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Jubileu de 300 anos é marco para os católicos

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Já faz 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul. A data é, sem dúvida, um marco para os católicos. Afinal, é a festa do Jubileu de 300 anos de bênçãos daquela que é considerada a Padroeira do Brasil. São muitos os milagres atribuídos a Nossa Senhora Aparecida e quem os recebeu faz questão de enfatizar a devoção àquela que trouxe alívio no momento de sofrimento.

Em Aparecida, as comemorações tiveram início no dia 12 de outubro de 2016, mas desde o ano de 2014 uma imagem fac símile da Padroeira é enviada a diversas arquidioceses. Missionários Redentoristas visitam as capitais do país, que estão recebendo a visita da imagem peregrina, para recolher uma porção de terra que irá compor a coroa especial de Nossa Senhora Aparecida.

Dentre as obras que homenageiam o tricentenário está o Campanário com sinos fabricados na Holanda e a grandiosa Cúpula da Basílica, que será inaugurada na quarta-feira (11). Aqui, em Mogi Guaçu, a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Novo I, também iniciou os preparativos para o dia 12.

CURA PELA FÉ

Carmen atribui milagre à Padroeira

Há um ano, a família Medeiros viveu um pesadelo. Foi quando adoeceu Keli Maria Medeiros, 34, a filha caçula de Maria Carmem Castro Medeiros, 55. A situação se agravou tanto que os médicos ficaram desacreditados da recuperação da jovem. Mas, o tempo todo, Maria Carmem colocou a filha sob os cuidados de Nossa Senhora Aparecida.

Maria Carmem
Maria Carmem

Tudo começou com uma tosse seguida de falta de ar. O primeiro diagnóstico foi de bronquite, mas logo depois houve a constatação de derrame pleural. A jovem estava com uma lesão grande no pulmão, o que necessitou da retirada de líquido, seguida de uma série de exames. O maior problema é que não se descobria a causa de tanto líquido no pulmão, pois chegaram a retirar até mais de 1 litro por drenagem.

Como ainda não havia diagnóstico, veio a suspeita de tuberculose e depois de câncer. Em dezembro do mesmo ano, a jovem foi internada para exames e teve alta em 23 de dezembro, mas ainda nenhuma novidade sobre o diagnóstico. Neste período, o médico que a assistia saiu em férias e a jovem foi a outro profissional. Em janeiro de 2017, Keli foi internada, colocou dreno e ficou 23 dias na Santa Casa de Misericórdia de Mogi Guaçu. A drenagem chegou a resultar em 1,2 litro por dia. Foram 23 dias de internação. E nada de diagnóstico. “Os médicos já estavam desacreditados”, recorda a mãe.

Entre os exames realizados, o ginecológico apontou um cisto no ovário, o que acreditava se tratar de câncer. Foi mais um baque para Maria Carmem que seguia firme em seus pedidos junto à Padroeira. “O medo era de que todo o órgão estivesse tomado pela doença. Ela foi operada, retirou o ovário e a trompa. Os exames foram realizados e a suspeita de câncer não foi confirmada”, recorda.

multi nossa senhora

O alívio veio e, por outro lado, mais uma vez a pergunta: o que ela tem? Maria Carmem conta que tudo foi investigado e na tomografia do fígado constatou-se um problema vascular que gerava líquido e “jogava” no pulmão. Foi quando a jovem seguiu para Piracicaba para outro tratamento quando o médico constatou que havia o risco de o líquido ir para o cérebro. “E sugeriu o transplante do fígado que deveria ser feito em São Paulo ou Campinas. O médico de Piracicaba conseguiu a transferência para a Unicamp e passou o caso para uma médica de lá que se interessou pelo quadro porque nunca havia visto algo parecido”, comenta Carmem.

De Piracicaba, a jovem seguiu para Campinas onde foram feitos mais exames. O uso de diuréticos foi outra forma encontrada para sanar o problema do líquido, mas poderia trazer consequências aos rins. Afinal, as dosagens seriam altas. Os rins de Keli responderam de forma excelente ao tratamento com diurético e o líquido dos pulmões cessou. Depois de uma semana internada no Hospital das Clínicas da Unicamp, a notícia não podia ser melhor: Keli não precisaria mais do transplante de fígado.

