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Padres falam sobre violência na Câmara Municipal

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Três horas de duração foi o tempo da sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (5). As presenças dos padres João Marcos Moreira e Carlos Eduardo Alves marcaram a sessão na qual falaram sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e Superação da Violência”.

Para o padre João Marcos, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Jardim Novo II, as políticas públicas precisam encontrar ferramentas para inibir a desigualdade social e proporcionar acesso aos bens sociais econômicos e, principalmente, à educação. “Este tempo que estamos tendo aqui, na Câmara, nesta noite, é muito valioso e importante para a sociedade. É um fato inédito do qual estamos participando. A sociedade precisa entender que estes 40 dias nos quais nos dedicamos a Campanha da Fraternidade não serão suficientes. Mas vão servir para despertar a consciência, chamar nossa atenção para continuar discutindo as questões sociais que nos afligem”, comentou.

De acordo com ele, não se pode deixar de estimular as comunidades e pastorais e todas as organizações que trabalham para a superação da violência. “A estrutura de injustiça é a principal causa da violência e para quebrar essa estrutura – que é muito forte – temos de nos esforçar bem mais. Não é fácil, mas é possível. As mudanças para controlar a violência em que vivemos será a longo prazo, mas temos de tentar e insistir. Até porque, essa violência não é apenas física”.

Padre João Marcos citou como exemplo a má situação financeira na qual está a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Guaçu. Ele disse que quando a pessoa, no momento da enfermidade, busca assistência médica digna e não encontra, o cidadão está sendo violentado no seu direito à saúde pública. “Sofremos todos os tipos de violência. Na educação, quando a criança deixa de estudar por causa de fatores externos, como uso de drogas, ela sofre essa violência e todos a sua volta também. A CNBB nos convida para percorrer os caminhos que nos leve a essa superação”, comentou.

sessao de camara padres marcos moreira e carlos

Em seguida, o padre Carlos Eduardo, da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, também fez uso da palavra abordando sobre o mesmo tema. Além de concordas com as explanações feitas pelo padre João Marcos, ele acrescentou que a sociedade precisa ficar atenta as soluções rápidas que prometem conter a violência, porque são – na verdade – solução ilusórias. Para ele, o caminho é mais longo e tem de começar no interior de cada pessoa. Ou seja, de dentro para fora. “Tratamos tudo de forma violenta. Os corações estão violentos. A violência brota no coração do homem e acontece fora dele. Basta analisarmos os comentários escritos em alguns posts nas redes sociais para vermos como o ódio e a raiva são manifestados facilmente pelas pessoas”, explicou padre Carlos Eduardo.

Ele ainda citou a passagem bíblica que trata da violência no episódio no qual Caim mata o irmão, Abel. Padre Carlos Eduardo disse que o outro não é mais visto como parte da nossa vida. “Deus disse para Caim: onde está o seu irmão? Essa palavra ‘irmão’ é essencial. Porque a violência não deve ser tratada apenas como um tema isolado sobre segurança pública. Mas, sim, como uma maneira de tornar os corações menos violentos. A superação da violência é muito mais abrangente e profunda. A intolerância religiosa é outro mau exemplo que precisa acabar. Não temos o direito de destruir um terreiro de umbanda apenas porque não professamos daquela mesma fé”, concluiu padre Carlos Eduardo.

sessao de camara

Os padres João Marcos e Carlos Eduardo foram convidados pelos vereadores Natalino Tony Silva (Rede Sustentabilidade) e Francisco Magela Inácio, o Chicão do Açougue (PSD), para comparecerem à sessão da Câmara Municipal a fim de falarem sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano.

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