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Mentiras de campanha – qual a consequência?

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Enfim, o Governo Federal admite o que refutava com todas as forças. O Brasil vive, sim, uma crise econômica. Espero não ter assustado ninguém ao surpreender os leitores com essa notícia. Afinal, há nove meses, na ótica da candidata Dilma e dos que participavam da sua campanha, isso era algo impensável. A crise era algo que a oposição, desesperada, tentava a qualquer custo difundir com o intuito de desestabilizar a campanha que levaria a então candidata e presidente Dilma à reeleição.

Inflação? Esta estava sob controle e não havia motivos para ajustes que elevariam os juros e consequentemente as taxas de desemprego. Redução dos investimentos nos programas sociais, nem pensar. E quanto aos direitos trabalhistas, podia-se apostar na eficácia do elixir bovino que impediria que as fêmeas da espécie tivessem aqueles reflexos respiratórios fisiológicos. A crise econômica foi admitida pelo ministro da Casa Civil, Aloysio Mercadante, assim como o descontrole da inflação que já ultrapassa a projeção de dois dígitos ao ano.

A taxa de juros é a maior dos últimos nove anos e a taxa de desemprego é quase vinte por cento maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. E a vaca tossiu!Assim que as regras para recebimento do benefício do Seguro Desemprego sofreram ajustes que dificultaram o acesso ao mesmo. Aquele discurso foi, sem dúvida, o que levou o Partido dos Trabalhadores ao quarto mandato consecutivo no comando do país. Maior e mais perigosa do que a crise econômica é a crise política, que se instala num momento de crise institucional causada principalmente pelas denúncias de corrupção na Petrobras, feitas pela Operação Lava Jato da Polícia Federal do Paraná.

O rompimento do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com o governo agrava ainda mais a situação delicada que passa a presidente Dilma, que além de tudo, sofre com os índices recordes de impopularidade. Com a aprovação das contas dos ex-presidentes Itamar, Fernando Henrique e Lula em menos de duas horas pela Câmara Federal, abriu-se caminho para a votação das contas do primeiro mandato da presidente Dilma que teve treze pontos questionados pelo Tribunal de Contas da União. Caso sejam desaprovadas as contas, têm-se o que faltava para abertura de processo de impedimento da presidente.

Já manifestei minha posição contrária a um impedimento nas circunstâncias atuais, onde não se evidenciou com provas, crimes cometidos pela governante. Isso não quer dizer que, caso surjam provas e embasamentos jurídicos, um processo de impeachment seja um golpe, uma vez que é constitucional. Ser otimista não é ser alienado e achar que a crise é passageira e que só depende de nós brasileiros optar pelo caos ou pela ordem que tudo se resolverá, como pregou o ator José de Abreu no programa partidário do Partido dos Trabalhadores, exibido no mês passado.

A crise é grave sim, e deve durar, no mínimo, mais três anos. Isso se os nossos governantes entenderem que cortar despesas não é diminuir investimentos sociais ou incentivos à indústria, ao comercio ou à agropecuária, mas, sim, diminuir ministérios, cargos comissionados com indicação política, rever privilégios dos políticos e conter a corrupção.

Que a dura lição seja aprendida e que possamos analisar e identificar as mentiras de campanha, que trazem reflexos negativos em cadeia e atinge, principalmente, os mais fracos, o povo. Pense nisso! As eleições de 2016 é a oportunidade para mostrar que nós, brasileiros, somos capazes de diferenciar a verdade da mentira, o bem do mal.

 

Ronalde Eduardo de Oliveira é servidor público estadual e presidente do DEM local

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