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Jd. Itamaraty: Moradores se unem em prol do bairro

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Em agosto de 2018, o projeto Vizinhança Solidária foi implantado na Rua João Franco Alves, no Jardim Itamaraty. A iniciativa partiu de Diego Kuhnen. Morador do bairro há 35 anos, ele teve a casa furtada em junho do ano passado e um mês depois outra residência da rua foi alvo do mesmo crime. “Após os furtos resolvi mobilizar os vizinhos para a gente se unir em prol da segurança de todos”, explicou.

O projeto foi apresentado aos moradores da Rua João Franco Alves em uma reunião que contou com a participação do comandante da 1ª Cia da Polícia Militar, o capitão Eduardo Jorge Marques. A PM presta apoio à vizinhança acompanhando as mensagens e realizando patrulhamentos e visitas.

Após a apresentação da proposta, 98 % dos vizinhos aceitaram a adesão voluntária no programa e, desde então, a comunidade passou a se comunicar em um grupo de WhatsApp criado exclusivamente para alertar quanto a pessoas estranhas e quanto a outras demandas que não têm ligação direta com a segurança, mas tem relação, como por exemplo, postes de iluminação com luzes queimadas. “Tinha uma árvore aqui na rua que o ladrão usava para pular na casa da moradora e que também prejudicava a visão dos motoristas. Não era um problema de seguranças, mas causava insegurança”, reiterou o morador que completou que a união do grupo fez a Saama (Secretária de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente) autorizar a retirada da árvore. “Foi bacana porque em troca plantamos outras oito árvores na rua”.

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Área vigiada

Os moradores que participam do projeto são identificados com uma placa afixada na frente de suas casas com os dizeres Área Vigiada pela Comunidade. Kuhnen explicou que o custo das placas deve ser arcado por cada pessoa que adere ao Vizinhança Solidária. Mas, no caso da rua dele, o grupo conseguiu patrocinadores no comércio para confeccionar as placas que seguem o padrão estabelecido na lei do programa da Polícia Militar. “A placa representa a materialização do projeto. É uma forma de destacar o cidadão do bem, de estreitar o relacionamento da PM com os moradores”.

As placas também mostram aos ladrões que naquele local os vizinhos estão unidos e atentos, tanto que desde a implantação do programa, a rua não registrou mais casos de furtos e roubos.

Para a moradora Marilda Lovo, que reside no bairro há oito anos, a união entre os vizinhos é o maior benefício causado pela implantação do Vizinhança Solidária. “Um passou a ter confiança no outro”.

No entanto, Kuhnen lembrou que a implantação do programa é um trabalho voluntário que requer persistência. “Tivemos muitos obstáculos no início. Muita gente disse que não ia dar certo, já que a rotatividade de moradores aqui é grande por conta de muitas casas de aluguel. A gente conseguiu e acreditamos que essa rede de proteção tem que se expandir”.

 

Ampliação

Benedito Afonso de Paula mora há 40 anos no Jardim Itamaraty. A rua em que ele reside, Senafonte Perina, não tem a implantação do Vizinhança Solidária, pelo menos por enquanto. Isso porque, ele procurou os moradores da João Franco Alves para se inteirar do programa. “Um dia eu vi as plaquinhas nas casas e resolvi perguntar para o Diego do que tratava aquilo”. O morador contou que por duas vezes foi vítima de assalto em sua residência. “Nas duas vezes os criminosos entraram no momento em que alguém de casa estava abrindo o portão”.

multi vizinho solidarioBenedito contou que depois vizinhos disseram que viram pessoas suspeitas sentadas na esquina da rua. “Mas ninguém tinha meu telefone para me ligar e alertar. Então, com o programa as coisas podem mudar”.

Outros seis vizinhos de Benedito já estão sabendo da intenção dele de implantar o programa na Senafonte Perina. “Eles gostaram muito da ideia”.

