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Nhoque Alla Romana

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Camila Maria*

O gnocchi (grafia original que significa ‘pedaços’ ou ‘pelotas’) é uma receita que se popularizou na Itália, mas parece ter nascido no Oriente Médio desde os tempos romanos e gregos e, certamente, foi o primeiro tipo de massa caseira. O espaguete, o ravióli, etc, são criações posteriores.
Para as antigas famílias italianas, principalmente ao norte do país e em períodos de guerra, faltava um ingrediente básico para a sua culinária que sobrava para os ricos: a farinha. Para conseguir dar de comer a todos, as mães utilizavam restos de pão ralado, um pouquinho de farinha e água para criar um prato que era chamado, até a Idade Média, de maccheroni. A massa era, então, modelada à mão e cozida em água salgada ou caldo de verduras e ossos de galinha. De tão delicioso o nhoque (como escrevemos em português) logo caiu nas graças de todos, ricos e pobres, e se popularizou por toda a Itália.
Atualmente, o nhoque possui variados sabores e ingredientes: com ovos, batata (entre os séculos 16 e 17), mandioca, mandioquinha, milho (meados do século 16), verduras, farinhas variadas, inclusive de castanhas e até versões doces.
Há uma lenda do século 4 que conta que São Pantaleão, numa noite de 29 de dezembro, perambulava maltrapilho por um vilarejo da Itália. Faminto, bateu à porta de uma casa. A família numerosa não tinha comida sobrando, mas, apesar disso, o patriarca fez questão de dividir o pouco que havia para o jantar, um pouco de nhoque, com o desconhecido. Ao dividi-lo com São Pantaleão, cada um da família ficou somente com sete pedacinhos de massa. São Pantaleão comeu, agradeceu a acolhida e se foi. Só quando recolhia os pratos da mesa é que o patriarca descobriu que, embaixo de cada um deles, havia várias moedas de ouro. Por isso, tradicionalmente, todo dia 29 é Dia do Nhoque da Fortuna. E o ritual cristão é o seguinte: primeiro, coloca-se dinheiro sob o prato. Depois, comem-se os primeiros sete pedacinhos de nhoque em pé, fazendo um pedido para cada um deles. Só, então, a família reunida se senta à mesa e come à vontade.

INGREDIENTES:

1 litro de leite integral
240g de semolina
4 gemas
100g de queijo parmesão ralado
130g de manteiga com sal
Sal (se precisar)
6 grão de pimenta-do-reino preta
2 folhas de louro
1 cebola
6 cravos
1 dente de alho descascado
Alguns ramos de tomilho
Salsinha e cebolinha a gosto

MODO DE PREPARO:

Descasque a cebola, corte-a no sentido do comprimento, ponha uma folha de louro em cada metade e prenda com os cravos.
Coloque parte das ervas, o alho e os grãos de pimenta num filtro de chá grande (ou amarre com um barbante fino). Reserve.
Pique as demais ervas, misture com a manteiga e o sal. Reserve.
Ferva o leite numa panela de tamanho médio, com a cebola e o sachê aromático. Tire do fogo e deixe em infusão por 15 minutos. Devolva o leite ao fogo e, quando ferver, despeje a semolina aos poucos, peneirando e mexendo. Deixe cozinhar, mexendo sempre. Quando estiver soltando bem do fundo da panela, tire do fogo e misture as gemas e o sal e mexa bem para misturar.
Espalhe a massa numa assadeira untada com manteiga, apertando para deixar com mais ou menos 1 cm de espessura. Depois que esfriar, corte com um molde de metal e ponha num refratário. Espalhe a manteiga de ervas sobre os nhoques, polvilhe o parmesão e asse por uns 10 minutos. Sirva em seguida.

*Camila Maria é formada em gastronomia, atua como chefe de cozinha e é ex-sócia-proprietária da Estação Chopp, em Mogi Guaçu.

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