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Moradores querem saída da feira de bairro

Eles querem que ela seja transferida e saia do bairro, onde funciona há 40 anos; pedido já é antigo

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O assunto não é novo e o impasse já vem sendo discutido há muitos anos. A feira livre no Parque Cidade Nova é pivô de um dilema entre a Prefeitura de Mogi Guaçu, os moradores daquele bairro e os feirantes que trabalham na maior feira livre da cidade, que funciona naquele local há 40 anos.

Na segunda-feira (2), um grupo de moradores do Parque Cidade Nova trouxe à tona novamente o embaraço que enfrentam todo fim de semana. Durante a sessão da Câmara Municipal, o grupo foi atendido pelos vereadores numa reunião que serviu para pedir apoio. Cansados dos transtornos que enfrentam tendo a feira livre funcionando na porta de suas casas, os moradores pressionaram a Câmara: querem que os vereadores assumam essa ‘briga’ e os ajudem a trocar a feira livre de lugar.

“Não estamos mais suportando. Há 40 anos nosso direito de ir e vir é tolido. Não é mais sensato que esta feira continue funcionando no Parque Cidade Nova. Faz 20 anos que entregamos protocolos na Prefeitura reivindicando essa mudança e até agora nada foi feito. Os prefeitos apenas se preocuparam em aumentar aquela feira, mais nada”, queixou-se o grupo.

Reunião Câmara
Reunião Câmara

O grupo de moradores também contou que entre a madrugada de sábado, por volta das 2 horas, até o início da tarde de domingo, por volta das 14 horas, quem reside nas ruas próximas à feira livre fica, literalmente, preso dentro de suas casas, porque a presença de barracas e os carros dos feirantes impedem a entrada e saída de veículos particulares das garagens das casas. “Nós já presenciamos todo tipo de briga que se possa imaginar entre feirantes e moradores. Tudo por causa dessa questão: nós não podemos sair de casa e eles não tem outro lugar para trabalhar. Se quisermos sair de casa no domingo de manhã temos de deixar nosso carro estacionado em outro lugar que não seja dentro da garagem de nossas casas. Isso é um absurdo. Estamos cansados dessa situação”, reclamou.

A sujeira deixada nas ruas após o encerramento da feira livre aos domingos e a falta de higiene no local também são alvos de críticas dos moradores. Eles contam que a ausência de sanitários públicos no local da feira faz com que as pessoas urinem em qualquer lugar, além de largarem os restos de comidas e alimentos espalhados pelo bairro. “O serviço de limpeza pública da Prefeitura passa, sim, pelo bairro, para fazer a limpeza depois que a feira acaba, mas os garis tiram apenas o ‘grosso’. Nós, moradores, que fazemos a limpeza das nossas calçadas. Todo domingo é esse trabalho, há 40 anos”, esbravejaram.

A desvalorização dos imóveis é outro dilema que os moradores daquela região estão enfrentando. Isso porque, eles alegam que as residências são novas, bem construídas, num bairro bem localizado, porém, por causa da feira livre estão perdendo valor na hora da venda ou locação. “Quem vai querer morar ali? Muitas pessoas querem morar no Parque Cidade Nova, mas não nas ruas onde a feira livre funciona. Isso está prejudicando quem quer sair do bairro”, lamentaram os moradores.

RESPEITO
“Não temos nada contra os feirantes”, dizem moradores

O grupo de moradores fez questão de deixar claro, durante a reunião com os vereadores, que não tem nada contra os feirantes ou o trabalho que eles fazem. Mas a situação atingiu o limite da tolerância. “Não temos nada contra os feirantes. Respeitamos eles e o trabalho que fazem. Eles têm direito de ganhar o sustento de suas famílias trabalhando na feira. Mas a maneira como isto está sendo feito não está correta. Não podemos mais continuar suportando essa situação”, frisou um dos moradores.

sessao de camara moradores feira mercadao

Os moradores pontuaram, inclusive, que a mudança da feira livre para outro local irá beneficiar também os feirantes. Isso porque, estes trabalhadores vão poder ter um local com melhor infraestrutura que os abrigue do sol, do vento e da chuva. “Eles também merecem um lugar mais adequado para trabalharem. Um local que tenha banheiro digno para ser usado pelos feirantes, tenha cobertura que os proteja, principalmente das chuvas porque quando chove eles também sofrem muito com aquelas barracas. Alguns até perdem mercadorias”, ponderaram.

