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Informalidade: Sucesso sem carteira assinada

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Não é nada difícil encontrá-los. Eles estão por todo o canto, dentro dos ônibus, nas esquinas, em casa, nas redes sociais e andando pelas ruas da cidade com o único objetivo: vender seus produtos e oferecer seus serviços. Estas são as pessoas que encontram em seus próprios negócios a renda mensal que tanto precisam para viver, sobreviver e ir até mais longe do que se possa imaginar, alcançando sucesso, estabilidade financeira e liberdade profissional.

A ideia de ter o próprio negócio é um fato que vem crescendo no Brasil. Muitos optam por trabalhar por conta própria em um momento de desemprego, enquanto outros ingressam nessa nova categoria para ganhar mais dinheiro e exercer uma atividade que os façam felizes. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 39,5 milhões de trabalhadores estão na informalidade no primeiro trimestre deste ano. O número corresponde a 43% da população ocupada no país. O que mostra que carteira de trabalho assinada não é mais condição de sobrevivência no mercado profissional.

Vale lembrar que atualmente em todo o Brasil mais de 13 milhões de pessoas estão desempregadas. A Gazeta conversou com uma manicure e com vendedor de espetinhos. Ambos ingressaram na informalidade para suprir certa necessidade e hoje estão satisfeitos com o rumo que suas carreiras tomaram ao longo dos anos, já que ser patrão de si mesmo também tem seus desafios.

ESCOLHA CERTA

Desempregada, Estella buscou atuar em atividade que a deixasse feliz

Há 11 anos, Estella Gracini dos Santos, 31, trabalha por conta própria como manicure. Feliz com o rumo que a carreira informal tomou, ela conta que começou a fazer unhas por necessidade, já que na época em que iniciou na atividade estava desempregada e não conseguia uma nova colocação no mercado de trabalho. “No início eu queria muito dar certo como manicure, mas não imaginei que daria tão certo assim”.

Multi Manicure EstelaAinda muito jovem, dando os primeiros passos na vida profissional, ela chegou a ter um emprego com carteira assinada em uma famosa rede de lanchonete, onde atuou como atendente. No entanto, ela não permaneceu na empresa e logo iniciou as novas buscas e entregas de currículos, fase em que também trabalhou em outros lugares, mas sem conseguir a estabilidade que buscava. Com as coisas não dando muito certo, ela passou a pensar em outra forma de ganhar dinheiro. “Eu queria ter uma renda, mas fazendo algo que me fizesse feliz”.

Como sempre gostou de fazer unhas, passou a atender as primeiras clientes em sua casa e, com o passar dos anos, Estella aumentou seus atendimentos e consequentemente a sua renda mensal. “É preciso perseverar e se dedicar em oferecer um bom serviço”. Para a manicure, o grande desafio do mercado informal é abrir mão de ter os benefícios oferecidos pelo vinculo trabalhista como férias e décimo terceiro salário, por exemplo. “Isso já chegou a me preocupar muito, mas hoje em dia eu prefiro mil vezes ter meu próprio negócio e sou a prova viva de que dá certo”.

A jovem lembra que o fato de trabalhar por conta própria não a isenta de uma rotina de responsabilidades. “Eu trabalho bastante, começo a atender bem cedo e se a cliente precisar atendo até mesmo a noite”. Além de se organizar com seus horários, a manicure paga mensalmente sua contribuição no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). “A gente tem que se precaver com o futuro e garantir esse direito que nos é dado mesmo trabalhando informalmente”.

Estella diz estar satisfeita com os resultados alcançados e tem como objetivo principal zelar por suas clientes. “Eu lutei muito para conquistar cada uma delas e sou grata a Deus por isso, afinal, elas são a fonte do meu trabalho e a cada dia eu busco oferecer o meu melhor para elas”. 

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DE PAI PARA FILHO

Sebastião assumiu o negócio de espetinhos iniciado pelo pai

O vendedor de espetinhos Sebastião Silva Juvêncio, 35, é enfático ao afirmar que todo trabalho tem suas dificuldades, seja ele formal ou informal. Com essa perspectiva ficou mais fácil largar o emprego com carteira assinada para ter o próprio negócio que surgiu após a perda de seu pai. “Não planejei abrir um negócio, mas em 2014 meu pai faleceu e eu resolvi dar continuidade nas vendas”, contou.

sesbastiao multi venda espetinhos churrascoE mesmo quando tinha um emprego fixo em um supermercado como repositor, Sebastião contou que sempre ajudava o pai com os espetinhos de forma paralela, agregando, assim, uma renda extra no orçamento mensal. “Eu cresci nesse ramo de espetinhos, trabalhando com meu pai fiquei muito preparado e experiente”.

Não à toa, o jovem vendedor conquistou espaço na cidade. Hoje em dia, ele já tem quatro barracas que ficam em pontos diferentes. Apesar de não ter planejado e não ter iniciado no ramo por estar desempregado, Sebastião diz que trabalhar por conta é ótimo, além de ser muito mais vantajoso. “Você não é funcionário, você é seu próprio patrão, você faz seu salário e cuida de seu tempo e de suas férias”, afirma o vendedor que, apesar de tudo isso, alerta que é preciso ter planejamento e responsabilidade para estabelecer todas essas questões que ficam em aberto. “Organizar um horário de trabalho é importante para o negócio dar certo, além de saber administrar tudo”.

Com relação ao salário, o jovem afirma que ganha mais do que quando era funcionário e que consegue viver bem com a venda dos espetinhos. 

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