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Investimento demorado com consequência

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A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o período de 2011 a 2020 como “Décadas de Ações para a Segurança no Trânsito”. A ação envolve 150 países num esforço conjunto para a redução dos acidentes de trânsito, um problema que afeta todas as nações do mundo e que cresce vertiginosamente. As estatísticas mundiais indicam o tamanho dos desafios que governos e sociedades ainda têm pela frente. Até agora, pouco coisa mudou. Segundo estudos do Conselho Nacional dos Municípios (CNM), a média brasileira de óbitos causados por acidentes proporcionalmente à população é muito superior à dos países mais desenvolvidos. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas no trânsito, atrás da Índia, China, EUA e Rússia.

Os órgãos municipais não contam com estatísticas atualizadas sobre as mortes no trânsito. Mas a Gazeta com frequência acompanha os casos, como o atropelamento fatal registrado no início desta semana. As ocorrências assustam e traz preocupação, principalmente as provocadas por imprudência e irresponsabilidade dos motoristas nas vias urbanas e nas rodovias. É preciso que a educação no trânsito seja levada mais a sério pelos governantes. Um investimento necessário para evitar um cenário de mais mortes.

As ocorrências de trânsito refletem um conjunto de fatores estruturais da cidade, que incluem a prioridade concedida aos automóveis nas vias públicas, a total ausência de investimentos na questão da mobilidade urbana, a falta de um banco de dados relativos aos acidentes de trânsito- principal entrave ao desenvolvimento de estratégias para combater o problema.

Mogi Guaçu cresceu, assim como sua frota de veículos. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota atual é de 108.106 veículos com uma população estimada em 148.327. A taxa de motorização é de 1,37 habitantes por veículos. Quais melhorias viárias foram feitas nos últimos anos? Como a cidade se preparou para atender essa demanda? São perguntas que precisam ser respondidas pelos governantes da cidade. O município tem a mesma estrutura para atender uma frota 228,99% maior do que a registrada em agosto de 1999, quando contava com 32.859 veículos. A Prefeitura tenta conseguir um financiamento para obras de mobilidade urbana que prevê, por exemplo, construção de pontes, de viadutos, alargamento de vias e pavimentação. Que a resposta positiva possa vir logo e que essas obras realmente sejam prioridades desta Administração. A cidade necessita de investimentos para salvar vidas. Além das obras, uma campanha de conscientização sobre os riscos da velocidade e da imprudência que possa atingir a população. Que as dezenas de manchetes que estampam imagens de carros destruídos, jovens mortos e pais desesperados os chamem não só para a reflexão, mas também à ação.

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