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Maternidade: Tina retirou um rim para poder engravidar

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 mãe é um presente de Deus”. É com esta frase que Cristina de Azevedo Navi, a Tina Bertuzzi, 57, define o que é a maternidade. Para gestar, ela superou os limites do próprio corpo, pois tinha apenas um dos rins. O outro havia atrofiado e teve de ser retirado em cirurgia bastante delicada.

Engravidou e teve uma gestação tranquila, mas optou por ter apenas um filho: Arnaldo Carlos Navi Junior. E lá se foram 21 anos do nascimento do menino que realizou o sonho da mãe e do pai Arnaldo Carlos Navi. Desde pequeno, ele sempre soube desta história da possibilidade de a mãe ter problemas ao gerar um filho.

Um dia, ao questioná-lo sobre ter um irmão, Junior Navi respondeu à mãe: “Não quero que seja da sua barriga. Tenho medo que você morra!”. Com isto, Tina viu o medo que o filho tinha de perdê-la e desistiu de uma nova gestação. É mãe orgulhosa do filho único.

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GESTAÇÃO TRANQUILA

Gravidez aconteceu aos 35 anos

 

Aos 33 anos, Cristina de Azevedo Navi, a Tina, casou-se com Arnaldo Carlos Navi, sete anos mais velho que a esposa. Considerando que ambos já estavam maduros, o casal começou a planejar a gestação. Casaram-se em fevereiro de 1994 e no mês seguinte Tina teve uma infecção de rim, problema que a acompanhava desde os 19 anos.

Da fase de solteira à época de casada foram muitas internações, pois foram muitas idas e vindas ao hospital. Nesta infecção logo após o casamento, Tina ficou cinco dias internada com dor e febre intensas. Foi quando os médicos apontaram a necessidade de mapeamento dos rins. O procedimento foi feito em Campinas. Assim, ela descobriu que um dos rins havia atrofiado. Ela tinha nefrite crônica. “Foi quando o médico disse que se quisesse ter filho teria de retirar o rim atrofiado”, recorda Tina.

Para realizar o sonho da maternidade, ela enfrentou a cirurgia que foi demorada e bastante delicada. E se recorda que sofreu com o pós-cirúrgico, mas obteve a liberação para engravidar por parte da equipe médica que a assistia.

Dois anos depois de casar, ela engravidou, aos 35 anos. Afinal, era preciso aguardar a cicatrização da cirurgia. “A gestação foi muito tranquila, nem inchada fiquei. Engordei oito quilos apenas”, recorda Tina. Ela comia pouco diante do medo de passar mal e algo de ruim acontecer. Junior nasceu de parto cesárea e com 3.350 quilos, medindo 51,5 centímetros. “Ao mesmo tempo em que bateu aquela insegurança, estava feliz e completamente realizada”, atesta.

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Apesar desta tranquilidade, ela não quis tentar um segundo filho. Isto porque, considerou a premissa de que uma gestação nunca é igual à outra e teve medo. “Medo de algo acontecer e meu filho ficar sem a mãe”, relata.

Mas foi um comentário do filho que a levou a decididamente ser mãe de filho único. Numa brincadeira perguntou ao filho se ele não queria um irmão e ele respondeu que não queria irmão da barriga porque tinha medo que a mãe morresse. Tina percebeu o medo do filho. Afinal, ele sempre soube do que a mãe enfrentou para engravidar. E, com isto, passou a ter medo de perdê-la. “Fiquei até emocionada quando ele me disse isto”, lembra Tina.

MATURIDADE

“Tudo acontece na hora certa”, diz Tina

Para Tina, este desejo de ser mãe está presente na maioria das mulheres. E em seu caso, ela queria fazer tudo como manda o “figurino”: namorar, casar e ter filhos. “Tinha amiga que falava que não precisava casar para ter filho, mas nunca quis assim”, diz. Ela acredita que isto esteja ligado ao fato de ser muito amiga de sua mãe, além de admirá-la.

multi dia das maes“É uma união gostosa, sempre quis ter isso”, diz em relação ao filho Junior. Isto porque, têm um relacionamento muito bom, diálogo constante e admiração mútua. Para Tina, tudo isso é um reflexo da família que teve. “Eu casei quatro anos depois de a minha mãe ter morrido. Ela não me viu realizar este sonho, mas sempre se fez presente em minha vida”, relata comentando que pedia em oração que a mãe estivesse ao seu lado na hora do parto.

Analisando sua história, Tina diz entender que tudo acontece na hora certa e no momento certo. Afinal, achava que já estava “madura” e tudo correu de maneira tranquila, sem qualquer contratempo. “Foi tudo na hora certa”, reforça. Ela faz questão de comemorar o Dia das Mães ao lado do marido e do filho, mas prefere fugir da cozinha. Com isto, sempre escolhem um restaurante para esta data especial.

Por outro lado, o filho também não poupa elogios à Tina. “Mãe é um presente de Deus”, sentencia.

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