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Marmita: mais do que um modismo!

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No passado, a marmita era atrelada aos trabalhadores braçais que precisavam levar a refeição porque não voltavam para casa no horário do almoço. Mas isso mudou – e muito! Marmita agora é sinônimo de saúde, praticidade e, até mesmo, de economia. Levar refeição para o trabalho é mais do que um modismo, pois evidencia a preferência pela comida caseira.

Uma pesquisa da Banca do Ramon, um dos empórios mais tradicionais do Mercado Municipal de São Paulo, aponta que mesmo entre aqueles que possuem maior poder aquisitivo, a alimentação caseira é tida como a escolha mais benéfica. E, segundo especialistas, quando bem elaborada a estratégia pode, de fato, dar aquela forcinha na dieta. Basta ficar atento à forma de preparo.

As marmitas estão tão em alta que um canal de TV a cabo conta com programa exclusivo sobre este assunto. Por lá figuram não apenas as celebridades ou os adeptos do fitness, como pessoas que optam pela comida caseira por todas as vantagens já elencadas. “Marmitar” está definitivamente em alta!

 

POUCA GORDURA

Acertar no preparo dos alimentos torna marmita ainda mais saudável

É indiscutível que, muitas vezes, a marmita volta para o cardápio devido ao orçamento apertado. Números do último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que as refeições fora de casa representam mais de 25% dos gastos com alimentação. Logo, em tempos nos quais a inflação afeta, principalmente, o preço dos alimentos, buscar formas de cortar gastos é essencial.

Josiele
Josiele

Contudo, atualmente, apostar na alimentação caseira não tem sido exclusividade daqueles que desejam economizar: de acordo com a pesquisa “Do essencial ao Gourmet – O que os brasileiros pensam sobre alimentação saudável e produtos premium”, mesmo entre aqueles que ganham acima de cinco salários mínimos, o hábito (fazer refeições no lar/levar marmita de casa) não só é predominante como também é apontado como a escolha mais saudável por quase 40% dos entrevistados com renda familiar elevada. No geral, mais de 85% apontam esse tipo de refeição como a mais frequente e também como a melhor pedida.

Agora, deixando de lado o fator “orçamento”, existem outros pontos que podem explicar o ressurgimento das marmitas: a preocupação com a saúde e, claro, o paladar exigente desses consumidores. De acordo com a pesquisa, os brasileiros não só priorizam o sabor na hora de escolher alimentos (60%) como consideram a alimentação caseira, do dia a dia, como a verdadeiramente saudável.

De acordo com a nutricionista Josiele Souza, a marmita é uma excelente alternativa por todos os motivos apontados na pesquisa, porém, ela atenta que é preciso ficar de olho na forma de preparo. “Preparar o alimento com pouca gordura e evitar as frituras”, ressalta. A nutricionista frisa que a marmita pode ficar ainda mais saudável quando o arroz branco é substituído pelo arroz integral, por exemplo.

Josiele dá algumas dicas de refeições que “combinam” com a marmita: refogados bem apuradinhos, carne cozida ou assada, além dos legumes em geral. “Sugiro que coloquem pouco molho nestas refeições porque o risco de estragar é maior”, atenta.

As frituras, segundo ela, além de não serem saudáveis, não são indicadas para as marmitas. A nutricionista recomenda nunca esquecer a salada, que deve ser levada em embalagem à parte. Ela lembra que o mercado tem embalagens muito interessantes para as marmitas e, inclusive, recipientes que permitem separar as folhas dos legumes. “Isto sem falar naqueles que têm várias repartições”, acrescenta.

Outra recomendação da nutricionista é de que os adeptos da marmita também levem algo saudável para o lanchinho da tarde, como fruta (inteira ou picada) granola, iogurte ou gelatina.