Ainda durante a reunião com os vereadores, o grupo foi enfático ao dizer que estão cobrando uma atitude da Câmara Municipal, já que os 11 vereadores receberam votos no Parque Cidade Nova e, portanto, representam aquele bairro. “Votamos em vocês e agora queremos que vocês, vereadores, fiquem do nosso lado e nos ajudem a conseguir uma solução para esse impasse. Até agora, o Poder Público somente olhou o lado dos feirantes, se preocupou com eles e não se importou com os moradores. Nós ficamos apenas com os restos que sobram da feira na porta da nossa casa”, esbravejou.

sessao de camara moradores feira mercadaoPara exemplificar, os moradores citaram a feira livre de Aguaí. De acordo com eles, a organização e o funcionamento da feira naquela cidade servem como exemplo para Mogi Guaçu. “Lá, as barracas ficam enfileiradas conforme o segmento de cada uma. O local é coberto e bem iluminado. O espaço é amplo e permanece limpo o tempo todo. Quem não conhece a feira livre de Aguaí tem de ir lá para ver a diferença que há entre ela e as feiras livres de Mogi Guaçu”, pontuaram.

EM ESTUDO
Prefeitura ainda analisa possibilidade de um novo local para abrigar a feira livre

 Diante do pedido feito pelos moradores do Parque Cidade Nova os vereadores se comprometeram a levar a reivindicação até ao prefeito Walter Caveanha (PTB), para que a feira livre seja transferida para outro lugar. A reunião entre os vereadores e o prefeito está marcada para a próxima segunda-feira (9). Porém, o líder do prefeito na Câmara, o vereador Jéferson Luís (PROS), já adiantou que o assunto é complicado e exige muita cautela ao ser tratado. “Não é um impasse simples de ser resolvido. Temos dois lados: os feirantes e os moradores. Sabemos que é preciso favorecer a todos da melhor maneira e isso exige muita análise e cuidado. Ainda não se tem um novo lugar pré-estabelecido para receber a feira livre aos domingos”, disse Jéferson.

Área Ypê II
Área Ypê II

Justamente por causa de este dilema ser antigo, já se cogitou algumas áreas onde a feira livre aos domingos poderia funcionar. Na gestão do ex-prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho (PHS), dois locais foram apontados: uma parte da área ao lado centro esportivo “Carlos Nelson Bueno”, o Furno, no Parque Cidade Nova, e outra área pública, na Avenida Londrina, no Jardim Ypê II, em frente a Viação Mogi Guaçu. No entanto, nenhuma destas localizações seguiram como sendo prediletas para receber a feira livre. O trecho na Avenida dos Trabalhadores, próximo à arquibancada, também é outro lugar que foi apontado como viável para a instalação da feira.

Os vereadores afirmaram para o grupo de moradores que o prefeito Walter Caveanha já tem um projeto feito para a nova feira livre aos domingos e resta apenas definir o melhor local para instalá-la. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que “o projeto discutido ainda não está fechado e que isso ocorre por uma série de razões, dentre elas orçamentária”. Afirmou também que “ainda estão sendo feitos alguns estudos e as alternativas estão sendo estudadas. Por isso, momentaneamente, a Prefeitura não quer divulgar nada. Até mesmo para não gerar expectativas do que pode ser exposto. De qualquer forma, o Executivo continua à disposição para o diálogo”.

Área do Furno
Área do Furno

MAIS CONDIÇÕES
Feirantes só deixam o atual local se receberem uma estrutura melhor

O presidente da Associação dos Feirantes e Ambulantes de Mogi Guaçu, Alceu Kemp, o Galo, foi taxativo ao afirmar que os feirantes somente vão deixar a área no Parque Cidade Nova se tiverem uma estrutura diferenciada numa localização tão boa quanto a atual. Ele disse que os feirantes não aceitam deixar a feira livre aos domingos para trabalhar num lugar escolhido aleatoriamente. “Não adianta. Esse assunto sempre traz impasses, porque nós, feirantes, não vamos deixar que nos encostem em qualquer lugar para trabalhar”, rebateu.

Ele ressaltou que está ciente das reclamações dos moradores do bairro e até concorda com muitas das queixas relatadas, mas pondera alegando que os feirantes merecem trabalhar num lugar melhor estruturado e que seja muito bem localizado. Por causa disso, Kemp já descartou a hipótese de levarem a feira livre aos domingos para ser feita numa área ao lado do ginásio do Furno. “Não tem jeito. Embora seja um espaço grande, lá é um lugar que não atende às nossas necessidades. É um lugar onde não cabe a estrutura que os feirantes precisam”, explicou.

feira livre mercadaoA feira livre aos domingos possui cerca de 210 barracas, além da “feira do rolo” que funciona paralela a ela em torno da Praça Santos, no Jardim Santo Antônio. “Este novo local tem de abrigar a feira livre e a “feira do rolo”. Não podemos separá-las. Sem esta condição, os feirantes dificilmente vão deixar aquele local”, adiantou Kemp, que contou ter feito uma reunião com os feirantes há cerca de dois meses para tratar deste assunto.

Kemp disse que uma nova estrutura para abrigar a feira livre aos domingos custará em média aos cofres públicos cerca de R$ 1,5 milhão. “É muito dinheiro, mas sabemos que e possível consegui-lo pro meio do Ministério das Cidades ou do Turismo. Basta ter boa vontade política para realizar”, concluiu Kemp.

 

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