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Naninhas: Unidas, amigas ajudam crianças com câncer

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Câncer. Uma palavra que não expressa apenas o diagnóstico de uma doença, mas também uma gama de sentimentos envolvidos. O que fazer para não se paralisar diante de um câncer? Foi esse pensamento que moveu a dona de casa Marisol Garcia Leme de Moura a mudar uma perspectiva triste em sua vida familiar.

No ano passado, a mãe de Marisol, Laura Inês Bueno Garcia, 77 anos, recebeu o diagnóstico de câncer. A doença não se manifestou no organismo, mas Marisol conta que precisava enfrentar esse ‘fantasma’. Decidiu trazer os pais de São Paulo para morar com ela em Mogi Guaçu e ficou pensando sobre como inserir a mãe em alguma atividade que desse prazer e a ajudasse a enfrentar o diagnóstico levando a vida de uma forma positiva. “Pensei em algum projeto social para envolvê-los e minha mãe acabou sendo a inspiração”, relembra Marisol.

multi projeto amigas do bemAo encontrar a amiga Joana D’Arc Maziero Savioli, Marisol contou sobre a ideia. Naquele fim de semana, Joana tinha retornado da casa de uma prima, em Santo André/SP, e comentou sobre as ‘naninhas’ que a prima estava fazendo. Elas souberam que as crianças ficam muito felizes com o presente e a boa recuperação de alguns pacientes é, até mesmo, atribuída à ‘naninha’.

As amigas, então, ficaram animadas para serem voluntárias do projeto e pensaram logo em compartilhar a ideia com as outras amigas do grupo de Estudo Bíblico.

MÁQUINAS

A iniciativa de cada uma resultou no início do projeto

 Mas como começar?

Marisol tinha uma máquina de costura antiga, com cerca de 70 anos. A amiga Cely Urbini Arenghi levou outra, do mesmo modelo. A filha de Marisol tinha uma máquina mais moderna, que borda. Pronto! Era tudo o que elas precisavam para dar início ao projeto. Depois foi só juntar as tesouras, alfinetes e criar os moldes das bonecas.

A troca de experiências tem sido tão motivadora que já têm aquelas amigas que não tinham habilidade manual e agora estão atuando em qualquer função da confecção solidária.

Marisol
Marisol

Maria Benedita Martins de Oliveira parou de trabalhar há três meses e Adra Tanus Chain aposentou-se há dois anos. As duas estão animadas ao ver como desenvolveram habilidades manuais, assim como a amiga Fátima do Carmo Rocha Biazotto. A professora Aglaé Cibele Ruiz e a consultora empresarial Mari Arruda ainda dividem o tempo do voluntariado com o trabalho. A comerciante Luciana Garcia estava presente pela primeira vez no grupo. Ela diz que já pensava em reduzir o tempo no trabalho para apenas meio período e quando recebeu o convite para integrar o grupo não hesitou e aceitou na hora. Para ela, é chegado o tempo de doar um pouco de si ao próximo.

FÉ E UNIÃO

Grupo se prepara para fazer primeira entrega das naninhas em Julho

 Elas são amigas há seis anos. E tudo começou quando decidiram tornar os encontros mais significativos. Juntas, passaram a estudar a Bíblia todas as quintas-feiras.

“Eu achava que não iria dar certo, que elas não iriam querer fazer as ‘naninhas’, mas – em poucos dias – eu já tinha R$ 700 em doações para comprar o material e começarmos a trabalhar”, conta Marisol, com empolgação.

Após contatos e uma visita ao Centro Infantil Boldrini, em Campinas, elas, então, pegaram firme. Criaram o Projeto “Amigas do Bem” e passaram a costurar todas as segundas-feiras, à tarde, e fecharam o mês de março com 100 naninhas costuradas. Ah! E tem outro detalhe. Os maridos também passaram a ajudá-las no ‘turno da noite’, como elas mesmas brincam. “Eles também aprenderam a costurar, cortar e montar as ‘naninhas’ ao lado das esposas”, contam.

multi projeto amigas do bem

Com isso, as amigas ficaram ainda mais unidas e os casais também. “Não adianta a gente só estudar a Bíblia e não colocar em prática o amor de Deus. Aprendemos a olhar para o próximo e não amar só em palavras, mas também em ação”, resume Marisol.

A ideia é fazer a primeira entrega das naninhas em julho. Serão beneficiadas 77 crianças em tratamento contra o câncer e outras 120 que estiverem em atendimento ambulatorial no Centro Infantil Boldrini. Também será entregue uma cartinha aos pais. “Para eles saberem que existe um grupo de mulheres que ora por eles e se preocupa com eles nesse período de dor”, comenta Marisol ao lado da amiga Cely Urbini Arenghi.

Mas não bastava sair costurando. Antes, elas conheceram o molde e a metodologia da confecção a partir das voluntárias de um projeto em Florianópolis. “Fomos informadas sobre a proibição de vender as ‘naninhas’ e o tecido tem de ser novo, 100% algodão, e não pode ser retalho. O enchimento tem de ser de fibra antialérgica, porque as crianças estão com a resistência baixa. Depois passamos, esterilizamos e embalamos tudo”, explicam Joana e Marisol.

multi projeto amigas do bemO projeto tem dado tão certo que elas já receberam o convite para fazer uma nova doação de 50 ‘naninhas’ ao Hospital Santa Lídia, em Ribeirão Preto. E elas não querem parar. Com novas doações a ideia é entrar em contato com outros hospitais e continuar com o projeto trazendo alegria e consolo às crianças em tratamento.

Além do grupo de costura, há também as amigas que ajudam financeiramente fazendo doações para a compra do material. “Porque fazer o bem faz bem a todas”, acrescenta Marisol.

DOAÇAÕ

O projeto ‘Amigas do Bem’ pede doações do seu tempo e da sua oração.

Qualquer ajuda financeira pode ser depositada na conta poupança, na Caixa Econômica Federal, Agência 4151, nº 013-12245-3, em nome de Marisol Garcia Leme de Moura.

Já as doações em tecido podem ser:

Forro branco TNT, tecido novo em tricoline com estampas infantis (100% algodão), papel termocolante, fibra de silicone para enchimento (antialérgico) e linhas.

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