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Hoje, saber viver e conviver em família…

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Dizem os lojistas que o mês de agosto é o segundo ou terceiro Natal. Isto porque, o dia dos pais é uma oportunidade de alavancar as vendas. E eles têm razão porque grande parte dos filhos correm às lojas em busca do presente para os pais.

Muitos poderiam dizer que todos os dias é dia dos pais, o que em parte é verdade, mas um dia ao ano é para celebrar e festejar a graça da paternidade. Celebrar a vocação e a graça porque muitos, por algumas razões, não têm a oportunidade de gestar um filho. Como também tantos filhos, neste dia, não poderão dar ou receber um abraço de pai.

Contudo, uma coisa é verdade, quando presenteamos ou homenageamos nossos pais estamos de algum modo valorizando a missão e a figura paternas. Neste dia a vocação de ser pai está sendo evidenciada.

Mas também nesta data é oportunidade para refletir sobre a vida em família e sua missão na sociedade. No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos – CNBB- propõe o seguinte tema de reflexão: “Família, uma luz para a vida em sociedade”.

É uma oportunidade para dar visibilidade à importância da família e do matrimônio. O que se procura fazer é olhar para família ideal trabalhando com a família real. Levamos em conta as diversas configurações familiares, pois ao lado da família nuclear, tradicional há também a situação de famílias feridas, por inúmeras razões. Todas essas realidades de famílias são chamadas a ser luz e a dar testemunho de vida na sociedade. Ser luz não para brilhar, mas para iluminar os pontos obscurecidos, as lacunas de uma sociedade que muitas vezes se contradiz e se distancia ou ignora a ética e os valores morais e cristãos.

Nas famílias, uma sombra que faz parte do cotidiano, é a distância entre os seus membros, mesmo morando sob o mesmo teto. A falta de diálogo que exige um ouvir e falar atento ao outro, caiu em desuso em muitas famílias. O uso desenfreado e irracional das novas tecnologias vem contribuindo para o isolamento em família. Aprender a lidar com essas tecnologias é tarefa de todos, pois engana-se quem pensa que somente os mais jovens se perdem por essas redes virtuais, também os adultos precisam atentar a esta realidade. Precisamos desenvolver o senso crítico diante do que recebemos. Refletir se uma informação é ou não verdadeira e, se não é útil, qual o motivo e o benefício que ela trará ao ser divulgada. Se no passado a vilã era a televisão, hoje são essas novas tecnologias, em especial as inúmeras possibilidades do celular. Pesquisas mostram que um em cada três usuários diminuiu a comunicação ao vivo com pessoas queridas por causa das redes sociais.

As famílias precisam voltar a viver alguns momentos básicos como trocar ideias, contestar, conversar, escutar o outro, ter prazer de estar junto. Faz-se necessário o resgate de um relacionamento mais humano e próximo entre os membros de uma mesma família. Estar de “corpo e alma” junto das pessoas nunca será menor que a comunicação virtual.

Hoje não se fala mais em crise da família, mas sim falência, morte. Ora, as crises são oportunidades de crescimento e aprendizado. O que realmente faliu? Certamente são alguns aspectos da vida em família que passaram por mudanças, como passamos de uma sociedade rural para uma realidade urbana. É hora de incrementar a intensidade da vida comum, ou pelo menos que encontrar um novo sentido para a vida em família e não perder de vista aqueles valores que atravessam os séculos e as culturas.

Em tempos passados a família não precisava de tantos suportes. A própria organização da sociedade sustentava a família e vice-versa. Hoje, saber viver e conviver em família não é mais pressuposto. Mais do que nunca a vida exige um aprendizado para esse aspecto tão importante de nossa existência. Muitas comunidades e organismos religiosos ou não, se colocam à disposição das famílias, dos casais, pais e filhos. Algumas ciências se especializaram em família e desse progresso podemos nos beneficiar, muito embora haja tanto preconceito.

É na família que aprendemos a conviver, aprendemos o valor de cada pessoa, do respeito recíproco, da gratuidade e generosidade. Ali praticamos o amor, a esperança e a fé. Ganhamos um sentido para a vida e compreendemos que também as perdas são vitórias. Lidamos com o sofrimento pessoal e das outras pessoas. Socorremos os machucados, ajudamos os menores e protegemos os indefesos. São valores que podem ser vividos em nossas relações sociais. A sociedade, da qual somos parte, poderá ser humanizada se olharmos as pessoas que cruzam o nosso caminho com os mesmos olhos de amor e compaixão, e de comprometimento com que olhamos nossos familiares e amigos. Desta forma, a família cumprirá sua missão de iluminar a sociedade que tanto nos desumaniza.

 

João Marcos Moreira é pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças

 

 

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