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Mas que calor: Cadê a árvore que havia aqui?

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Que calor! Esta é a expressão popular mais dita nas últimas semanas. O sol forte não dá trégua e o verão reina nas ruas, praças, praias, piscinas, quintais e nos quatro cantos da cidade. E o calor é tanto e o mormaço também tão forte que basta uma simples ida a pé até a padaria do bairro ou ao mercadinho da esquina para que o suor apareça e a sensação de calor aumente em graus elevadíssimos.

Nestas horas, tudo o que o pedestre quer é uma sombra. Seja para se refrescar debaixo dela, seja para estacionar o carro e até, quem sabe, para ter um trajeto um pouco mais fresco ao avistar sombras e mais sombras formadas pelas copas das árvores nas calçadas. Mas a realidade não tem esse tom de verde, não. Ela é mais cinzenta devido a tanto cimento que se encontra pelo caminho.

Avistar árvores nas calçadas está sendo considerado um fato raro, em Mogi Guaçu. Poucas são as pessoas que ainda mantém uma pequena árvore na calçada. Muitos preferem se livrar da “sujeira” das folhas caídas ou consideram perigoso manter uma árvore na calçada prevendo que ela possa servir de esconderijo para marginais. Enfim, o fato é que com pouquíssimas árvores à disposição nas calçadas, o calor forte reina cada vez mais e cada vez mais forte num ciclo vicioso que não dá sinais de que será quebrado tão logo.

SOL ESCALDANTE

Pedestres lamentam ausência de sombras e árvores nas calçadas

 A falta de árvores nas ruas de Mogi Guaçu chama atenção dos pedestres que transitam pela cidade. Num calor que beira os 37° com sensação térmica de quase 40º é natural a lamúria pela ausência de sombras que possam amenizar e refrescar as temperaturas.

Mara
Mara

A farmacêutica e entusiasta pelas causas ambientais Mara Fonseca Chiarelli recorda bem dos tempos em que brincava numa das ruas no bairro do Lote, que ainda não tinha asfalto, mas era repleto de árvores. “Era década de 60 e o prefeito plantou várias árvores e cercou todas com bambu para protegê-las. Em frente a cada casa tinha uma árvore! Era outra cidade. As sombras eram inúmeras”, conta Mara.

Atualmente, ela está assustada de ver quantas ruas da cidade sequer tem uma única árvore plantada nas calçadas. Mara diz que há tempos vem percebendo a ausência de sombras quando andas pelos bairros e se depara com buracos nas calçadas que denunciem a retirada da árvore. “É sol na cabeça praticamente o trajeto inteiro. Não se vê mais árvores nos bairros. As pessoas cortam aquelas que estavam na calçada e não plantam outra no lugar. A gente entende que algumas espécies de árvores danificam a calçada e as raízes colocam em risco até a construção das casas, mas depois que este tipo de árvore é cortado deveria ser plantado outro tipo de árvore em substituição”, analisou Mara.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza que o ideal é três árvores por habitante ou 36 metros quadrados de área verde. Isso porque, as árvores têm importância fundamental para amenizar as altas temperaturas, umedecer o ambiente e reduzir os poluentes atmosféricos, além da poluição sonora. Ainda de acordo com a OMS, as árvores absorvem o dióxido de carbono. “Ou seja, elas formam um ar-condicionado natural. Embaixo das copas das árvores é sabido que se tem 5° de diferença entre a temperatura na sombra e no sol. Tanto é que elas perdem as folhas no outono para facilitar a entrada do sol no outono e no inverno e aquecer um pouco mais os ambientes ao ar livre”, explicou Mara.

arvores meio ambienteEla pontua que o Poder Público poderia incentivar o plantio de árvores nas calçadas em benefício do meio ambiente e do bem-estar do cidadão. “Quem não gosta de andar por uma rua onde há árvores nas calçadas? O efeito do sombreamento, além de bonito, é refrescante, alivia, traz bem-estar às pessoas. No entanto, o que temos são ruas longas e com o sol ‘batendo em cima’, sem nenhuma trégua para quem passa pelas calçadas”, reforçou.

