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Janaína e amigos criaram “Natal dos Órfãos”

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Em Boston (EUA), o cenário de Natal é aquele que costumamos ver nos filmes: neve, presentes, luzes e decoração incrível. E só. Isto é o que conta Janaína dos Reis Costa, 33 anos, que deixou o Brasil há sete anos para aprimorar o inglês e também cursou Relações Internacionais, em Harvard. Longe de casa, ela e os amigos decidiram ficar um pouco mais próximos das comemorações de Natal do país de origem e inventaram o “Natal dos Órfãos”.

A ideia surgiu em 2008 como uma tentativa de troca de calor humano, de abraços, de felicitações, ou seja, tudo muito diferente do estilo dos norte- americanos. Janaína conta que ela e os amigos estavam na mesma situação: longe de casa e sem a família. Assim, o “Natal dos Órfãos” os aproximava do Natal que estavam acostumados a festejar, com ceia e trocas de presentes na noite de 24 de dezembro.

Multi Natal Boston
Janaína dos Reis Costa

“Eu costumo dizer que pagamos um preço alto em viver longe de casa. Aprendemos a fazer um milhão de coisas, mas o que a gente nunca aprende é a lidar com a saudade”, sentencia Janaína. Ela diz que, durante todo o ano, com a correria do dia a dia, muitas vezes, nem se dá conta de que o ano está passando. Isto muda com a proximidade do Natal. “É uma das piores épocas, pois a saudade dói. A falta da família e dos amigos é grande”, pontua.

Para Janaína, o Natal norte-americano só tem mesmo cenário perfeito: neve, frio, decoração, luzes e presentes. Isto porque, eles não têm a cultura de celebrar a véspera de Natal (24 de dezembro). “Aqui, o costume é de irmos para a cama cedo, sem comemoração nenhuma. Na manhã de Natal, acordarmos cedo e–ainda usando pijamas– abrimos os presentes, tomando chocolate quente com a neve caindo lá fora”, detalha.

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Os festejos acontecem mesmo no dia 25 de dezembro, com almoço entre as famílias, mas com um cardápio bem diferente da ceia brasileira. Com isto, o peru não aparece no almoço ou jantar. Janaína conta que a ave é tradicional no jantar de Thanksgiving Day (Dia de Ação de Graças), que acontece no fim de novembro. No almoço de Natal outros pratos vão à mesa, como presunto, pernil ou comidas étnicas. “A mistura de raças é muito grande”, atenta Janaína. O panetone, outra guloseima tradicional no Natal brasileiro, quase não se encontra nas mesas americanas. O produto é encontrado apenas em lojas brasileiras.

Multi Natal BostonADAPTAÇÃO
Tem que ter árvore de Natal

Logo que mudou para os Estados Unidos, Janaína morou com uma família, onde o homem era italiano e a mulher russa. Portanto, não havia nenhuma comemoração. “Os russos são muito frios e não se misturam muito com outras pessoas, principalmente aos brasileiros”, comenta.

Atualmente, ela tem namorado e a família tenta se adaptar à cultura da futura nora brasileira. Com isto, a árvore de Natal passou a ser montada e a comemoração busca ser a mais próxima possível daquela que Janaína tinha com a família no Brasil.

Algumas diferenças ainda persistem. A árvore de Natal, por exemplo, costuma ser natural, pois as famílias vão às fazendas onde escolhem o exemplar. Já as crianças aprendem na escola músicas tradicionais natalinas. E, em alguns Estados, os pequenos e até famílias cantam canções na porta do vizinho, em casas de repouso ou no hospital. “Você diz que vai ‘Christmas Caroling’”, ensina Janaína.

Uma tradição americana é a casinha de biscoitos de gengibre que pode ser comprada em kits para montar e decorar com as crianças em casa. Isto sem falar nas “stockings”, que são aquelas meias de Natal que os americanos penduram na lareira. Os americanos também costumam fazer cookies variados de Natal.

Multi Natal Boston

Em relação aos presentes, os giftscards (vales-presente) são preferências nacional. Assim, cada um compra o que quer ou precisa. Janaína também estranhou o fato de se presentearem com comidas. Ela conta que há muitas embalagens de queijos, frutas, chocolates, biscoitos, vinhos, doces e até pipocas, especialmente decoradas para o Natal. E os americanos também costumam comprar muitos presentes. “No meu primeiro Natal com a família do meu namorado, confesso que fiquei meio chocada. Ganhei mais de 30 presentes”, recorda Janaína.

E, assim, os norte-americanos comemoram o Natal!

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GAZETA GUAÇUANA, 24 de dezembro de 2015

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