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IBGE: número de nascimentos cai

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O Brasil está mudando. O perfil da população está sendo moldado. Segundo especialistas, a crise econômica e a proliferação de doenças interferiram diretamente. Além disso, a população está envelhecendo e os óbitos entre idosos passam a ser maiores.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016, houve uma queda de 5,1% na comparação com 2015 em relação aos nascimentos. Foi a primeira queda desse número, desde 2010. Entre as unidades da Federação apenas Roraima teve um pequeno aumento. A pesquisadora do IBGE, Cristiane Moutinho, aponta algumas causas para essa mudança. “Além da tendência crescente de ter filhos mais tarde, várias famílias podem ter se assustado com a epidemia de zika vírus que afetou o país entre 2015 e 2016 associada ao nascimento de bebês com microcefalia. Já em Roraima, alguns fatores específicos, como a imigração de venezuelanos, podem ter contribuído para o aumento no número de nascimentos”.

Aedes
Aedes

O volume de óbitos registrados no Brasil entre 2006 e 2016 aumentou em 24,7%, com redução expressiva da mortalidade até os 14 anos de idade e aumento nas idades mais avançadas, em especial acima dos 50 anos. “Fruto do envelhecimento populacional”, tipificou a pesquisa. Em 2016, considerando apenas os óbitos por causas externas, um homem de 20 anos tinha 11 vezes mais chances de não completar os 25 anos do que uma mulher. “Por conta de causas externas (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais, etc) que incidem com mais intensidade na população masculina”, apontou a pesquisa.

CUIDADOS E MEDOS

Obstetra percebeu mudança de comportamento nos consultórios

 A ginecologista e obstetra Fernanda de Andrade Caetano Floresi concorda que a população se assustou quando há dois anos as notícias sobre epidemias e os nascimentos de bebês com microcefalia começaram a ser divulgadas. “Mas isso contribuiu para que as mulheres tivessem consciência de que é preciso se aconselhar antes. Porque, geralmente, chegavam ao consultório já grávidas”, relembra a médica.

Com isso, ela diz que o tempo de avaliar o estado de saúde da gestante, propor mudanças na rotina era praticamente perdido. As mulheres viram, nesse momento, que o aconselhamento pré-concepção é muito importante.

Fernanda
Fernanda

Fernanda se lembra de que logo no auge das suspeitas da contaminação dos bebês por Zika e Chikungunya, as mulheres que haviam feito o planejamento familiar chegavam ao seu consultório com muitas perguntas e demonstrando uma grande preocupação. “E como naquela época não sabíamos o que este vírus podia causar ao bebê, a orientação era postergar. Até os Conselhos de Ginecologia e Obstetrícia orientavam aguardar um pouco”, pontuou Fernanda.

Em Mogi Guaçu, como diz a médica, nos poucos casos de bebês com microcefalia as mães foram contaminadas em ‘trânsito’, ou seja, tinham ido viajar para regiões onde a incidência era maior.

Ela lembra que as mulheres acima dos 37 anos tinham de ponderar se esperavam mais um pouco e aumentavam o risco de uma gravidez tardia ou se enfrentavam o medo do zika. Fernanda conta que algumas mulheres chegaram a adiar a maternidade, outras protelaram até a época do inverno quando o risco parecia ser menor. Mas ela ressalta que a decisão sempre era das pacientes.

Depois, com o passar do tempo e a divulgação de estudos, as mulheres se conscientizaram que essas doenças serão algo a mais que elas terão de enfrentar, pois é uma realidade que não vai mudar. “É uma epidemia, uma doença a mais que elas terão de ficar atentas antes de engravidar e, durante a gestação, já trabalhamos os cuidados no pré-natal”.

No acompanhamento mensal, as gestantes são orientadas pela obstetra Fernanda a mudar o comportamento com os cuidados – se forem viajar – com o quintal, o uso de repelentes e a proliferação de mosquitos nas épocas mais quentes. “Atualmente, elas não estão deixando de engravidar, porque já estão cientes que há mais um fator de risco e sabem como devem se proteger”.

