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Mãe de autista quer profissional qualificado

Aluno tem 13 anos e deixou de ir à escola; troca de auxiliar de educação inclusiva foi indeferida pela Educação

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Lenita Fernanda de Arruda ingressou no Ministério Público para garantir ao filho autista o acompanhamento de uma profissional especializada durante as aulas na Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Waldomiro Calmazini”. Até o ano passado, o aluno frequentava a Emef “Maria Júlia Bueno” de onde teve de ser transferido ao ter concluído o 5º ano, ou seja, a unidade oferece o 1º ciclo do ensino fundamental. Com isto, foi matriculado em outra escola para prosseguir com o estudo no 6º ano, iniciando o 2º ciclo do ensino fundamental (6º ao 9º ano).

No entanto, a mãe não ficou satisfeita com a auxiliar de educação designada para o filho na “Waldomiro Calmazini”. Ela justifica que a profissional não tem qualificação para lidar com autistas e, por isso, não estaria ajudando em nada no desenvolvimento do aluno. “Meu filho não precisa de babá. Eu pedi a troca da auxiliar na Secretaria de Educação, o pedido foi indeferido e recorri ao Ministério Público”, disse frisando que busca garantir ao filho o que está previsto na lei.

Segundo a mãe, após dias do início das aulas o filho não conhecia os professores porque a auxiliar só ficava circulando com o mesmo pela escola. Ela relata que houve descaso até mesmo para com o material escolar da criança. Diante deste cenário e da negativa da Secretaria de Educação, Lenita optou por não levar o filho à escola. “Já faz três semanas”, diz pontuando que ele não estava inserido no contexto educacional.

Para Lenita, antes do início das aulas, todos os professores do 6º ano deveriam ter sido informados de que receberiam um aluno autista e, desta forma, ficarem preparados para recepcioná-lo. “Meu filho é alfabetizado, tem o desenvolvimento psicológico de um Asperger (síndrome neurobiológica, enquadrada dentro do Transtorno do Espectro do Autismo), assimila o conteúdo e consegue aprender, mas precisa de alguém que o ajude neste entendimento”, reforça. Ela diz ainda que a explicação da Pasta é de que, de fato, a auxiliar deve ajudar na higiene e na alimentação, porém não foi dada explicação relacionada à aprendizagem. Lenita diz que como mãe quer o melhor para o filho e busca a inclusão em todos os sentidos. “Só que no papel é uma coisa e no dia a dia é outra”, avalia.

reclamacao secretaria educacaoSem resposta da Pasta e na tentativa de falar com a secretária de Educação, Célia Maria Mamede, Lenita diz ter ido ao local e ainda assim não foi recebida. Ao começar exigir uma resposta da Educação, ela diz que funcionários foram acionados para gravar a cena com o uso de aparelhos de celular.

 

EDUCAÇÃO

A Secretaria Municipal de Educação contestou as colocações da mãe. Foi explicado que a Emef “Waldomiro Calmazini” chegou a registrar B. O. (Boletim de Ocorrência) porque ela teria se alterado com os profissionais. Desta forma, desde então, o aluno deixou de ir à escola.

Segundo o supervisor de ensino, Paulo Paliari, os problemas começaram ainda no 1º dia de aula, quando a mãe chegou atrasada com o filho e não gostou de ser advertida pelo ocorrido. Neste dia, uma auxiliar de educação inclusiva jovem é quem havia sido designada para cuidar do aluno. De antemão, a mãe já disse não ter gostado da profissional e adiantado que não daria certo.

Atendendo a um pedido da mãe, a escola disponibilizou ao aluno uma profissional mais experiente e igualmente capacitada como a anterior, porém mais velha e, aliás, mãe de filho especial. Todavia, novamente houve problemas. “Esta auxiliar se apresentou e pediu que o aluno pegasse a bolsa, o que já desagradou a mãe que fez um escândalo”, colocou. Foi quando houve o registro do B.O. Desde o ocorrido, o aluno não voltou às aulas.

EMEF Waldomiro CalmaziniSobre a alegação de que a profissional só ficava andando com a criança pela escola, Paulo disse que a atitude é recomendada quando a criança está muito agitada e não consegue ficar em sala de aula. “O material molhou na bolsa porque foi mandado suco gelado e a garrafa suou”, justificou. O supervisor explica que esta é uma nova fase para o aluno e que demanda tempo para se habituar à nova escola. Isto porque, além desta mudança física, ele passa a contar com nove professores, enquanto tinha quatro no ciclo anterior.

 

 

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