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“Não quero mais. Desanimei”, admite Dr. Paulinho

Derrotado nas urnas em 2012, o ex-prefeito ensaiou seu retorno à disputa eleitoral, mas recuou da decisão

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Na quinta-feira (25), ele completou 59 anos e oficializou sua decisão: desistiu de ser candidato a prefeito de Mogi Guaçu nas eleições de 2020. O ex-prefeito e médico Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho (PHS), já havia adiantado à Gazeta sua intenção de ficar fora do páreo eleitoral, mas ainda estava indeciso e suas afirmações não eram tão enfáticas. Mas, nesta semana, ele resolveu admitir à imprensa que não será mais candidato nem a prefeito, nem a deputado ou qualquer outro cargo eletivo. E o motivo é simples: processos e mais processos que o acusam de improbidade administrativa e de enriquecimento ilícito. “A política chegou num ponto em que a Justiça não ouve mais as justificativas do político/réu. O processo cai na mesa do juiz, ele dá a sentença e raramente são feitas oitivas dos réus para saber o que realmente aconteceu. A gente corre o risco até de ser preso”, justificou Dr. Paulinho.

O ex-prefeito sempre esteve ciente de que a Justiça Eleitoral poderia considerá-lo inelegível e não conceder o registro de candidatura, caso ele seguisse com a intenção de ser candidato a prefeito. No entanto, Dr. Paulinho era taxativo ao afirmar que, mesmo assim, estava otimista que conseguiria, sim, ser candidato a prefeito e obter o registro de candidatura. “Já tinha consultado meus advogados e havia muitas brechas para isso. Talvez tivesse um pouco mais de trabalho para conseguir a liberação de minha candidatura, mas eu iria correr o risco, porque as minhas chances eram muito boas”, frisou.

ex prefeito paulo eduardo barrosPorém, a gota d’água para o ex-prefeito foi um processo no qual ele é acusado de improbidade administrativo por causa de uma máquina pertencente à Saama (Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente) que prestou serviços num terreno particular, localizado na Zona Rural de Mogi Guaçu. A denúncia foi feita ao Ministério Público, em 2012, pelo então vereador oposicionista, Salvador Franceli (PSL). Dr. Paulinho e o então secretário da Saama, Sebastião Francisco Teodoro, o Tiãozinho (PSDB), foram condenados. “Claro que vou recorrer à instância superior. Não foi por causa deste processo especificamente, mas o problema é que é mais um processo. Não fui sequer ouvido pela Justiça, neste caso. Simplesmente recebi a notícia da condenação e vou ter de recorrer”, lamentou o ex-prefeito.

Para ele, a política tornou-se arriscada e desanimadora. “Não quero mais. Vou deixar para quem gosta realmente disso tudo. Para mim, não dá mais. Não coloco minha assinatura em mais nenhum papel como prefeito. O grande o risco de perder o patrimônio que a gente construiu com tantos anos de trabalho. Sou médico respeitado na cidade, continuo trabalhando em meu consultório, gosto da medicina e devo a ela tudo o que tenho. Minha esposa também é médica. Não precisamos passar por todos estes riscos que a política traz”, concluiu Dr. Paulinho.

PHS OU PMDB

Ex-prefeito diz que não vai deixar a política

 Dr. Paulinho segue filiado ao PHS e não sabe se seguirá com seus planos de filiar-se ao PMDB de Mogi Guaçu. Isso porque, a princípio, a mudança de sigla era justamente para viabilizar a futura candidatura do ex-prefeito. “Agora, eu não sei. Vou até São Paulo conversar com a Executiva Estadual do PMDB e analisar com calma se permaneço ou não no PHS”, disse ele.

Zé Paulo
Zé Paulo

O presidente do PMDB de Mogi Guaçu, José Paulo Silva, informou que o partido segue com a formação de grupos em busca de pré-candidatos com viabilidade para elegerem-se vereador e prefeito nas eleições de 2020. Com a decisão de Dr. Paulinho, que seria uma das opções da sigla, Zé Paulo afirma que o partido seguirá estudando outros nomes para o cargo majoritário. “Dr. Paulinho era nossa primeira opção como pré-candidato a prefeito, mas como consequência dos processos que responde não poderemos contar com ele. Mas o PMDB segue com a formação de grupos e em busca de novas filiações, principalmente com a intenção de eleger vereadores para Câmara Municipal”, informou o presidente.  

Dr. Paulinho, no entanto, deixou claro que segue sendo um agente político e, portanto, não deixará de atuar na política local, inclusive, dando seu apoio aos futuros candidatos a prefeito. “Sim, claro. Posso participar de reuniões políticas, dar meu apoio, ajudar nas futuras campanhas eleitorais, mas não quero mais ser candidato. Não vou abandonar a política. Apenas estou deixando de concorrer, porque acho que se tornou um risco grande assumir cargos públicos nos dias de hoje”, avaliou.

O ex-prefeito já vinha desde o início do ano passado fazendo reuniões e orquestrando toda a estratégia para viabilizar sua pré-candidatura a prefeito. “Com isso, eu consegui reverter a impressão negativa que a população ficou de mim. Eu fui escrachado publicamente e acusado de ser ladrão, bandido, de ter roubado dinheiro público. E eu não fiz nada disso. Fui o prefeito que mais fez por Mogi Guaçu num único mandato. Meu governo resolveu os problemas das enchentes no Jardim Zaniboni. Meu governo melhorou o atendimento médico no Hospital Municipal. Valorizei demais os servidores municipais. Até o Terminal de Ônibus, no Parque dos Ingás, foi reformado. Eu sei que fui um bom prefeito e que fiz demais por essa cidade. Hoje, boa parte da população está reconhecendo isso, me dando crédito novamente e estão entendendo que fui vítima de uma disputa pelo poder. Mas, mesmo assim, estou fora desse jogo. Não compensa”, finalizou Dr. Paulinho.

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