 

CASAMENTOS x DIVÓRCIOS

Números também refletem na taxa de nascimentos

Em 2016, foram registrados 1.095.535 casamentos civis em todo o Brasil, sendo 5.354 entre pessoas do mesmo sexo – uniões homoafetivos. Mas houve uma queda de 3,7% em relação a 2015. A redução foi observada tanto nos casamentos entre cônjuges de sexos diferentes quanto para os cônjuges do mesmo sexo, com exceção das regiões Sudeste e Centro-Oeste que apresentaram aumento nos casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo.

A pesquisa também apontou que as pessoas estão casando mais tarde. Os homens se uniram, em média, aos 30 anos e as mulheres, aos 28 anos. Já entre cônjuges do mesmo sexo, a idade média ao contrair a união é de aproximadamente 34 anos.

Os divórcios em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais tiveram um aumento de 4,7% em relação a 2015. No Brasil, o tempo médio de duração das uniões é de 15 anos, contando a data do casamento e a data do divórcio. Ao avaliar os divórcios por tipo de arranjos familiares observou-se que a maior proporção das dissoluções ocorreu em famílias constituídas somente com filhos menores de idade (47,5%) e em famílias sem filhos (27,2%).

Imagem - ABRE - Casamento ComunitárioEm Mogi Guaçu, a situação se manteve estável, segundo o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Mogi Guaçu. “Embora a estatística tenha apontado a queda nacional dos registros de nascimentos, observamos que por aqui se manteve estável referente a 2016 até outubro de 2017. Como ainda não concluímos o ano, até dezembro o número poderá ultrapassar 2016”, analisou o escrevente Giovanni Augusto Vitorino de Oliveira.

Apesar do registro em cartório levar em conta os nascidos em Mogi Guaçu, cujas famílias residem em outras cidades, o que traz uma diferença nos números apontados pela estatística da Vigilância Epidemiológica. A estabilidade na região prossegue válida. Foram 1.945 registros de nascimentos, em 2016, e 1.677 até o mês passado.

“Em relação aos registros de casamentos notamos a mesma estabilidade referente aos anos de 2016 e 2017. Observe que foram 1.016 casamentos no ano de 2016 inteiro contra 945 até outubro, deste ano”, pontua Oliveira.

Referente aos divórcios, ele diz que não há uma relação exata de números. “Podemos afirmar que houve uma queda de aproximadamente 20% de divórcios de 2016 até outubro de 2017. Lembrando que esse número poderá crescer ou manter, porque ainda falta finalizarmos os meses de novembro e dezembro deste ano”.

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Cidade também registrou menos nascimentos

A equipe de Vigilância Epidemiológica, da Secretaria Municipal de Saúde de Mogi Guaçu, acompanha de perto o desenvolvimento da população. Só para comparar no ano de 2016 foram 1.908 crianças que nasceram cujas famílias vivem na cidade. Em 2017, de janeiro a agosto, foram 1.320 bebês residentes no município. A queda ocorreu em todas as regiões da cidade.

Santa CasaÉ interessante observar que, em 2016, sete garotas entre 10 e 14 anos de idade tinham ficado grávidas. Em 2017, essa faixa etária está zerada. Nas demais faixas etárias até 44 anos também houve queda acentuada e apenas uma gestação na faixa de 45 a 49 anos.

Quanto ao número de óbitos, na comparação entre 2016 (1.018) e de janeiro a agosto de 2017 (688), sendo que a maioria está acima dos 50 anos. Desse total, 54 mortes foram classificadas ‘por causa externa’. Em 2017, foram 37 mortes relacionadas a acidentes, sete suicídios, nove homicídios e uma morte por causa ignorada. Há ainda 37 mortes relacionadas a ‘acidentes’, que inclui trânsito, quedas, eletricidade, fogo e insetos.

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