Mara salientou que, neste ano, está previsto outro fenômeno El Nino que vai afetar o clima de todo o planeta: fortes chuvas e inundações, secas prolongadas, aumento no risco de doenças transmitidas por mosquitos. Com isso, o ano de 2019 deverá ser o mais quente de todo o histórico de observações meteorológicas.

Mara ainda faz questão de citar cidades da região de Mogi Guaçu, como Rio Claro e Arthur Nogueira, onde se têm árvores de 10 em 10 metros oferecendo sombra e frescor aos pedestres destas cidades e beneficiando o clima. “A população destes locais valorizam e tomam cuidado com as árvores, porque já estão inseridas no dia a dia de cada um. Em Rio Claro, por exemplo, temos verdadeiros túneis formados pelas copas das árvores nas principais avenidas. É lindo de se ver! Até mesmo em Ipanema, no Rio de Janeiro, temos árvores com 80 anos que estão firmes e fortes cumprindo com sua função no meio ambiente”, concluiu Mara.

INCENTIVO

Saama oferece desde mudas de árvores para plantios até informações técnicas para quem quer plantar

 Diante da falta de árvores nas calçadas de Mogi Guaçu, a Gazeta conversou sobre o assunto com os técnicos responsáveis pela Saama (Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente). De acordo com eles, a região central da cidade, por exemplo, se formou com ruas e calçadas muito estreitas, com largura inferior a 1,5 metro, sendo que um dos lados possui os postes com a rede elétrica, o que dificulta ainda mais a escolha de espécies de árvores que não atrapalhem a passagem de pedestres, de veículos e que não atinjam a fiação.

arvores meio ambientePor meio de nota à imprensa, a Saama também informou que “várias calçadas de ruas centrais não comportam árvores, pois possuem 1 metro ou até menos de largura, com lojas comerciais que possuem marquises, toldos e placas de propagandas. Dessa forma fica inviável o plantio de árvores nessas calçadas, pois teríamos que optar pela passagem do pedestre na rua movimentada colocando em risco sua segurança”, alegou.

A arborização inadequada também foi justificativa dada pela Saama, já que há árvores de grande porte que geram conflitos entre a população, a concessionária de energia elétrica e a Prefeitura de Mogi Guaçu. “Ao longo dos anos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente realiza a substituição dessas espécies por outras de porte menor e mais adequadas para o plantio nos passeios públicos”, informou em nota.

Desde 1992, a Saama possui um programa permanente de doação de mudas de árvores nativas e exóticas para plantio em calçadas, áreas verdes, praças, logradouros públicos e reflorestamento em áreas rurais. As árvores para plantio em calçadas foram selecionadas para não causar problemas, como atingir a rede elétrica ou provocar rachaduras em calçadas. “Também damos todas as orientações técnicas para quem quer as mudas de árvores para plantio em calçadas, praças, áreas verdes e áreas que necessitam de recuperação ambiental. Até porque, o cidadão precisa saber corretamente qual árvore é ideal para ser plantada naquele local”. As mudas de árvores podem ser retiradas na Saama, que fica na Avenida Mogi Mirim, nº 93, no Areião. Antes de plantar uma árvore na calçada, os técnicos da Saama reforçam a importância de ter orientação técnica.

A preservação da arborização urbana é objeto de legislação específica, fiscalizado pela Saama. “É obrigatório ter licença prévia da Prefeitura para o corte de árvores. Além disso, também é obrigatório substituir a árvore que foi cortada”, informa a nota.

Também vale ressaltar que já vigora em Mogi Guaçu, desde 2013, uma lei municipal de autoria do vereador Thomaz Caveanha (PTB) que obriga os pais de recém-nascidos a plantarem uma árvore. “Para cada criança que nasce, os pais devem plantar uma árvore na cidade, de acordo com as orientações dadas pela Saama”, concluiu Thomaz.

plantio calcada saama

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GAZETA GUAÇUANA, 19 de janeiro de 2019

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