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O artesanato está em alta

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Já faz tempo que o artesanato deixou de ser uma atividade encarada apenas como hobby ou profissão de elite para aqueles que tinham recursos para comprar material e trabalhar em seu próprio ritmo. Apesar de ainda hoje ser uma terapia indicada para o combate à depressão, o artesanato se tornou uma atividade profissional rentável para todas as classes sociais.

Prevendo o futuro promissor das artes, a comerciante Lilian Maria Müller Dias apostou e mudou o foco do seu comércio. Há cerca de 30 anos, ela foi deixando de vender roupas e passou a trabalhar com papelaria até que investiu pra valer e comprou uma loja de artesanato que estava fechando na cidade. “Naquela época, não tinha computador nem dicas como temos atualmente. A dona da loja foi comigo a São Paulo, me indicou onde fazer as compras e meu marido passou a me ajudar. Eu sempre gostei de artesanato, fazia bonecas durante minha gravidez”, conta Lilian que hoje vende produtos para artesãos e ainda oferece cursos nesta área.

Anos atrás, ela contratava professores da capital, mas agora os ex-alunos se especializaram e eles mesmos já dão aulas na loja. Uma das professoras é a própria filha de Lilian que praticamente cresceu ali dentro.

Lilian foi se especializando conforme percebia a necessidade dos clientes. Além disso, era preciso estimular ainda mais o dom de cada um. Por isso, há alguns anos, ela organiza excursões e leva guaçuanos até a Mega Artesanal, a maior feira de Artes e Artesanato da América Latina. E o interesse é tanto que de uma única van que ela locava, no primeiro ano, na semana passada foram necessários dois ônibus.

“Vamos ver os lançamentos. Sei que meus fornecedores estarão lá e logo receberei as novidades, mas quero ver em primeira mão”, brinca a comerciante.

A Mega Brasil Artesanal é realizada há 11 anos e os expositores apresentam uma variedade de insumos, máquinas, ferramentas e peças. “E com bons preços porque as pessoas precisam disso para ganhar dinheiro”, analisa Lilian sobre o mercado hoje acessível a todos os bolsos.

Ela ressalta que, atualmente, o artesanato é uma profissão, e não apenas hobby. “O artesanato sempre foi visto como uma terapia para a pessoa se desligar um pouco, relaxar. Agora, ele se intensificou mais como renda e todos que fazem algum curso e investem vendem bem. Tenho uma cliente que o marido deixou o emprego para ajudá-la com as entregas de patchwork”, conta a comerciante.

Lilian pontua que algumas das alunas dizem que médicos indicaram o artesanato como terapia. “Uma me disse que tinha conseguido parar com os remédios. Você se realiza quando vê que é capaz. Falta esse sentimento de capacidade nas pessoas e o artesanato as levanta. As pessoas deveriam conhecer e ver como é bom, não haveria tanta depressão”, argumenta Lilian.

A comerciante também se lembra de uma aluna de apenas sete anos de idade que incentivada pela mãe aprendeu várias técnicas artesanais. O que produz a garotinha vende aos colegas na escola e, assim, já sabe valorizar o dinheiro que ganha.

multi artesanato lilian mae e priscila filha

Ao lado mãe, Priscila transformou o artesanato em profissão

Priscila Müller Dias Vilas Boas desenvolveu o gosto pelo artesanato acompanhando o dia a dia da mãe Lilian. Priscila fez cursos em diversas áreas do artesanato e começou a dar aulas ainda na adolescência. Depois foi cursar odontologia e, embora ainda atue como dentista, a dedicação maior é como professora de Patchaplique; técnica de aplicação de tecido sobre desenhos e bordados em toalhas, colchas, camisetas e aventais. Priscila também participou da Mega Artesanal ministrando cursos dessa técnica aos visitantes. Entusiasta do mundo do artesanato, ela tem um quadro no programa televisivo Ateliê na TV, pela Rede Vida.

Ao lado da mãe, Priscila conta a novidade em papéis para os amantes de Scrapbooking. A técnica que está no auge, utiliza fotos, dobraduras, miçangas, rendas e muitos apliques na confecção do “Livro da Vida”. A novidade dessa técnica é usar gabaritos (moldes) de flores em papéis para a decoração do álbum.

“Eu indico para as grávidas, para elas mesmas fazerem o álbum da gravidez. Ou álbum de casamento, contando a história do casal desde o namoro. Você deixa de ver uma foto como uma simples foto para ver a história que ela conta. Você traz o sentimento daquele momento. É mais gostoso você contar a sua história do que pagar para alguém fazer”, enfatizam mãe e filha.

Entre as novidades da feira e com grande procura na loja estão as técnicas de fabricação artesanal de sabonetes, aromatizadores de ambiente e perfumes. “Estão sendo usados como lembrancinhas para o casamento ou para quando nasce o bebê. É possível montar um kit e presentear. É mais gostoso quando você diz: eu que fiz. Diminui o gasto e é bem gratificante”, observa Priscila.

O ‘bolo fake’ também virou febre. Priscila e Lilian foram juntas conferir as novidades em produtos como cortadores, massa de biscuit, EVA (espuma emborrachada sintética), tecidos e rendas. “Muitas mães compram o material a fim de fazer para o aniversário dos filhos e economizam, porque não gastam com o aluguel do ‘bolo fake’”, disseram.

Na pintura, o auge é o uso do Stencil, que é ideal para iniciantes e alunas que ainda não definiram o traçado e, por isso, têm dificuldades para desenhar. O Stencil ou molde vazado com figuras pode ser aplicado na madeira, em tela ou em tecido. “Quem tinha receio, agora faz. Muitas diziam: não tenho jeito para isso e ao começar se surpreendem como se tivessem duas mãos direitas. Basta querer”, reforçam.

Aluna se rende à delicadeza do patchaplique

O artesanato começou cedo na vida da dona de casa Lucila de Oliveira Alves. Foi no colégio de freiras, na Paraíba, onde desenvolveu algumas habilidades artísticas. “Tínhamos aula uma vez por semana. Mas, hoje em dia, as crianças só sabem usar o celular, deveriam ter mais aulas nas escolas, teríamos mais cultura”, analisa a aluna de patchaplique.

multi artesanato lilian proprietaria - lucila aluna e priscila professora

Uma vez por semana, ela vem da capital para Mogi Guaçu se especializar na técnica. Ela conta que há anos faz crochê, aplicações em roupas e chinelos, mas queria melhorar a técnica. Pediu, então, para as filhas entrarem em contato com a loja da Lilian, em Mogi Guaçu, que conheceu por meio da internet, e se matriculou no curso ministrado por Priscila e, há três anos, Lucila não perde uma novidade da Mega Artesanal, em São Paulo.

“Meu marido me trouxe a primeira vez aqui, em Mogi Guaçu, e há cinco meses eu venho sozinha de ônibus, toda quarta-feira. Tenho direito a passagem gratuita e saio de São Paulo às 5 horas e fico o dia todo aqui. Faço isso porque gosto de artesanato e é melhor do que ficar na frente da televisão. O artesanato para mim é um divertimento”.

multi artesanato lucila

 

 

 

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