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Pai quer apuração após morte do filho

Criança morreu de aneurisma cerebral e família relata que USF não contava com médico no momento do socorro

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A família de Miguel Vinícius dos Santos, 8, que no último dia 19 morreu vítima de um aneurisma cerebral, está buscando respostas para saber se houve ou não falha no atendimento que a criança recebeu naquele dia na USF (Unidade de Saúde da Família) do bairro Chácaras Alvorada. O pai do menino, Alan Aparecido Ribeiro, explicou que vai esperar até o início da próxima semana para decidir se o caso será levado à Justiça. Isso porque, na segunda-feira (14), um requerimento que questiona o motivo da médica especializada em clínica geral não estar presente no local no momento em que Miguel chegou para ser atendido será reapresentado. Na última sessão, na segunda-feira (7), o requerimento não foi aprovado pelos vereadores que compõem a base de sustentação do prefeito Walter Caveanha (PTB) na Câmara.

Ribeiro explicou que não registrou um Boletim de Ocorrência da morte do filho porque precisa saber de fato se a médica da unidade deveria mesmo estar lá. Ele informou que, a princípio, o que se sabe é que a profissional estava ausente por conta de seu horário de almoço, já que Miguel chegou à unidade por volta das 12h45. “Disseram que a médica estava, mas em horário de almoço”, contou à Gazeta, mas ressaltou que nenhum funcionário da USF chegou a comentar que chamaria a profissional.

Miguel caiu após passar mal em casa, um sítio que fica a 9 km da Chácaras Alvorada. Desacordado, ele foi levado pelo pai a USF. Ribeiro enfatizou que o atendimento ao filho foi prestado por três técnicas de enfermagem, já que a médica estaria almoçando e a enfermeira-chefe também estava ausente. “As enfermeiras prestaram um ótimo atendimento ao Miguel, elas deram o melhor delas naquele momento e eu agradeço por isso”. No entanto, ele acredita que se a médica estivesse na unidade, o filho poderia ter sofrido menos. Isso porque, ele teve três paradas respiratórias.

Uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamada assim que o paciente deu entrada na USF, sendo que a equipe chegou ao endereço solicitado em 10 minutos. “O médico do Samu fez os procedimentos de ressuscitação nele e ele voltou”. Com isso, ele reafirmou que se a médica estivesse no posto, o filho poderia ter voltado antes. “Ele teria 10 minutos a mais, teria ajudado nas paradas que sofreu”.

Ribeiro ressaltou que a experiência de um médico é totalmente diferente das profissionais de enfermagem. “Elas também tentaram ressuscitar ele e não conseguiram, já o médico do Samu conseguiu”.

De acordo com o pai, Miguel era uma criança sem problemas de saúde, tanto que quando a família foi informada pela Santa Casa e também pela Unicamp, para onde ele foi transferido, sobre o aneurisma cerebral todos ficaram surpresos. Ribeiro confirmou que os laudos médicos apontaram que trata-se de um problema genético. Por essa razão, o irmão gêmeo de Miguel já está realizando uma série de exames preventivos, o que também acontecerá com os outros três filhos do casal.

Para finalizar, Ribeiro disse que não é intenção da família achar um culpado pela morte do filho, já que ele reconhece que o que aconteceu foi um caso grave de um aneurisma cerebral que “estourou”. O que a família mais quer é ter a certeza de que a USF do bairro em que eles moram tenha um médico 24 horas para atender a população não apenas da Chácaras Alvorada, mas também do Itaqui e do Jatobazeiro, principalmente porque a permanência do médico na unidade não é grande. “É muita gente para ficar desassistida, e se amanhã ou depois a gente precisar de novo, como fica?”, indagou Ribeiro.

FATALIDADE

Secretária nega falha em atendimento

Clara

A secretária municipal de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, informou à Gazeta que não houve negligência no caso da criança. Ao contrário, ela afirmou que a equipe que atendeu a ocorrência está de parabéns. “Houve comprometimento no atendimento”. Clara pontuou que enquanto Miguel era atendido, o Samu era chamado, sendo que a ambulância do atendimento de urgência chegou à unidade em 10 minutos. “Todo o atendimento está registrado, horário por horário, e ele foi atendido rapidamente, o que aconteceu foi uma fatalidade”.

Com relação à ausência da médica, a secretária informou que ela trabalha na unidade de segunda a sexta-feira com uma carga horária de 40 horas semanais, sendo que naquele momento ela estava em horário de almoço. “Ela só não estava naquela hora porque estava almoçando”. Clara ainda disse acreditar que nada poderia ter sido diferente se o menino tivesse sido atendido pela médica, já que se tratava de um diagnóstico muito grave.

Ainda sobre a profissional da USF, a secretária informou que pelo que sabe a médica é uma pessoa muito querida na região. “O que me falam é que a população gosta dela”.

Além da clínica geral, a unidade ainda tem um ginecologista e um pediatra.

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