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Lanzi: Funcionários votam pelo direito de greve

A medida pode ser tomada caso a empresa não aceite a contraproposta feita pelos funcionários durante assembleia

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Está prevista para a próxima segunda-feira (15), às 14h00, uma reunião entre a diretoria do Sindicato dos Ceramistas e da Construção Civil e a da Cerâmica Lanzi. Na ocasião, os sindicalistas vão apresentar a pauta contendo as contrapropostas aprovadas pelos trabalhadores da cerâmica durante assembleias realizadas na última quinta-feira (11). O Sindicato está conduzindo as negociações devido ao atraso nos salários e também de outros benefícios, como 13º, férias, PLR e Fundo de Garantia.

“Fizemos três assembleias para atingir todos os funcionários da Lanzi e todos os itens da pauta foram discutidos. Os funcionários fizeram uma contraproposta para a empresa e vamos discutir com a empresa para termos uma decisão final sobre o assunto”, explicou o diretor do Sindicato, Jair Silvestre.

Diversos itens foram discutidos, sendo o principal o parcelamento do salário ao longo do mês. A medida não foi aceita pelos trabalhadores. “Eles não aceitam o parcelamento do salário, e nos demais itens eles apresentaram nova proposta”.

assembleia ceramica lanzi sindicato ceramistaO primeiro item discutido foi com relação ao reajuste da categoria. A empresa propôs 1,83%, mas a partir de janeiro de 2018. Os funcionários aceitaram o percentual proposto, mas querem que o pagamento seja retroativo a outubro, data base da categoria. O segundo item foi justamente o pagamento parcelado do salário, o que também não foi aceito. Os funcionários querem receber de acordo com o que prevê a convenção coletiva de trabalho. Dia 15 de todo mês o adiantamento e no dia 30 o salário.

A Cerâmica Lanzi propôs pagar o 13º em atraso em cinco parcelas, a partir do dia 20 de janeiro, mas os funcionários propuseram o pagamento em apenas duas parcelas, sendo 20 de janeiro e 20 de fevereiro. O quarto item é com relação a última parcela no valor de R$ 100 do PLR que não foi cumprido pela empresa. A Lanzi propôs pagar no dia 28 de fevereiro, mas os trabalhadores querem o pagamento no dia 30 junto com o salário.

O sexto item é sobre o pagamento das férias, pois a empresa propôs pagar até 15 de março, mas esse caso será discutido individualmente. “Cerca de 30 funcionários não receberam as férias, então, vamos discutir esse item com cada um deles para ter uma proposta”, informou Silvestre.

O último item da pauta foi o tópico da aprovação e discussão do direito de fazer greve, que acabou sendo aprovado pela maioria dos funcionários. “Se não houver um retorno ou acordo com a empresa, a maioria concorda com o direito de fazer greve. Só chegou nesse ponto porque a conversa com a empresa parou”, ressaltou Jair Silvestre.

Jair
Jair

Outro lado

O diretor da Cerâmica Lanzi, Luís Antonio Lanzi, conversou com a Gazeta sobre as assembleias realizadas pelo Sindicato. Ele confirmou o parcelamento do salário e também os atrasos. “Sempre tivemos de portas abertas para discutir com os funcionários e com o Sindicato. Estou me sentindo traído, pois gostaria de ter ouvido o pessoal junto com o Sindicato. Aqui é uma empresa familiar e, por isso, sem fluxo de caixa os atrasos acontecem”, informou.

O empresário disse que aguardaria a contraproposta dos funcionários para discutir os itens. “Nós tivemos uma máquina quebrada em dezembro e nosso faturamento caiu 40%, e por conta disso ficamos com o fluxo de caixa combalido. Mas vou aguardar as propostas e discuti-las. Tenho que ter a opção de aceitar as proposta antes de uma greve”, afirmou.

SEM GARANTIAS

Operador de empilhadeira tinha o sonho de aposentar

 A reportagem acompanhou as discussões da primeira assembleia na quinta-feira (11). O descontentamento dos funcionários era evidente, assim como o posicionamento da grande maioria em querer receber os benefícios o quanto antes.

O operador de empilhadeira Reinaldo Veri foi um dos funcionários que procurou a Gazeta logo após o término da assembleia. Ele disse que tinha o sonho de aposentar na Cerâmica Lanzi. “A cerâmica já foi uma empresa boa para trabalhar. Hoje parece uma assembleia de político, pois prometem e nada cumprem. Quase dois anos vem ocorrendo atrasos e estou lá há cinco anos. Pensei que fosse aposentar lá”, disse.

assembleia ceramica lanzi sindicato ceramistaO funcionário contou que a falta de informação prejudica ainda mais qualquer tipo de relação com a empresa. “As propostas não são cumpridas e falta informação das datas de pagamento. Daí, agora, querem parcelar nosso salário. Natal e Ano Novo passamos sem receber um real da empresa. Até a refeição foi afetada, pois outro dia comi pão com ovo e uma fatia de limão, pois a única opção era macarrão alho e óleo”.

Veri espera que a empresa aceite as propostas dos funcionários e que o cenário mude nos próximos meses. “Espero que todos tenham o mesmo objetivo e, se a empresa não ajudar, não tem acordo. Vamos entrar em greve”, finalizou.

A Cerâmica Lanzi conta com 328 funcionários e o presidente do Sindicato, Paulo de Tarso, lembrou que a empresa está em recuperação judicial. “70 funcionários foram demitidos desde setembro e estamos acompanhando os casos, pois as rescisões também foram parceladas. Sabemos das dificuldades da empresa, mas o trabalhador não pode ser prejudicado”, ressaltou.

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