entidade tem sofrido com a crise. Isso porque, sem empregos, as desfiliações de sócios aumentam e a contribuição sindical cai. “Acaba sendo um efeito dominó, porque afeta o comércio e o desemprego aumenta até a violência”, disseram ao analisar que a crise é mais na área política do que financeira.

Para Tica Arruda, crise no comércio é reflexo de demissões nas indústrias
Para Tica Arruda, crise no comércio é reflexo de demissões nas indústrias

No comércio

“Não está fácil. Parece que a crise gira rápido. Não sabemos como será o dia seguinte. Não sabemos o que fazer para melhorar as vendas. E não é só em Mogi Guaçu, vejo isso também em outras cidades e Estados”, observou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Benedito Toso Arruda, o Tica.

Ele acredita que o Governo Federal quer arrumar a casa, mas que o momento é difícil, complicado. “O comércio vai tocando como pode, até na minha empresa não é mais como antes. Estamos na luta”, lamentou.

Para Tica, a dificuldade do comércio éreflexo da crise na indústria. “Os encargos sobem. Veja a Taxa Selic. Dá arrepios. Quero acreditar que vai melhorar. Vêm eleições municipais por aí, têm as Olimpíadas e isso pode ajudar. Vamos torcer para que melhore”.

Dados Estaduais

 Em São Paulo:

Foram perdidos 52.286 empregos celetistas, em junho, e 38.109 em julho.

Retração de 0,30% em relação ao mês anterior

Um resultado da queda dos empregos nos setores:

  • Indústria de Transformação (-23.039),
  • Serviços (-14.771),
  • Comércio (-6.175)
  • Construção Civil (-5.079).

O saldo superou a expansão do emprego na Agropecuária (+11.984), resultado conseguido em grande parte pelo cultivo da laranja.

Nos últimos 12 meses, verificou-se queda de 2,19% no nível de emprego ou -283.804 postos de trabalho.

 

Em outras Capitais:

 Taxa de desocupação é maior desde 2009, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou recentemente, a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), realizada em seis regiões metropolitanas: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

  • Ataxa de desocupação/desemprego em julho (7,5%) ficou 0,6 ponto percentual acima de junho (6,9%) e subiu 2,6 pontos percentuais em relação a julho do ano passado (4,9%). Essa foi a taxa de desocupação mais elevada para um mês de julho, desde 2009 (8,0%).
  • Apopulação que procura emprego (1,8 milhão de pessoas) cresceu 9,4% (mais 158 mil pessoas) em comparação com junho e subiu 56,0% (mais 662 mil pessoas em busca de trabalho) em relação a julho de 2014.
  • O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,3 milhões) recuou 1,5% na comparação mensal e caiu 3,1% (menos 359 mil pessoas com carteira assinada) no ano.
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