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Mário Fagnani: Fantasia caiu como uma luva

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O aposentado Mário Fagnani, 78 anos, esbanja entusiasmo quando o assunto é falar da sua segunda identidade. Nos meses de novembro e dezembro ele já avisa: “só me chamem de Noel”. Simpático e dedicado ao personagem, ele brinca ao dizer que sua fisionomia é realmente muito parecida com a do Papai Noel das histórias.

Para chegar com disposição todos os dias na Estação de Presentes do Buriti Shopping, ele se prepara o ano todo. Afinal, são cerca de oito horas sentado tirando fotos e ouvindo pedidos feitos pelas crianças.

Natural de Pirassununga, o “Bom Velhinho” do shopping vive em Mogi Mirim há mais de 40 anos. Atualmente, ele reside com outros idosos na entidade “Vila Vicentina”. Ele caminha todos os dias, participa de campeonatos de tênis de mesa e joga dominó, além de futebol de salão. Com tanta disposição, Fagnani emagreceu, mas ele conta que aquele barrigão tradicional não é mais um requisito. O importante mesmo é a alegria. “Não trabalho por dinheiro. É porque gostei e gosto”.

multi papai noel mario shopping burittiE, aliás, alegria é algo que contagia tanto que, há dois anos, um dos irmãos de Fagnani também passou a trabalhar como Papai Noel. O irmão mora em Campinas. “Ele invejou de mim e a barba dele ainda é mais lisa que a minha”, brinca Fagnani.

Ele diz que na sua infância nunca chegou a ver o Papai Noel. “E é a mesma sensação que passam as pessoas da minha idade, que até chegam a chorar quando se encontram comigo vestido de Noel. Quando a gente ganhava um sapato já sabia que era o pai ou a mãe quem dava. Por isso, que sinto uma alegria tamanha quando me beijam. Fico feliz quando, até mesmo, no ônibus ou na rua veem minha barba e gritam: Noel, Noel”.

 

Por Acaso

Foi por meio de uma brincadeira que Mário Fagnani conheceu a vida de Papai Noel. Na ocasião, ele trabalhava na recepção da ACIMM (Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim) e também tinha a responsabilidade de vigiar o presépio montado na entidade. “Fui até um dos armários e descobri a fantasia de Papai Noel. Vesti escondido de todos e passei pelos corredores para mexer com o pessoal dos escritórios. Foi quando encontrei com o comerciante José Antônio Scomparim e ele disse: ‘Meu Deus do céu! Você será nosso Papai Noel no próximo ano!”, relembra Fagnani.

No ano de 2009, ele foi Papai Noel pela primeira vez no Sindicato do Comércio Varejista de Mogi Mirim. Fagnani relembra que foi a primeira e única vez que usou barriga falsa. No ano seguinte, ele foi novamente Papai Noel da ACIMM, na Praça Rui Barbosa, no Centro de Mogi Mirim. Depois não parou de receber convites para atuar em lojas e mercados.

Mas foi somente no início de 2013 que a barba de Fagnani passou a fazer parte da sua personalidade e ele se tornou a atração das compras de Natal do Buriti Shopping, em Mogi Guaçu.

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PEDIDOS E ENTREGAS 
Dedicação e amor pelo que faz 
ajudam enfrentar rotina de dezembro

Fagnani deixa para se caracterizar no camarim do shopping. “Porque se eu me fantasiar em casa e sair, não vou conseguir andar na rua”, brinca entre risos. No shopping, ele atende aos pedidos das crianças a partir das 14 horas até a hora em que as lojas fecham. No período da manhã, ele visita as entidades assistenciais e faz um trabalho voluntário de entrega de presentes. “Eu faço isso também na vila onde moro. Eu gosto de ver a alegria desses idosos, das crianças e até dos adolescentes. Algumas enfermeiras até choram”.

No dia 24 de dezembro, na véspera do Natal, a agenda está lotada. “A procura é demais. Todo mundo quer que eu vá entregar os presentes. Mas eu não consigo atender mais do que seis famílias”, pontuou.

multi papai noel mario shopping burittiInclusive, neste ano, o almoço de Natal não poderá ser com a família dele, lá em Pirassununga. “Uma família veio me achar aqui, no shopping, e a senhora me pediu para eu não deixar de ir a casa dela. Então, combinei de estar lá no dia 25, dia de Natal”.

Em todas essas visitas, o Papai Noel não cobra nada. No entanto, ele conta que todas as famílias sempre guardam um presente para o ‘Bom Velhinho’.

 

Os Pedidos

Não são todas as crianças que Fagnani consegue ludibriar. “Só nos primeiros dias”, ele brinca. Mas ele já percebe muitas mudanças no comportamento das crianças. Algumas chegam contando que na escola os amiguinhos falam que Papai Noel não existe, que é uma fantasia. “Elas me beijam e dizem, tá vendo, ele existe, sim. Esse ano estou achando que vou ficar sem barba de tanto que puxam”, diz ele, sorridente.

Outras crianças são mais ansiosas e querem logo o brinquedo, na hora. Nesse momento é combinado com os pais. Eles dão uma volta no shopping, compram o presente e deixam ali escondido para o Noel entregar. “Tem criança que se deixar fica ali do meu lado a noite toda, tem criancinha que não quer sair do meu colo”.

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Para outras crianças, Fagnani pede para elas escreverem a cartinha e promete deixar o presente junto à árvore de Natal. Mas ele ‘brinca’ que tem cada pedido que – financeiramente – vai ser difícil para os pais comprarem. “É a casa da Barbie completa com piscina e os meninos pedem uns brinquedos que não sei nem pronunciar o nome (em inglês)”, ri muito ao lembrar.

Várias histórias já o comoveram. Uma delas, no entanto, ocorreu logo no início deste mês quando uma senhora disse que a filha de sete anos estava em casa doente e que tinha até colocado comida para as renas no pé da árvore de Natal. No dia seguinte, a mãe tirou a comida de lá e a menina passou a achar que o Papai Noel estava por perto. “Combinei de ir lá, ainda antes deste Natal, porque isso me comoveu muito”.

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