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Leishmaniose visceral: Grupo realizará coleta de sangue de animais

Secretaria Municipal de Saúde deflagra ações em parceria com o Instituto Adolfo Lutz e Sucen

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Casos de leishmaniose visceral foram confirmados em três cães de Mogi Guaçu, sendo que dois morreram. Desde a confirmação, a situação local é acompanhada pelo Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, Sucen (Superintendência do Controle de Endemias) e DRS (Diretoria Regional de Saúde) de São João da Boa Vista, pois trata-se de doença de notificação compulsória. O assunto foi pauta de entrevista coletiva realizada na tarde da última quarta-feira (10) com a secretária municipal de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Caveanha, e a coordenadora do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), Silvana Munhoz Bueno.

Dos três cães contaminados, dois morreram por complicações derivadas da doença, ou seja, tiveram de passar por eutanásia. Havia outros dois animais com sintomas, mas ambos morreram antes da conclusão do trabalho das equipes de saúde. Com isto, não é possível afirmar que também estivessem contaminados. Todos os animais têm dono, ou seja, não são de rua. Os proprietários residem no Parque Cidade Nova, Jardim Guaçuano e na Vila Ricci, especificamente à Rua Princesa Isabel, sendo que apenas o cão deste último bairro está vivo e em tratamento.

A leishmaniose não tem cura e a maior preocupação das autoridades de saúde é a transmissão para os humanos a partir da existência do vetor que é o inseto hematófago, ou seja, que se alimenta de sangue como o flebótomos. Estes mosquitos apresentam cor amarelada ou acinzentada e suas asas permanecem abertas quando estão em repouso. São conhecidos como mosquito-palha, tatuquira, birigüi, cangalinha, asa branca, asa dura e palhinha. O mosquito é encontrado em área de lama, por exemplo, margem de rio.

leishmanioseAs suspeitas foram observadas em janeiro e, desde então, as autoridades de saúde do Estado e Município estão envolvidas no trabalho de detalhamento da situação. A informação não foi divulgada anteriormente porque, segundo Clara, era preciso ter as ações engatilhadas porque, caso contrário, não haveria nada de concreto para informar. Além disso, era preciso comunicar as autoridades de saúde e traçar as ações a serem desempenhadas. “No começo do ano alguns veterinários procuraram a zoonoses (CCZ) para comentarem da desconfiança de casos da doença”, explicou. A partir disto, os exames laboratoriais confirmaram a suspeita com base em todo o protocolo do Ministério da Saúde. Em 2005, Espírito Santo do Pinhal teve caso positivo da doença em cães.

EXAMES

Grupo realizará coleta de sangue de animais

Uma das ações desencadeadas é a coleta de sangue dos animais que existem ao entorno da área do domicílio dos cães contaminados. O trabalho começará pelo Jardim Guaçuano e deve ser realizado na próxima quarta-feira (17), a depender de confirmação da equipe do Instituto Adolfo Lutz. A ação envolverá alunos do curso de Medicina Veterinária de Espírito Santo do Pinhal e alunos de Enfermagem da Faculdade Municipal Professor Franco Montoro, além de 15 veterinários voluntários.

Clara adianta que haverá distribuição de material explicativo sobre a doença, sendo que todas as clínicas veterinárias serão visitadas por profissional especialista na doença. A finalidade é esclarecer dúvidas destes profissionais e orientar a como identificar as lesões. “Já tivemos uma primeira reunião hoje (quarta) e todos se dispuseram a ajudar”, disse apontando que médicos também serão informados da situação.

Um dos agravantes, segundo a secretária, é que a doença pode ser assintomática, porém os principais sintomas são: apatia, perda do apetite, emagrecimento progressivo, feridas que demoram a cicatrizar (corpo, focinho, orelhas, articulações e cauda). A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, pois acomete vários órgãos internos, principalmente o fígado e o baço. A doença não tem cura e a vacina não é 100% eficaz.

Uma forma de proteger os cães é usando coleiras que repelem o mosquito-palha. O custo médio é de R$ 60, sendo que deve ser trocada a seis meses. Mas os donos de cães contaminados podem ter alto custo com o tratamento do animal, em média de R$ 2 mil/ ao ano. Além disso, é preciso avaliação a cada quatro meses.

 

MOSQUITO-PALHA

Outra ação a ser desenvolvida é a colocação de armadilhas para captura do mosquito-palha, ou seja, detectar se, de fato, há circulação destes insetos  nas áreas em que há casos positivos da doença.

A secretária de saúde explicou que Mogi Guaçu é endêmica para outro tipo de leishmaniose, a tegumentar. Os estudos da doença começaram em 1979, através da Sucen. À época, observou-se a existência do mosquito-palha na área próxima da cachoeira e às margens do rio, especificamente no Distrito de Martinho Prado Junior. “É doença do meio do mato, nunca tivemos casos urbanos”, pontua alertando que há tipos diferentes da leishmaniose.

mosquitoFIQUE POR DENTRO

O que é leishmaniose visceral?

É uma doença grave causada pelo parasita Leismania Chagasi que, se não tratada, pode evoluir para a morte em 90% dos casos em humanos. Idosos, crianças e imunodeprimidos têm maior risco de desenvolver a forma grave da doença. 

Como a doença é transmitida para o homem?

Somente através da picada da fêmea do flebótomo, um inseto muito pequeno (com menos de 3 mm), quase transparente, conhecido como mosquito-palha, que tenha se alimentado do sangue de um animal com leishmania chagasi.

Controle

O mosquito palha de reproduz em locais sombreados com acúmulo de matéria orgânica em decomposição. É recomendado:

– Embalar adequadamente o lixo

– Evitar a criação de porcos e galinhas em área urbana

– Manter a casa e o quintal limpos e livres de fezes de animais, frutos em decomposição e restos de madeira

– Realizar a poda periódica de árvores, recolhendo folhas e frutos

– Vedar bem as composteiras

– Usar roupas adequadas, como boné, camisa de manga comprida, calças e botas, quando permanecer em área de mata ou no entorno, especialmente a partir das 17 horas, horário de maior atividade do mosquito-palha.

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