O SINAL

Mãe pede para ver no céu manto da Padroeira

Durante toda esta peregrinação da filha por médicos e hospitais, Maria Carmem manteve-se firma na fé. Ainda na Santa Casa, ela olhava para o céu e pedia a Nossa Senhora Aparecida que mostrasse o manto no céu em sinal de que tudo correria bem com a filha. Foram dias esperando pela aparição e nada! “Já estava achando que não era merecedora, mas um dia ao fechar a janela senti uma pancada no dedo. Quando olhei, ali estava o que tanto pedi: o manto de Nossa Senhora em minha unha”, relata mostrando a fotografia que tirou com o uso de um celular. Depois disso, Maria Carmem disse que pôde acreditar que tudo iria acabar bem.

multiO terço sempre esteve nas mãos da mãe de Keli. Ela relata que em nenhuma das dezenas de noites mal dormidas sobre cadeiras nos hospitais, o terço caiu de suas mãos. “Em todos os hospitais eu ia às capelas e ficava diante do Santíssimo. E a maioria das vezes era eu e Jesus ali, diante do sacrário, falando com Deus”, lembra. Além da cura da filha, a mãe pedia força para não chorar na frente da jovem e para seguir ao lado dela sendo seu porto seguro. Neste período, Maria Carmem emagreceu 20 quilos. Afinal, cada resultado de exame era apavorante.

Atualmente, Keli ainda faz tratamento, mas as doses da medicação já diminuíram bastante e ela tem uma rotina de vida normal, inclusive voltou ao trabalho. Durante a internação na Santa Casa, mãe e filha observaram que as vestes (tipo camisolas) que o hospital fornecia às pacientes estavam gastas. Foi quando Keli disse à mãe que depois de curada, compraria tecidos para que a mãe fizesse camisolas para serem doadas ao hospital. A promessa foi cumprida. “Foi muito emocionante quando ela voltou à Santa Casa porque as enfermeiras ficaram emocionadas. Foram muitos dias de internação e as elas sabiam da gravidade do quadro”, justifica.

Este dia 12 de outubro será o primeiro dia da Padroeira após a cura de Keli. Os agradecimentos de mãe e filha começaram durante a novena e serão fortalecidos nesta quinta-feira, apesar de fazerem parte do dia a dia de fé da família. Maria Carmem participa das atividades da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Novo, onde juntamente com o marido é ministra da Eucaristia. “Ofertamos rosas no primeiro dia da novena. E seremos sempre gratos a Nossa Senhora Aparecida”, pontua.

DIA DA PADROEIRA

Missas, encenação, carreata e procissão no Jardim Novo

Todas as igrejas católicas, claro, irão festejar os 300 anos do Jubileu de Nossa Senhora Aparecida. No Jardim Novo, a festa é ainda mais especial porque o bairro abriga a paróquia que traz o nome da Padroeira. São muitos os preparativos organizados pelas pastorais. Tudo sobre a coordenação do padre Nilso Pereira Cardoso.

multi nossa senhoraAs comemorações têm início às 5h30 com a alvorada (queima de fogos) seguida de missa, com início às 6 horas. Às 7h30, acontece a benção do bolo, cujos pedaços já começam a ser vendidos aos fiéis. Outras missas acontecem às 8 horas e às 9h30.

A tradicional carreata que reúne caminhões, carros, motos e ônibus acontece a partir das 11 horas, passando pelas principais ruas e avenidas de Mogi Guaçu. O retorno à frente da igreja está previsto para o meio-dia, quando acontece a oração do Ângelus e, em seguida, a benção dos veículos. No período das 12h30 às 16 horas acontecem shows.

A encenação da pesca milagrosa, remetendo ao encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, acontece a partir das 15 horas. A missa solene será celebrada às 16 horas, com coroação da imagem seguida de procissão.

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