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Índios por aqui: Pesca garantia o sustento dos pirangueiros

São raras as fotos de pescadores; ferrovia trouxe progresso

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Não é por acaso que os índios Caiapós fizeram morada em Mogi Guaçu e região. A abundância de água foi definitiva para que aqui ficassem. Afinal, os peixes eram base da alimentação dos indígenas. E o tão famoso barro taguá, serviu às igaçabas, urnas funerárias. 

“Mais tarde, por ocasião da descoberta de minas de ouro em Goiás, as tropas de burros que por aqui passavam abasteciam-se de águas e víveres no entreposto que aqui surgiu às margens do Rio Mogi Guaçu”, detalha o historiador Augusto César Bueno Legaspe. Em Mogi Guaçu, os tropeiros encontravam ainda o sal e o açúcar. Aqui havia ainda o posto de fiscalização do Rei de Portugal destinado à cobrança de impostos sobre o ouro. À época, o pagamento dos impostos já era burlado, escondendo o ouro dentro das imagens sacras, esculpidas em madeira. Deste fato deriva a expressão de santo do pau oco. 

jornal_indios“Com o esgotamento dos veios auríferos em Goiás, as tropas de burros que por aqui passavam foram escasseando e o pequeno povoado de Mogi Guaçu sofreu uma crise, pois sobrevivia do abastecimento das mesmas”, relata o historiador pontuando que muitas famílias ficaram na miséria.

Com isto, a saída encontrada foi dedicar-se à pesca, o que garantiu a sobrevivência dos guaçuanos daquela época. Foi quando surgiram os pirangueiros, os pescadores profissionais que eram em grande quantidade até o final do século passado.

O historiador diz que é importante pontuar que, neste hiato, entre a retirada das tropas e a “descoberta” da pesca, aconteceu a chegada da ferrovia que trouxe o progresso para a região, mas para Mogi Guaçu foi um tiro de misericórdia porque “matou” as tropas. “O povoado entrou em decadência e quase desapareceu. O rio foi a salvação”, atenta. Com a pesca, os pirangueiros garantiam o sustento da família e ainda vendiam o pescado para os passageiros que por aqui passavam.

Um fato curioso da época, explanado por Legaspe, é como os peixes, alimentos tão perecíveis, eram transportados sem estragar. “Eram envolvidos com serragem e cobertos com folhas de bananeira”, conta atentando que o pescado chegava fresco à cidade de São Paulo.

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