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SELF SERVICES

Nas refeições preparadas em casa, Josiele diz que é possível – e adequado – controlar a ingestão de sal, de temperos industrializados, de carboidratos e de gorduras. Com isto, também se evita os self services e as tentações, como frituras, salgadinhos e molhos. Tudo que deixa o prato mais calórico! Com tudo isso, a marmita deve ser equilibrada e composta por carboidratos, proteínas, gorduras boas e fibras. Um bom exemplo é o arroz, feijão, carne, abobrinha refogada e salada.

PLÁSTICOS

E a profissional destaca também que é preciso ficar atento ao tipo de plástico usado como marmita. Isto porque, há recipientes que têm BPA, que é o bisfenol A, usado na composição. Esta substância não pode ser aquecida. “Digo isto porque muita gente esquenta a marmita nas embalagens plásticas”, esclarece. O ideal é esquentar no prato. Caso contrário, optar pelas embalagens de vidro ou inox, apesar de haver plásticos que não contém o BPA, como aquele utilizado na fabricação das mamadeiras.

 

TRANQUILIDADE

Marmita também evita o corre-corre na hora do almoço

As mulheres que trabalham fora, em geral, têm uma jornada dupla. Ou seja, basta colocar o pé em casa para encontrar mil afazeres. E haja pique! Evitar esta correria no horário do almoço, conseguir fazer a refeição com calma e ainda ter um tempinho para respirar antes de voltar ao trabalho… Tudo isso é muito considerado pelas mulheres na hora de optar pela marmita. É o caso das funcionárias municipais Vera Lúcia Manara Batista e Ana Cristina Indalécio de Oliveira.

Vera
Vera

Em nome da praticidade, faz sete anos que Vera Lúcia optou pela marmita.  E nunca bateu arrependimento! Pelo contrário, ela é só elogios à opção e enumera algumas vantagens da marmita. “Tenho moto e mesmo morando perto do trabalho, eu evito o trânsito porque acho perigoso. Em casa, a gente sempre tem algo para fazer, se for pra lá almoçar, vou ficar fazendo um monte de coisas, e vou almoçar correndo”, elenca. Na 1h30m que Vera Lúcia tem de almoço, ela diz que tem dias que ainda sobra tempo para ir ao centro da cidade para pagar algumas contas. Quando não precisa sair para nada, ela fica conversando com os colegas de trabalho ou assistindo à televisão.

A secretária faz a própria comida no jantar e prepara a marmita do almoço. Com isto, garante comida fresquinha na marmita e com tudo o que gosta de comer. “Separo o que vou levar, espero esfriar, coloco na geladeira e de manhã é só pegar”, diz Vera relatando que é muito prático. “Às 11 horas, a marmita é colocada no marmiteiro, no refeitório da Prefeitura, e fica quentinha”. Nestes sete anos levando refeição, ela aprendeu o que vai bem ou não na marmita. “Bife nem pensar. Fica horrível”, dispara.  E também conta o que não pode faltar na marmita: arroz branco. Vera Lúcia diz que gosta de refogados e carne de panela, sendo que a salada é sempre levada à parte.

 

Comida Caseira

Faz pouco tempo que a oficial administrativo Ana Cristina Indalécio de Oliveira voltou a fazer uso da marmita. Isso porque, o marido mudou o turno de trabalho, ou seja, ela não precisa mais ir para casa no horário de almoço. Assim, Ana Cristina prepara o jantar da família e já reserva a comida que irá levar para o trabalho no dia seguinte.

Ana Cristina
Ana Cristina

Para ela, além de não precisar voltar para casa, o que demanda tempo porque, apesar de ser habilitada, não dirige, também economiza e consegue ter o horário de almoço menos corrido. “Seria a conta de chegar, almoçar e voltar. Seria muito corrido mesmo!”, enfatiza.

Na marmita de Ana Cristina, nunca entra feijão. “Tenho medo de estragar”, conta. Com isto, ela opta por arroz, carne, legumes e também salada. Ou seja, uma comida bem variada, caseira e saudável.

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