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Inverno: Prevenção ainda é o melhor remédio

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O inverno chega e traz com ele algumas doenças: gripes, resfriados e problemas alérgicos entre outros comuns nesta época do ano. A estação mais fria do ano é pontuada pela baixa umidade do ar e as mudanças bruscas de temperatura que levam a retirada dos casacos e cobertas dos armários. E aí já começam os problemas para os alérgicos. Mas como lidar com tudo isso? O otorrinolaringologista Thiago Zago assina coluna com dicas preciosas e que destacam a importância da prevenção, o que inclui a vacina antigripal.

E quem tem alérgicos em casa já aprendeu a lidar com o período e diz que seguindo as recomendações é possível enfrentar com saúde a estação mais fria do ano. Este é o caso de Maria Elisa Vieira Rodrigues avó de Lorena de Sousa, 7, que é alérgica. Apesar de todos os cuidados, este ano, uma tosse seca colocou a família em alerta. A pequena foi diagnosticada com coqueluche, doença mais comum no final do inverno, mas que chegou com o início da estação.

ATENÇÃO REDOBRADA

Família cerca Lorena de cuidados, especialmente na época do inverno

Lorena de Souza, 7, sabe muito bem o quanto é ruim ficar doente e enfrentar os incômodos da rinite. “É bem chato”, observa a pequena faz careta para as inalações. O procedimento é uma das formas de cuidar da saúde da pequena, assim como o uso de umidificador. Na casa, nada de tapetes ou cortinas. Tudo para manter os ácaros longe dos ambientes. E no inverno a atenção da família é redobrada com Lorena, mas ainda assim este ano levaram um susto quando a menina foi diagnosticada com coqueluche. A doença costuma acontecer no final do inverno, mas chegou mais cedo.

Maria Elisa conta que os cuidados com a neta Lorena são redobrados
Maria Elisa conta que os cuidados com a neta Lorena são redobrados

A avó da menina, Maria Elisa Vieira Rodrigues, conta que no início deste ano, no mês de fevereiro, a neta foi operada das amídalas e da adenoide. Com a cirurgia as infecções de garganta cessaram. As obstruções nasais e demais problemas decorrentes da inflamação da adenoide também acabaram. “Ela já está muito melhor do que antes. A rinite a gente vai controlando com as dicas do médico”, comenta sobre ingerir muito liquido e umidificar as narinas. E, claro, manter os ambiente limpos, livres de poeira, o que inclui não ter tapetes e cortinas, por exemplo. Antes das cirurgias, a avó lembra que Lorena tinha ainda fortes dores de cabeça.

No inverno, os pais e avós redobram a atenção, evitando que a menina tome bebidas geladas, ande descalça e frequente os ambientes fechados e com aglomerado de pessoas. Tudo em nome do bem-estar da pequena.

 

SUSTO

Mas, no mês de maio, Lorena começou com tosse seca e persistente. Passou por atendimento em clínicas e hospital, tomou vários xaropes, mas nada de melhorar. “Foi quando decidimos procurar o doutor Thiago, que tinha feito as cirurgias, para ouvirmos uma a opinião dele. Ele desconfiou de coqueluche, pediu o exame e a doença foi diagnosticada”, conta lembrando que foi um susto, Lorena ficou três dias internada e tomou antibióticos por 12 dias.  “Ficou no isolamento mesmo”, frisa a avó. Vale pontuar que a carteira de vacinação da pequena sempre esteve em dia, o que inclui a imunização contra coqueluche.

 

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Lorena está curada e já pôde viajar para curtir as férias com a família em Natal (RN), mas antes de embarcar, mais uma vez, a avó levou a neta ao médico para orientações. Afinal, estava partindo para um Estado com outro clima. Depois das recomendações médicas, a família seguiu mais tranquila para o passeio.

COQUELUCHE

Sintomas e tratamento

A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, transmissível e de distribuição universal. É provocada pelo bacilo Bordetella pertussis e compromete especificamente o aparelho respiratório, o que inclui traqueia e brônquios.

gripeA2Os principais fatores de risco para coqueluche têm relação direta com a falta de vacinação. Nas crianças a imunidade à doença é adquirida quando elas tomam as três doses da vacina, sendo necessária a realização dos reforços aos 15 meses e aos quatro anos de idade.

A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto do doente com uma pessoa suscetível, por meio de gotículas de secreção eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar.

Os sintomas da coqueluche são mal-estar geral, corrimento nasal, tosse seca e febre baixa. Com o passar dos dias, a tosse passa de leve e seca para severa e descontrolada. Com isto, pode comprometer a respiração. Ao puxar o ar, pode haver o sinal de um grito agudo. A crise de tosse pode provocar vômito ou cansaço extremo. (Com informações do Ministério da Saúde).

DOENÇAS DO INVERNO

Saiba quais as doenças mais comuns nessa época do ano e como tratá-las

Com a chegada do inverno, quedas de temperatura e com a diminuição da humidade relativa do ar, há um aumento na ocorrência de doenças do trato respiratório. Outro agravante no período do inverno é o comportamento das pessoas de frequentarem mais locais fechados com pouca circulação de ar, o que facilita a transmissão de infecções respiratórias que são transmitidas pelo ar e por gotículas de saliva, como gripes, resfriados, pneumonias e sinusites agudas.

Também nesta época do ano é comum o uso de cobertores e roupas de frio que passaram a maior parte do ano guardada acumulando ácaros, o que pode desencadear crises alérgicas em pacientes alérgicos e piora de doenças como rinite, asma e bronquite. Devido a esses fatores há um aumento na mortalidade em pacientes com problemas respiratórios crônicos, grávidas, imunossuprimidos e pacientes em extremos de idade, como crianças e idosos.

Thiago Zago
Thiago Zago

A influenza A ou gripe A, que possui no Brasil um programa de imunização anual, tem uma grande capacidade de mutação, o que torna difícil a produção de vacinas. Dessa forma, todo ano a vacina é baseada nas principais cepas circulantes e mais agressivas. Os sintomas dessas infecções e crises alérgicas incluem crises de espirros e congestão nasal, coceira no nariz e nos olhos, tosse e febre, principalmente nos casos infecciosos. O tratamento adequado desses quadros é fundamental. Dessa forma, é importante procurar um médico para ter o diagnóstico e tratamento correto e não se automedicar.

Para tentar diminuir o impacto do inverno sobre o trato respiratório é importante:

– evitar espaços fechados e com aglomeração de pessoas. Dar preferência a ambientes mais arejados;

– lavar bem as mãos;

– hidratação;

– colocar roupas e cobertores no sol antes de usá-los para diminuir o número de ácaros;

– manter o tratamento correto para os pacientes com problemas respiratórios e alérgicos crônicos.

E o mais importante, não se automedicar. Procure seu médico para uma avaliação e tratamento adequados principalmente na presença de sinais de alarme como:

– tosse persistente;

– febre prolongada;

– falta de ar;

– queda do estado geral;

Os pacientes do grupo de maior risco como idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças crônicas e imunossuprimidos devem estar ainda mais atentos.

 

*Dr Thiago Zago é otorrinolaringologista pela Unicamp com formação complementar na Universidade da Califórnia e Universidade de Harvard (EUA).

 

 

 

                                  

 

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