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Médicos são acusados de não cumprir carga horária em USF

Pacientes relatam faltas constantes dos profissionais e reclamam que unidade está sem dentista desde dezembro

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Nesta semana, a USF (Unidade Saúde da Família) do Distrito de Martinho Prado Júnior ficou sem médico pediatra. O profissional apresentou atestado médico, mas só avisou na segunda-feira (5) que se ausentaria do trabalho. Por conta disso, as consultas precisaram ser remarcadas. Também na segunda-feira, os pacientes que tinham consultas agendadas com o clínico geral foram surpreendidos, pois ele também faltou ao trabalho. A moradora Sônia Sueli de Oliveira estava na unidade e presenciou quando os pacientes foram avisados. “Fui buscar meus remédios da pressão e vi quando uma senhora perguntou do médico e eles informaram que não tinha”, comentou.

A denúncia é de que os profissionais não cumprem com a carga horária e faltam com frequência ao trabalho. Sem a quem recorrer, muitos moradores acabam reclamando sobre a situação caótica ao padre Mário Adorno, da Paróquia Santo André.

Como as reclamações têm aumentado, o padre resolveu tornar pública a situação da Saúde de Martinho Prado. Ele recebeu a equipe da Gazeta na última quarta-feira (7). A reportagem também visitou a USF e conversou com os pacientes e funcionários. A reclamação é geral.

Padre Mário
Padre Mário

O único elogio é feito a ginecologista que atende no local. Segundo padre Mário, a profissional é a única que atende aos pacientes no horário certo e também cumpre com a carga horária. “O certo era essa unidade ter médico da família, mas não temos e já faz tempo. Temos relatos de que tanto o pediatra quanto o clínico chegam atrasados e atendem conforme querem. Já chegaram a atender apenas meia hora e ir embora”, contou o pároco.

De acordo com ele, a situação se agravou com o afastamento do único dentista que atendia na unidade de saúde. “Não tem dentista no distrito desde dezembro do ano passado e ninguém fala nada. E como fica quem não tem condições de pagar um dentista?”, indagou.

Padre Mário ressalta que decidiu dar entrevista para relatar os problemas na área da saúde e chegou a fazer um desabafo em sua rede social. Para sua surpresa, a nova ambulância que havia sido entregue pela Prefeitura e depois retirada do distrito retornou no dia seguinte após sua postagem. E, de fato, o veículo se encontrava na garagem na USF quando a reportagem esteve no local. “Aqui, os moradores aceitam e vai ficando dessa forma. Mas pelo menos a saúde tem que estar em dia. É um direito!”, ressaltou ao afirmar que os moradores o veem como uma liderança. “Resolvi tomar atitude por conta das inúmeras reclamações que tenho recebido. Eles me veem como uma liderança e algo precisa ser feito. Essa ambulância foi entregue e ficou poucos dias aqui e só voltou após minha reclamação. O veículo não estava aqui para atender a população”, salientou.

martinho prado reclamacao lixo
Sônia e Maria Helena

Padre Mário diz que Martinho Prado tem diversas prioridades, mas que a área da Saúde acaba sendo a principal, pois a população precisa do atendimento. “As mulheres relatam que a ginecologista atende duas vezes na semana, mas que o número de vagas é pequeno. Então, por que a Prefeitura não aumenta mais um dia de atendimento dessa profissional aqui? Vejo que falta planejamento. Acompanho essa questão do empréstimo de R$ 23 milhões e não tem nada destinado para a área da Saúde”, disse ao ressaltar que falta um olhar carinhoso para com a população de Martinho Prado e outras regiões do município. “Não somos vistos. Falta muita coisa para nós e para os moradores da Chácaras Alvorada”, lamentou o padre Mário que está há 16 anos em Martinho Prado.

 

Outro lado

A assessoria de imprensa da Prefeitura respondeu aos questionamentos da Gazeta. (Veja abaixo). Sobre o uso do ponto eletrônico pelos médicos, a Secretaria de Saúde esclareceu que os profissionais com contrato ou do Mais Médico não usam ponto eletrônico. A reportagem apurou que esse seria o caso do clínico geral. Já o pediatra e a ginecologista são concursados e ‘batem o ponto’. Justamente, por isso, a Secretaria de Saúde tem condições de verificar a carga horária dos profissionais e cobrar o cumprimento.

 

Prefeitura se manifesta sobre denúncias

Clínico

A Unidade pertence ao Programa de Saúde da Família, devendo ter somente um médico generalista. Está sem o profissional porque o Governo Federal não repôs e não fará a reposição do Programa Mais Médico em Mogi Guaçu.

Para não prejudicar a população, a Secretaria de Saúde disponibilizou um clínico geral para atender 20 horas semanais, sendo oito horas na segunda-feira e quatro horas diárias na quarta, quinta e sexta. Não consta na Secretaria de Saúde que ele não cumpra o horário. Na segunda-feira ele realmente faltou porque estava doente e avisou a Unidade. Na quarta trabalhou normalmente. Ressalve-se que, se o profissional não trabalha, também não recebe.

Pediatra

Ele também avisou que estava sem condições de saúde para trabalhar.

(Não foram respondidos os questionamentos sobre os atrasos e faltas do profissional).

Ginecologista

Não há perspectiva de ampliação de carga horária de ginecologista. Além disso, falta profissional no mercado de trabalho. A ginecologista está escalada para atender dois dias na USF de Martinho Prado Júnior, e a prioridade é o pré-natal.

martinho prado posto saude

Ambulância nova

Foi devolvida ao Distrito porque a Secretaria de Saúde não estava mais precisando dela. Se houver necessidade e as outras ambulâncias não puderem cumprir, a SS (Secretaria de Saúde) lançará mão de sua utilização novamente.

Dentista

A profissional está com câncer e o município não dispõe de recursos financeiros para novas contratações.

 

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