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Palhaço Adriano: Familiares pedem a prisão do agressor

O delegado responsável pelo caso aguarda a chegada dos laudos para concluir inquérito que investiga a morte de Adriano Silva

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“Eu espero que o laudo saia logo e que a polícia prenda ele. Que ele responda pelo que fez e não pode ficar impune. Porque se mostrou uma pessoa desequilibrada, pode fazer com outro. Na rua ele não pode ficar”, desabafou Rosa Maria da Silva, irmã do palhaço Adriano Ribeiro da Silva, que morreu após ser agredido em uma briga no trânsito.

Ela disse que a mãe está com a saúde debilitada e aguarda ela se restabelecer para procurar um advogado e pedir o que considera ser Justiça no caso do irmão.

Rosa pretende nos próximos dias apresentar na delegacia, para perícia, os pinos usados pelo irmão para fazer malabarismo. Segundo ela, o agressor, identificado como o motorista João Clodoaldo Guidini, disse ter sido atingido pelo palhaço na cabeça com os pinos. Ela inclusive levou os pinos no velório e disse ter feito questão de passar de mão em mão para provar que não seria suficiente para provocar lesão, por serem de material plástico. “Você aperta o pino e ele afunda e o que levou meu irmão a morte foi um pino que atingiu o carro. Meu irmão morreu por causa de um estrago no carro? Ele (o agressor) é réu primário, mas matou uma pessoa, se fosse meu irmão ele estaria preso. Meu irmão foi julgado como um ‘Zé Ninguém”, concluiu Rosa.

288_Palhaço Atropelado CentroA irmã da vítima voltou a ressaltar que o irmão não era bandido. A afirmação foi feita após comentários nas redes sociais. Ela rebateu dizendo que ele permaneceu preso certa vez pelo não pagamento de pensão alimentícia. Ele deixou três filhos. Mas segundo consta também do inquérito há no prontuário dele a relação de cometimento de crimes patrimoniais.

O palhaço Adriano Silva morreu na UTI da Santa Casa na noite de terça-feira (15) e foi sepultado em Itapira, onde a família reside. A morte se deu em virtude da agressão sofrida no dia 8 e seu corpo foi levado para exame necroscópico junto ao IML (Instituto Médico Legal).

Ele residia e Mogi Guaçu há cerca de quatro meses e trabalhava vendendo água e salgados no Terminal do Parque dos Ingás, em circos pela região e nas horas vagas fazia malabarismo no semáforo.

 

A briga

Antes da morte, a irmã do animador de rua disse que ele apresentava trauma de crânio, hemorragia cerebral e aneurisma e não reagia ao tratamento evoluindo para a morte cerebral. A lesão na cabeça foi provocada após ele se envolver em uma briga de trânsito. Ele foi agredido enquanto animava os transeuntes e motoristas que trafegavam pelo cruzamento da Rua 13 de Maio, próximo à agência do Santander.

O autor da agressão, João Clodoaldo Guidini, contou que ao passar pelo animador de rua este bateu com o pino de boliche de plástico na porta de seu veículo Toyota/Etios, cor preta.

Guidini disse que estacionou o veículo, que ficou com um risco, e foi até o malabarista chamar sua atenção. E que o mesmo foi em sua direção com o pino e teria tentado agredi-lo, momento em que o animador teria derrubado o objeto no chão.

Enquanto o malabarista abaixa para pegar o instrumento, deu-lhe um chute no queixo. Com o golpe, Adriano, que estava vestido de palhaço, caiu para trás batendo a nuca na guia permanecendo estático.

A INVESTIGAÇÃO

Delegado aguarda laudos para concluir inquérito

Alessandro Morcillo
Alessandro Morcillo

 O delegado responsável pelo inquérito policial é Alessandro Serrano Morcillo e ele falou com a Gazeta sobre o caso. Ele disse que aguarda os laudos periciais para concluir a investigação e remeter ao Judiciário.

A tipicação do que ocorreu na tarde do último dia 8 é lesão corporal seguida de morte. “A luz do Código Penal o agente responde de acordo com o dolo ou vontade que tinha. Nesse caso, no meu juízo de valor, nessa etapa inicial policial do inquérito, eu entendo que é lesão corporal (e não homicídio)”.

Morcillo explica ao analisar a dinâmica como tudo ocorreu. ”A intenção não era matar, era lesionar. A intenção inicial dele foi dolosa no sentido de lesionar e ele não avaliou que a vítima podia cair, bater a cabeça e morrer. A vítima morreu e houve culpa quanto a morte é como chamamos de ‘crime preterdoloso’. O dolo foi no início e não prevendo o resultado mais grave foi culposo no fim. Tudo indica que não foi com a intenção de matar, mas, sim, de lesionar a vítima”, pontuou o delegado.

Ao comentar os comentários nas redes sociais de pedido de prisão ao agressor e da própria família da vítima, o delegado informou que além dessas questões jurídicas, o agressor prestou todos os esclarecimentos e que desde o início do fato foi à delegacia colaborando com a investigação. “Não há motivo para justificar a prisão”.

No Boletim de Ocorrência feito no dia da agressão, o motorista João Clodoaldo Guidini, 56 anos, não teria relatado a agressão na cabeça feita pelo palhaço. O delegado esclareceu que ouviu o depoimento de Guidini no dia seguinte e observou a lesão e pediu o exame no IML e que aguarda o laudo.

 

O outro lado

A Gazeta procurou ouvir a versão do motorista João Clodoaldo Guidini desde o dia da agressão. Mas familiares informaram que ele não vai se pronunciar por orientação do advogado.

Há uma semana, em entrevista ao portal de notícias G1, ele disse que tem recebido ameaças na cidade e que orava pela recuperação do palhaço. “Procurei uma viatura para reclamar, mas não vi nenhuma. Fui falar com o palhaço, e ele disse: ‘eu não tenho carro, o problema é seu’. Aí vi que tinha entrado numa fria. Resolvi sair e ele foi atrás. Dá para ver no vídeo. Ele me atingiu com o pino na cabeça, e eu reagi.. Nunca briguei na minha vida, nunca tinha dado um tapa em ninguém. Não esperava que fosse acontecer isso na minha vida. A família inteira está abalada.”

O motorista relatou também que membros da família deixaram as redes sociais após enxurrada de comentários e julgamentos. “Isso destrói a família. Tenho filhos, netos. Nem sei se eu deixo a cidade. Mas não vou fugir, não sou fugitivo”.

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