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MST diz que insistirá para que famílias sejam assentadas

Na última terça-feira (23), a Polícia Militar cumpriu ordem para a reintegração de posse em Martinho Prado Júnior

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Policiais militares de Mogi Guaçu e região participaram da reintegração de posso de uma área onde cerca de 500 famílias estavam acampadas desde julho do ano passado. A ação foi desencadeada após o Estado conseguir na Justiça a reintegração de posse da área da Estação Experimental da Fazenda Campininha, em Martinho Prado Júnior.

Representantes do grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) informaram que vão continuar com o pedido junto ao Governo do Estado para que as famílias sejam assentadas na área da Fazenda Campininha. 

A reintegração ocorreu de forma pacífica. A equipe da Gazeta acompanhou a movimentação no local durante o período da manhã. A operação, finalizada por volta das 16h00, foi liderada pelo comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar, Major PM Adriano Daniel. “As pessoas estão retirando seus pertences de forma pacífica. As tratativas para a saída das famílias desse local já acontecem há algumas semanas. O prazo dado para eles expirou na segunda-feira (22) e hoje (23) a PM cumpre o mandado para a reintegração da área”, comentou o major durante a desocupação da área.

Segundo representantes do MST, diversas famílias deixaram o acampamento durante a madrugada, mas pelo menos cerca de 300 pessoas ainda estavam no local quando a PM chegou, por volta das 6h00. O local contava com cerca de 600 barracos e eles foram sendo destruídos durante a reintegração de posse da área.

sem terra reintegracao martinho pradoA Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo alugou caminhões e tratores para a retirada das famílias da área. A operação de retirada das barracas e limpeza da área foi acompanhada pela Polícia Militar.

O major da PM informou que as famílias do assentamento foram avisadas com antecedência sobre a reintegração de posse. “A Polícia Militar preza pela harmonia, então, essa reintegração começou há algumas semanas. O mandado ficou suspenso por um período para que um planejamento fosse feito. Foram várias semanas de negociação”, explicou.

Major Daniel informou que esteve pessoalmente diversas vezes no local para explicar a importância deles deixarem a região, pois a principal preocupação era com a segurança das famílias. A reintegração de posse da área aconteceu dentro do esperado e nenhuma ocorrência foi registrada. Cerca de 150 policiais militares participaram da ação, além do helicóptero Águia da PM, Corpo de Bombeiros, Samu, Conselho Tutelar, Polícia Ambiental e servidores da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado.

sem terra reintegracao martinho prado

REIVINDICAÇÃO

Advogado diz que meta é assentar famílias em Mogi Guaçu

Desde o início do ano, o MST tentava evitar a reintegração de posse da área da Fazenda Campininha. Mesmo com a reintegração, os representantes do grupo informaram que vão continuar solicitando junto ao Governo do Estado o assentamento das famílias naquela área.

No local, ainda havia famílias que diziam não ter para onde ir e esperavam um posicionamento dos líderes do movimento. Inicialmente, eles seriam levados para um assentamento existente na cidade de Araras.

Nilcio
Nilcio

O acampamento chegou a ser intitulado “Paulo Kageyama”, e recebeu famílias de toda a região. Nilcio Costa, membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, falou com jornalistas sobre a situação do grupo.

Segundo ele, o grupo insistirá com o Governo do Estado para que parte da área da Fazenda Campininha seja doada para o assentamento das famílias. “O movimento continuará com a mobilização buscando a reforma agrária. Temos notícias de que o Estado irá passar essas áreas para a iniciativa privada. Então, nossa meta é conseguir o assentamento”, informou.

O advogado falou que estava acompanhando a reintegração de posse para garantir a segurança das pessoas que lá ficaram. A maioria não tinha para onde ir. “Alguns vão voltar para as cidades de origem e outros vão para Araras, onde existe um assentamento. Mas nossa busca será para que o estado ceda essa área e vamos aguardar uma resposta do Estado”, ressaltou.

Costa enfatizou que o grupo tem cobrado a aplicação da lei estadual 4.957, que dispõe sobre planos públicos de valorização e aproveitamento dos recursos fundiários. “Já houve no passado uma política ousada de assentamento e agora os projetos estão parados e temos o apoio de alguns deputados que irão cobrar o Governo do Estado sobre esses projetos”, informou o advogado que lembrou que cerca de 10 mil famílias foram assentadas pelo Governo do Estado.

Sem Terra

A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado informou, por nota, que cumpriu sua parte no acordo com a Justiça e que a área é destinada a projetos de pesquisa. “Medidas determinadas pela Justiça, como transporte e alimentação, foram acolhidas. Ocupada ilegalmente há pouco menos de um ano, a área é destinada a projetos de pesquisa sobre recuperação do cerrado, fauna e flora, e não faz parte da relação de áreas sujeitas à reforma agrária”, diz o texto.

Sem TerraDA REGIÃO

Acampados não sabiam para onde ir após reintegração

Maria da Luz, 59 anos, e Ana Paula Batista, 36 anos, mãe e filha, se desesperaram quando os tratores começaram a derrubar os barracos do assentamento. Elas foram acolhidas pelo grupo no local no início do ano, quando procuraram ajuda. Elas moravam em Conchal e foram abrigadas no local após Ana Paula perder o emprego e não ter como pagar o aluguel de R$ 600. Mãe de quatro crianças, ela se revoltou com a reintegração de posse da área. “Fomos muito bem recebidas aqui e tínhamos refeições- café da manhã, almoço e jantar-, além de um barraco para morar. E agora não temos mais nada. Estávamos trabalhando na horta e já passaram o trator em cima. Aqui fui acolhida como a sociedade não acolhe”, queixou-se Ana Paula ao explicar que matinha com ela três filhos e todos estudavam em Martinho Prado.

Ana Paula
Ana Paula

Para ela, a maior parte das áreas da Fazenda Campinha está abandonada e sem utilização. “Essas terras estão aí sem produtividade. Não entendo porque não dar para o assentamento. Aqui moravam muitas famílias”.

Mãe e filha contam com uma renda de cerca de R$ 600, sendo recursos do Bolsa Família e pensão alimentícia.

Apesar da renda, elas disseram que iriam continuar com o grupo. “Não tenho para onde ir e vou com eles. Provamos que a terra aqui é produtiva e vamos aguardar os líderes”, informou Ana Paula.

Adão
Adão

Plantação

Adão Ferreira, o Ferreirinha, estava ajudando as pessoas a retirarem suas coisas de dentro dos barracos. Ele informou que veio de Araras e trouxe com ele um amigo. A intenção, segundo ele, era a de produzir na área e, assim, contribuir com o acampamento.

Ele explicou que equipes se revezavam na cozinha comunitária para não sobrecarregar os trabalhos. “Os alimentos nós mesmos providenciamos, fazemos campanhas entre nós para arrecadar arroz, feijão e consumimos tudo o que plantamos como verduras, milho, mandioca, batata, quiabo, melancia, feijão e abóbora. Sou da roça e tenho um sonho de ter um terreno para produzir”, comentou.

Com relação à água, Ferreirinha contou que o acampamento utilizava água de uma mina que fica há 500 metros do local. Sobre o destino, ele disse que voltaria para Araras, onde alugava uma casa. 

Sem Terra

 

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