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Maria Benedita: Uma lição sobre o Natal, aos 99 anos

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Você parou para pensar como era comemorado o Natal no início do século passado? Como seria esta data em tempos que parecem tão distantes? Havia troca de presentes? Pois há quem se recorde um pouco desta época. E melhor sabe – e conserva – em sua essência o verdadeiro significado desta data. Aos 99 anos, Maria Benedita Guimarães falou com a Gazeta e nos contou um pouquinho das festas natalinas. Apesar da mobilidade afetada pela idade, a memória conserva muitos acontecimentos que, aos poucos, são recordados.

Quase centenária, ela chegou recentemente ao Lar da Terceira Idade Padre Longino. Veio a pedido da irmã Margarida Cruvinel da Silva, 97 anos, que há anos está na instituição e queria compartilhar momentos ao lado da irmã. Afinal, são as únicas vivas do grupo de 10 irmãos. Maria Benedita era interna em uma instituição em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais. Mas é natural de outra cidade mineira: Muzambinho, que fica localizada na mesma região. Nasceu em 10 de dezembro de 1919.

multi natal maria beneditaFilha do casal José e Braulina que sempre viveu na Zona Rural, Maria Benedita é de família católica e muito religiosa. A reza é a principal recordação de Natal que vem à mente da idosa. “Era tudo cantado”, faz questão de pontuar. E o altar dedicado ao Menino Jesus, o personagem principal da noite, era o destaque na casa da família. Papai Noel não era figura presente nas comemorações. Questionada se havia ceia e o que comiam, ela dispara: “Minha mãe fazia quitandas e café para bebermos a noite”. Estas quitandas, segundo ela, eram pães e biscoitos, tudo feito pela família.   

A comida salgada ficava para o almoço do Natal. O cardápio era à base de arroz, feijão e macarronada. A vida no campo não era fácil, mas não faltava comida à mesa. A idosa não se recorda de ganhar presentes de Natal na infância, mas conta que dava presentes aos filhos. Maria Benedita casou-se muito cedo, aos 15 anos, com Amaro, e teve quatro filhos. “Ele fugiu”, conta ela quando questionada sobre como foi o casamento. E prefere não aprofundar no assunto, como se quisesse poupar a si mesma deste fato.

Em sua casa, ela diz que seguiu a tradição dos pais de comemorar o Natal com muita reza cantada. O terço era uma oração presente. E não apenas na festa natalina. Sem muitos detalhes, diz que dava roupas para os filhos. Mas do que ela lembra mesmo é da macarronada, o seu prato predileto. Tudo ainda no sítio, onde conta que trabalhou em tudo para criar sozinha os quatro filhos. Todos já falecidos.

 

ESPÍRITO DE NATAL

Maria Benedita tem como responsáveis dois netos que residem no Sul de Minas Gerais. Eles concordaram em aceitar o pedido da tia em ter a irmã por perto. As duas irmãs passam algum tempo lado a lado, ambas em cadeiras de rodas. A idosa diz que é feliz e vive com alegria. E, de fato, a equipe do Lar da Terceira Idade Padre Longino conta que ela é mesmo uma pessoa doce. Tem boa saúde. Não toma um único medicamento. E come com as próprias mãos.

multi natal irmas margarida e maria beneditaÉ claro que, aos 99 anos, fala pouco e logo se cansa. A cabecinha tomba para o lado como se buscasse apoio. Mas os olhinhos ficam espertos quando responde às perguntas. A cabeça se apruma. Muito convicta do que fala, Maria Benedita atesta que no Natal não pode faltar mesmo é “muita reza para o Pai nos ajudar, e carne”. As memórias afetivas a remetem aos tempos à beira do fogão cozinhando para os filhos.

Questionada se teve um Natal mais marcante, ela pontua: “Todos são importantes”, diz com voz firme. Para bom entendedor, a idosa deixou nas entrelinhas que não há Natal melhor ou pior porque a data remete ao Nascimento de Jesus Cristo. Afinal, não há outro significado para o Natal Santo. Uma lição de sabedoria sobre o verdadeiro espírito natalino vinda de quem já viveu 99 anos.

 

 

 

 

 

 

 

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GAZETA GUAÇUANA, 22 de dezembro de 2018

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