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Haitianos são gratos à acolhida dos guaçuanos

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25 de junho é o Dia Nacional do Imigrante. A data comemorada esta semana é importante para trazer luz à imigração, levantando alguns questionamentos, entre os quais, como é a acolhida em terras brasileiras. Por aqui, já chegaram povos de várias nacionalidades e mais recentemente os venezuelanos e os haitianos. E não se pode ignorar a existência do preconceito quanto a estes povos.

Mas nem todos os imigrantes vivenciam esta situação. Pelo contrário, há aqueles que se sentem acolhidos e têm pela cidade que os recebeu o mesmo carinho pela terra que tiveram de deixar. Este é o caso da família Delma.

O pai chegou primeiro ao Brasil, passou por outras cidades, fixou residência em Mogi Guaçu e depois de três anos conseguiu trazer a família: mulher e seis filhos. Por aqui, reforça que nunca viveu qualquer tipo de preconceito. Pelo contrário, destaca a acolhida e o apoio dos guaçuanos.

ACOLHIMENTO

 “Aqui eu me sinto em casa”, afirma haitiano

A família Delma mora no Jardim Lagoa Azul, conseguiu se reunir depois de três anos e é uma exceção quando trata-se de preconceito. Todos os seis filhos do casal Pierre Ernst Delma, 45, e da esposa Marie Yvenette François, 50, estão estudando, sendo que dois deles fazem curso superior. Os anos longe da família foram difíceis, mas o patriarca conta que recebeu o apoio de muitas pessoas. E foi este acolhimento que o fortaleceu durante a estadia longe dos familiares. Com tudo isto, a xenofobia nunca esteve presente nesta vivência e, por isso, o imigrante diz que se sente em casa, aqui, em Mogi Guaçu.

multi haitianos pierre e mariUm dos filhos Marc-Alder Delma, 22, cursa Ciência da Computação na Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro”, fez estágio na Prefeitura e conta que nunca foi alvo de preconceito. Pelo contrário, relata sempre ter sido muito bem recebido e tratado da mesma forma que os demais, tanto no ambiente de trabalho quanto no ambiente escolar. “Nunca fui vítima de preconceito. A relação com as pessoas sempre foi a melhor possível”, ressalta. E ele afirma que o mesmo acontece com os demais irmãos: Ernso, 24; Abdeel, 17; Uric, 14; Eliezer, 12 e Christian, 7.

O problema que ronda a família haitiana é o mesmo presente na casa de muitos brasileiros: o desemprego. Atualmente, nenhum deles trabalha. A ajuda vem da comunidade da igreja que frequentam, de outra que também oferece assistência e de amigos. E, mais uma vez, Pierre não credita o fato a nacionalidade, mas à crise. Bem informado, sabe dos problemas socioeconômicos brasileiros e diz que há outro agravante – no momento – que dificulta sua volta ao trabalho. “Estou perdendo a visão”, relata comentando que segue em tratamento no Hospital das Clínicas da Unicamp. E admite estar muito preocupado. Atualmente, a única renda da família é o seguro desemprego. “E Deus que manda as pessoas que nos dão o de comer”, reforça.

Marc-Alder não vê a hora de começar a trabalhar e diz que conta com ajuda dos professores que lhe avisam sobre processos seletivos. Firme no propósito de concluir o ensino superior, disse que tem 30% de bolsa obtida graças à nota que obteve no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). O irmão mais velho, Ernso também cursa o ensino superior, faz Engenharia Civil nas Fimi (Faculdades Integradas Maria Imaculada).

multi haitianos marc alderAssim, com ajuda e determinação, a família sobrevive e também demonstra devoção e gratidão. “Peço a Deus que abençoe esta cidade por ter me acolhido. Vivo aqui e quero o melhor para Mogi Guaçu porque meus filhos estão estudando e um dia vão retribuir esta ajuda que estamos recebendo”, planeja.

HÁ 60 ANOS

Data foi criada na década de 1950

O Dia do Imigrante foi determinado através do Decreto nº 30.128, de 14 de novembro de 1957, emitido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Esta data foi escolhida por ser o fim das celebrações da semana da Imigração Japonesa, comemorada a partir de 18 de junho. Existe ainda o Dia do Imigrante Italiano: 21 de fevereiro.

A data foi criada para homenagear essas pessoas, que deixam para trás amigos e família em busca de melhores condições de vida, além de colaborarem para o crescimento do país que se destinam.

COMBATE À XENOFOBIA

Campanha visa conscientizar a população

“Imigrante, São Paulo te Acolhe” é a nome da campanha lançada pelo Governo do Estado de São Paulo visando o acolhimento aos imigrantes e o  combate à xenofobia. Com mensagens nas redes sociais e pontos estratégicos como metrôs, rodoviárias e aeroportos, a campanha apresenta os serviços disponíveis na Secretaria da Justiça e Cidadania para atendimento aos migrantes, refugiados e imigrantes e alertar sobre a xenofobia.

campanha_sao_pauloDe acordo com a Polícia Federal, no Brasil vivem 1,198 milhão de imigrantes. No Estado de São Paulo são mais de 538 mil, ou seja, quase a metade do total. Dados de março de 2018 do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que há 5.314 refugiados vivendo no país sob essa condição. Historicamente, contudo, o país já reconheceu mais de 10 mil refugiados. Entre as nacionalidades que buscam refúgio estão Venezuela, Haiti, Senegal, Síria, Angola, Cuba, entre outras.

O NETP (Núcleo de Enfretamento ao Tráfico de Pessoas) da Secretaria da Justiça, que coordena as atividades do CET (Comitê Estadual para Refugiados), trabalha para centralizar as denúncias de maus tratos, xenofobia, tráfico de pessoas, trabalho escravo, entre outros temas que envolvem a violação dos direitos humanos. As denúncias podem ser feitas na Secretaria da Justiça, no Pátio do Colégio em São Paulo, no site www.ouvidoria.sp.gov.br ou nos telefones (11) 3241-4718/4291.

 

CRISE

O relatório de 2018 do Acnur (Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados) informa que quase 70,8 milhões de pessoas estão em situação de deslocamento forçado em todo o mundo. Esse é o maior nível de deslocamento forçado registrado ACNUR em seus quase 70 anos de atuação. Em 2018, o número de refugiados chegou a 25,9 milhões pessoas, 500 mil a mais do que em 2017.

Segundo o ACNUR o total de 70,8 milhões é, ainda, uma estimativa conservadora, especialmente porque o número reflete apenas parcialmente a crise na Venezuela. No total, cerca de 4 milhões de venezuelanos já saíram do país desde 2015, tornando essa uma das mais recentes e maiores crises de deslocamento forçado no mundo.

 

PENA DE RECLUSÃO

Há 30 anos, xenofobia é crime

Desde 1989, o direito brasileiro reconhece a xenofobia como crime punido com pena de reclusão de um a três anos e pagamento de multa. Segundo o artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, alterada pela Lei nº 9.459/1997, quem pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito por raça e etnia responde criminalmente. A xenofobia materializada em práticas de violência, se configura como delito inafiançável e imprescritível de acordo com a Constituição Federal (artigo 5º, inciso XLII).

Nos termos do Pacto Global para Migração, “migrantes e refugiados são grupos distintos, regidos por estruturas legais separadas. Apenas refugiados têm direito à proteção internacional específica, conforme definido pelo direito internacional dos refugiados”. Ao contrário dos refugiados, migrantes podem optar por voltar para casa e continuar recebendo a proteção de seu governo.

 

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