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“Luz que Anda” leva música aos hospitais

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Um grupo que tem em comum o prazer de cantar e/ou tocar algum instrumento. De forma resumida é assim que podemos definir os integrantes do projeto “Luz que Anda” que leva música aos hospitais de Mogi Guaçu. Idealizado pela psicóloga Magda Moraes, o projeto foi criado faz alguns anos, desenvolvido e, agora, retomado.

A proposta é levar música a cada 15 dias ao Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos”, Santa Casa de Misericórdia e Hospital São Francisco, entre outros. O “Luz que Anda”, como o nome sugere, percorre os corredores, adentra alguns setores, como oncologia, UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e as recepções também dos serviços de pronto atendimento das unidades.

O repertório é eclético e o coro conta com violão e sanfona. Tudo para complementar o som que tem o propósito de levar conforto aos pacientes e familiares. É a musicoterapia.

 RETORNO

Psicóloga relata experiência emocionante

Uma das novas integrantes do “Luz que Anda” é a também psicóloga Tristana Cezaretto que relata ter se emocionado na primeira visita feita à UTI (Unidade de Terapia Intensiva). “O paciente não tinha condições de bater palmas, mas falando baixinho pediu mais uma música e agradeceu muito a todos nós. Era um senhor, já idoso. Isso me tocou muito. Foi emocionante”, comenta. Aliás, ela relata que os pacientes da UTI são os que sempre pedem para ouvir mais uma música.

Tristana

Ou seja, se o trabalho busca levar alegria aos pacientes, também tem o lado de levar os próprios integrantes à reflexão. E a psicóloga conta que o grupo também fica atento ao clima do local, mudando o ritmo, caso analisem necessário. Afinal, o olhar clínico é importante em vários momentos, pois trata de um trabalho de musicoterapia em ambiente hospitalar que é cercado por vários fatores.

Foi o que aconteceu em uma das apresentações na recepção de um hospital. No local estavam familiares de uma paciente internada em decorrência de um acidente no qual havia ocorrido mortes. A Gazeta estava neste dia acompanhando ao “Luz que Anda” e observou a emoção dos visitantes ao ouvirem uma das músicas e, ao mesmo tempo, o quanto aplaudiram o grupo. Após uma música que tocou a todos, os visitantes foram às lágrimas e, em seguida, o ritmo mudou e o clima idem.

O “Luz que Anda” é dividido em dois grupos que se revezam nas visitas quinzenais. Tristana pontua que todos são voluntários e que muitos sequer se conheciam. “Um foi chamando o outro e cada um foi cedendo um pouco de tempo para o projeto”, comenta.

Organizados, as músicas compõem um caderninho e são ecléticas. Afinal, o projeto não tem cunho religioso.  São as psicólogas que apresentam o trabalho às direções dos hospitais na busca do aval para o desenvolvimento da atividade. Em geral, cada visita leva cerca de duas horas, passando por vários setores dos hospitais.

Tristana comenta que, em outubro, o grupo terá uma nova experiência. Irá ao Hospital Boldrini, em Campinas, referência no atendimento de crianças com câncer. Será o “Luz que Anda” na programação do Dia das Crianças.

NA FACULDADE

Magda iniciou projeto como parte de estágio obrigatório em hospitais

O estágio em hospitais faz parte da grade curricular do curso de psicologia. E foi esta atividade que levou Magda Moraes a idealizar o projeto “Luz que Anda”. O receio de estar em um hospital, especialmente de ter de estagiar na UTI ou na oncologia, acompanhava à época a universitária. Mas Magda não fugiu – e nem podia – desta etapa. Encarou, começou o estágio hospitalar, conheceu outras ações desenvolvidas junto aos pacientes, mas foi o “acaso” que a levou a idealizar o seu próprio projeto.

Magda

A psicóloga conta que, após o estágio, na saída de um hospital deparou-se com um senhor tocando violão. Perguntou o que estava fazendo ali e o homem explicou que era músico, havia se aposentado e resolveu tocar ali. Foi o start para o “Luz que Anda”, projeto criado em 2004. “Em um primeiro momento existe resistência, não se consegue muito acesso, mas a música quebra objeções do paciente e da equipe”, comenta sobre a abertura dos hospitais.

Por outro lado, Magda ressalta que existe uma grande preocupação do projeto, tanto que todos os integrantes passam por um crivo, fazem treinamento e participam de ensaios. “É importante todo este cuidado porque estamos indo aos hospitais. Daí a preocupação com a saúde de todos”, diz referindo-se até mesmo a parte emocional dos membros. Afinal, adentrar a UTI ou o setor de oncologia nem sempre é enfrentando com serenidade por todos.

Vencidas as etapas, o integrante está apto a participar do “Luz que Anda” que já enfrentou objeções, mas aos poucos teve o valor e a seriedade do trabalho reconhecidos. “A música quebra objeções do paciente e da equipe”, acentua Magda. A proposta do projeto que foi retomado há quatro anos é de crescer, ter sede, oferecer cursos de música para crianças assistidas por instituições sociais, enfim expandir as andanças.

Por enquanto, o projeto tem apoio de um empresário que fez doações de squeezes que serão distribuídos às crianças assistidas pelo Hospital Boldrini. Além dele, uma integrante do “Música Sem Fronteiras” também contribuiu. “Vejo tudo isso como uma resposta de oração da equipe”, pontua Magda.

E para quem quiser ser voluntário do projeto basta entrar em contato pelo telefone (19) 997616554. Não preciso saber cantar ou tocar, basta ter tempo para doar ao próximo neste projeto de musicoterapia.

MUITO BOM

Trabalho aprovado pela assistência social

A assistente social do Hospital São Francisco, Milena Brunheroto Valério acompanhou a uma das apresentações do grupo e aprovou a iniciativa de serem procurados para a realização de um trabalho voluntário. “A música relaxa a tensão. Tem paciente que fica muito tempo hospitalizado e não recebe visitas. É comprovado que a música ajuda a acalmar, relaxar”, comenta.

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