VIZINHANÇA SOLIDÁRIA

Programa da PM é aliado da segurança

 

Uma cidade, um Estado e um país têm o desafio diário de lidar com muitos problemas públicos que envolvem saúde, educação, lazer e segurança. A grande demanda dessas dificuldades provoca uma lacuna em cada setor, deixando o cidadão desamparado.

No entanto, muitas comunidades conseguem, através da união e do exercício da cidadania, minimizar alguns desses problemas. No campo da segurança, por exemplo, o programa Vizinhança Solidária da Polícia Militar, regulamentado na Lei 16.771/2018, oferece aos moradores de uma rua, bairro ou região a possibilidade de se fechar uma parceria com a PM com a finalidade de diminuir e até mesmo vencer a criminalidade. A adesão ao projeto é voluntária e espontânea.

No Jardim Itamaraty, os vizinhos da Rua João Franco Alves escolheram implantar o programa e em menos de um ano eles já estão colhendo bons resultados, tanto que as ações do grupo romperam a questão da segurança para outras áreas, como limpeza, saúde e bem-estar da comunidade local.

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ALÉM DA SEGURANÇA

Programa despertou cidadania nos vizinhos

 

A união que o programa Vizinhança Solidária gerou nos moradores do Jardim Itamaraty está fazendo com que o grupo passe a se preocupar de forma diferente com o bairro. Os problemas recorrentes que estão por toda a cidade e nem sempre são supridos pelo Poder Público passam a ganhar uma nova solução, já que a vizinhança escolheu assumir o papel de cidadão atuante. Assim como em muitas regiões, o Jardim Itamaraty enfrenta problemas de falta de coleta de entulho, falta de poda de árvores em torno de prédios públicos e descarte irregular de lixo em terrenos baldios.

Por essa razão, o grupo já tem projetos que visam solucionar demandas como estas. De acordo com os moradores, a escola estadual “João Pessoa Maschietto” e a UBS (Unidade Básica de Saúde) “Dr.Waldomiro Girard Jacob” do bairro, que ficam lado a lado na Rua Sebastião Bueno, têm ao seu entorno muitas árvores que há tempos precisam ser podadas. “As árvores fecham a visão da localidade. Com isso, os dois prédios ficam vulneráveis, sendo que a UBS sempre é furtada”, relataram.

multi vizinho solidarioPara conseguir fazer a poda das árvores será necessário contratar uma empresa particular. Por conta disso, os moradores precisam levantar um valor de R$ 7,5 mil. “Vamos junto com o grupo do grêmio da escola vender rifas de pizza”, explicou Diego Kuhnen que pontuou que a cidadania abre a mente em benefícios de todos. “Não é porque meu filho não estuda na escola do bairro ou porque eu não uso o posto de saúde que eu não vou me solidarizar com as causas”.

Com isso, eles darão início na ação e também estarão inserindo os alunos da escola na cidadania do bairro. Uma rua sem pavimentação, com características de um terreno baldio, fica bem no meio da escola e do posto de saúde. O local, segundo a vizinhança, virou ponto de descarte irregular de lixo. “Vamos trabalhar para conseguir na Prefeitura autorização para fazer um estacionamento no espaço e logo atrás deve ser executada uma horta comunitária. Já ganhamos os primeiros materiais para a horta”, comentou Kuhen.

Os moradores do Jardim Itamaraty ainda pretendem até o final deste ano plantar 300 árvores pelo bairro. “Se o movimento ganhar força a gente consegue deixar de ser refém do Poder Público para passar a ser um cidadão protagonista”.

A moradora Catarine Aparecida Oliveira enfatizou que tudo é questão de reflexo. “Se cada um fizer a sua parte como cuidar do seu lixo e limpar a calçada vai despertar no outro a mesma atitude”.

Outra ação dos moradores tem sido a coleta de garrafas pets que podem ser deixadas na escola “João Pessoa Maschietto”. O material reciclável será usado para a confecção de decorações natalinas no final do ano.

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