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Papel de carta: coleção era mania nos anos 80 e 90

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Sem internet e muito menos celular ou outros eletrônicos como tablet e computador, colecionar papéis de carta era o passatempo das crianças nas décadas de 80 e 90. A mania se restringia às meninas que não desgrudavam das suas pastas catálogo (aquelas com plásticos). Quanto maior fosse o volume da pasta, maior era a “ostentação”. Ou seja, quanto mais, melhor!

As coleções não se limitavam às compras dos papéis. As meninas investiam mesmo nas trocas. Para isso, a informação de quem tinha “aquele” papel “daquela” coleção corria solta entre as colecionadoras. E pronto! A turminha se reunia e seguia para a casa da garotada para negociar a troca.

E haja habilidade para tal negociação. Muitas vezes, para conseguir o tão sonhado papel de carta era preciso dar duas ou três unidades em troca. E isso implicava em reduzir a coleção, o que era a decisão mais difícil na infância das colecionadoras.

Mas onde foram parar tais pastas e estas colecionadoras? Ah! A Gazeta localizou duas amigas que guardam suas pastas como relíquias do tipo: não dou, não vendo e não empresto! E elas comentaram sobre as memórias que a coleção traz a cada uma delas.

COLECIONADORAS

Amigas têm mais de 450 papéis de cartas

Se estivéssemos na década de 80, Maria Augusta Moreira da Costa Munhoz estaria causando inveja nas amigas com a pasta de papéis de carta que soma 333 unidades. São 210 papéis de carta a mais do que a amiga Josiane de Fátima Braganholli que tem 123 unidades. “Ah! Maria Augusta, você está humilhando”, brincou, aos risos, a amiga Josiane. As pastas remetem as amigas a várias recordações da infância e são guardadas como relíquias.

Maria Augusta
Maria Augusta

Mas elas confessam que são muitos os sentimentos que as pastas afloram ao olharem cada página. Os papéis de carta são capazes de fazer com que lembrem até mesmo das idas às escondidas à loja localizada na região central, aonde havia papéis de cartas belíssimos. “Pegava a bicicleta e falava que eu iria à loja do bairro, mas descia a Rua Chico de Paula. Se contasse para minha mãe, ela não deixaria”, recorda Maria Augusta, hoje com 42 anos e formada em Administração de Empresas.

Cada papel de carta colocado na pasta representava uma conquista. Afinal, por trás dele havia ida às lojas, às casas de amigas ou conhecidas para as trocas e “aquele” tempo de espera para os pais liberarem um dinheirinho. “Ostentação, naquela época, era ter um bloco de papel de carta, assim dava para trocar sem ter que tirar nenhum da pasta. Mas eram poucas as meninas que podiam ter um bloco”, comenta Josiane de Fátima Braganholli, aos 39 anos, que é Psicopedagoga.

Colecionar papéis de carta era o principal passatempo destas amigas, assim como da maioria das crianças do final dos anos 80 e início dos anos 90. Maria Augusta e Josiane estimam ter entre 10 e 12 anos quando faziam coleção. A pasta catálogo praticamente fazia parte do material escolar. E as meninas mal conseguiam segurar a ansiedade para chegar a hora do intervalo para verem uma as pastas das outras. E, é claro, fazerem as trocas. Havia até economia de dinheiro para poder comprar os papéis de carta. “Ah! Eu deixava de comprar o lanche”, entrega Maria Augusta. Josiane lembra que ficava muito tempo “paquerando” um papel de carta na loja e torcendo para que não fossem todas as unidades vendidas. “Era muito tempo para conquistar”, comenta.

Joseane
Joseane

NOVINHOS EM FOLHA

Escrever nos papéis de carta era algo totalmente fora de cogitação. Quanto mais intactos estivessem mais valiosos eram. Nada de marcas de amassados ou dobras, pedacinhos faltando (por menor que fossem) ou sujeira. Havia o maior cuidado para colocá-los nas pastas. E o saquinho plástico da pasta quanto mais resistente melhor. Era garantia de papel bem conservado. Maria Augusta que o diga, assim como a amiga gosta de tudo impecável. E chegou ao ponto de ter duas pastas divididas da seguinte forma: papéis mais bonitos e os menos bonitos. Na verdade era uma estratégia para não trocar os papéis que mais gostava. Com isto, a pasta com os mais belos era guardada a sete chaves. E a outra seguia com Maria Augusta para a caça às novas unidades da coleção. “Eu só trocava os que estavam na pasta dos mais feios”, diverte-se.

RELAÇÕES PESSOAIS

Trocas possibilitavam novas amizades e driblar a inibição

Sem aplicativos de troca de mensagens ou e-mails, a forma mais rápida de comunicação na década de 80 ainda era o telefone fixo! Que concorria de perto com a informação boca-a-boca. Assim, quando sabiam que determinada menina tinha o papel de carta da coleção tão desejada, a meninada tentava conseguir o número do telefone e, consequentemente, o endereço. Era o que bastava para se aventurarem para outros bairros e fazerem as trocas dos papéis.

multi papel cartaPara Josiane, descobrir quem tinha determinado papel e depois fazer a troca possibilitava fazer novas amizades, pois extrapolava os muros da escola e a rodinha de amigas do bairro. “Era muito importante neste quesito de relacionamento pessoal. Não tinha esse imediatismo da internet. E, como a gente queria muito a determinado papel, a gente era motivado a conquistar. Vencia até a inibição”, analisa.

Maria Augusta assina embaixo a colocação da amiga e ainda acrescenta: as crianças estão deixando a infância muito cedo. “Na idade em que estávamos colecionando papéis de carta, as meninas de hoje já estão namorando”, pontua. Observando os filhos Vitor, 8, e Tomas, 2, ela relata ainda que as crianças brincam um pouco e logo enjoam do brinquedo.

A pequena Alícia, 7, por exemplo, não se interessou pela coleção de papéis de carta da mãe Josiane. A menina viu, achou bonito e ponto. Josiane gostaria que ela fizesse alguma coleção para ter tais recordações da infância, assim como as memórias vêm à mente quando olha os papéis de carta. Mas, sabe que a concorrência com a internet e os eletrônicos não favorece. “Tem uma boneca que lançaram e é destinada a coleção, chama Low. Cada unidade custa R$ 100. Ela tem quatro, mas é diferente a forma de ver a coleção”, conclui.

O filho mais velho de Maria Augusta gosta de desenhar e tem o hábito de guardar os desenhos. Ela torce para que comece a ser o início de uma coleção, assim ele poderá comparar a evolução dos desenhos, as fases em que foram criados e o que retratavam em cada uma das etapas. Mas, também será uma forma diferente de colecionar, pois será de criações pessoais. “Como a época dos papéis de carta vai ser difícil que exista outra igual”, prevê Maria Augusta.

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